Friday, 14 May 2010

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA

Novo Working Paper da FEP - The determinants of technology transfer efficiency and the role of innovation policies: a survey




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Technology Transfer and National Innovation





Opinião Jurídica:
Transferência de tecnologia e competitividade
Pedro Bhering e Alysson Hautsch Oikawa
05/03/2008 - Jornal Valor Econômico
Em novembro de 2007, a imprensa noticiava os planos do governo federal de reaparelhar nossas Forças Armadas por meio da aquisição de equipamentos estrangeiros. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tal aquisição teria que conter obrigatoriamente a transferência da tecnologia utilizada em sua fabricação. O conceito de compra subordinada à passagem de conhecimentos avançados foi reiterado em recente visita de Jobim à França, onde se discutiram possíveis alianças militares e acordos que permitam a produção nacional de submarinos e aeronaves.
Embora excluída dos moldes tradicionais de licitação, a estratégia do governo não é nova. Na década de 1980, a então estatal Embraer formou consórcio com empresas italianas para o desenvolvimento e a produção do jato de ataque AMX. Àquela época, a Embraer já tinha como política adquirir novas tecnologias externas necessárias para a modernização e o desenvolvimento do seu parque industrial.
Com a privatização, a aquisição e a absorção de tecnologias externas, assim como os conseqüentes investimentos em pesquisa, cresceram significativamente, contribuindo para tornar a Embraer uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo. Esse exemplo é um entre alguns outros que reforçam a importância da transferência de tecnologia e sua absorção pelo adquirente, como subsídio à capacidade de enfrentar a concorrência nos setores público e privado.
Outro exemplo relevante diz respeito à Petrobras, que nos anos 70 e 80 teve como uma de suas políticas industriais a aquisição de tecnologias estrangeiras ao mesmo tempo em que investia maciçamente em pesquisa, tornando-se posteriormente, referência na exploração de petróleo em águas profundas e na exportação de tecnologia nessa área.
É tradição brasileira vincular a proteção de ativos intelectuais ao interesse social e ao desenvolvimento econômico do país, como determina o inciso XXIX, do artigo 5º, da Constituição Federal de 1988. Entre leis federais, portarias ministeriais e atos normativos, são várias as normas que passaram a regular a matéria a partir de 1962.
O artigo 211 da Lei de Propriedade Industrial - Lei nº 9.279, de 1996 - prescreve que os contratos que impliquem na transferência de tecnologia deverão ser submetidos à aprovação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Em termos econômicos, a aprovação é requisito para a remessa ao exterior e para a dedutibilidade fiscal dos pagamentos (royalties) oriundos da transferência de tecnologia. Conforme disposto na Lei nº 4.131, de 1962 e em legislações complementares, as remessas de royalties e a dedução fiscal dos pagamentos pela empresa adquirente da tecnologia somente serão permitidas após a aprovação dos respectivos contratos pelo INPI.
Outro efeito importante é a legitimação ativa para medidas judiciais do exercício dos direitos de propriedade industrial envolvidos no contrato. Como a presunção é que só o titular possui tal prerrogativa, a validade de cláusula que permite ao licenciado pleitear os direitos negociados dependerá da aprovação do contrato pelo INPI.
Nos últimos tempos, o INPI tem flexibilizado a análise e a conseqüente aprovação de contratos envolvendo a transferência de tecnologia. O fato vem contribuindo para o incremento da aquisição de tecnologias estrangeiras por empresas nacionais e mesmo por subsidiárias de empresas estrangeiras sediadas no Brasil.
Esta política traz como uma de suas conseqüências indiretas o desenvolvimento da pesquisa pelas empresas adquirentes das tecnologias, na medida em que, ao adquirir tais tecnologias externas, essas empresas são impelidas a criar ou ampliar seus centros de pesquisa, que se apresenta como fator preponderante para que as tecnologias sejam absorvidas. Além disso, essa estratégia é fundamental para que elas possam apresentar grau de competitividade nos cada vez mais disputados mercados.
Os casos do Japão, e mais recentemente da Coréia, são significativos, na medida em que algumas empresas desse último país, por exemplo, nos últimos quinze anos, apresentaram notável desenvolvimento, atingindo mercados antes inalcançáveis. Tal situação deve ser creditada à aquisição de tecnologias externas e a significativos investimentos em pesquisa.
Em que pese o fato de o Estado ainda regular a aquisição de tecnologia estrangeira, esta continua a representar fator preponderante para a competitividade de entes governamentais e de corporações privadas. Em algum ponto de sua evolução, a pessoa física ou jurídica se depara com a indagação de como fomentar sua capacidade inovadora. A criação e o desenvolvimento de ativos intelectuais por vias próprias ou por meio de terceiros constituem etapa inevitável para que uma empresa se torne competitiva em uma economia cada vez mais globalizada.
Assim, dentro da atual realidade industrial brasileira, a opção de adquirir tecnologias estrangeiras apresenta-se como alternativa atraente e economicamente mais viável.
Além disso, com a absorção das tecnologias dentro dos prazos contratuais, a conscientização, disseminação e conseqüente implementação da cultura da pesquisa tornam-se naturais e obrigatórias. Este, então, é o cenário ideal que se apresenta para que o país possa em razoável espaço de tempo ter empresas capazes de produzir bens e serviços com padrão de qualidade e excelência em igualdade de condições com as empresas dos países mais desenvolvidos.





Transferência de tecnologia é essencial
Para o Valor, de São José dos Campos05/11/2009
O presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Walter Bartels, disse que o processo efetivo de absorção de tecnologia ocorre através da realização da inovação ou do desenvolvimento tecnológico dentro da indústria. "É difícil transferir tecnologia de quem criou para quem vai produzir. Como regra geral, a tecnologia sensível ou para elevação do nível militar, não se transfere, não se adquire, incorpora-se."
Para o executivo, a compra de caças supersônicos de empresas estrangeiras é necessária neste momento, pelas necessidades de curto prazo da FAB, mas o país necessita possuir, obrigatoriamente, uma capacidade real de dissuasão e isso só será possível se os respectivos meios forem de domínio tecnológico brasileiro, desenvolvidos e produzidos no país. "A indústria aeroespacial brasileira espera que, futuramente, não sejam mais necessárias aquisições no exterior mas, em casos excepcionais, sejam feitas através de um contratante principal brasileiro como ocorre em países desenvolvidos", afirmou.
Bartels cita o caso do programa AMX, em que o Brasil levou vantagem porque pagou 30% do seu desenvolvimento e dominou 100% do avião. Entre as tecnologias resultantes desse projeto de cooperação, que o presidente da AIAB participou ativamente pela Embraer, Bartels destaca a aerodinâmica transônica, sistema de aviônica de navegação e ataque integrado, usinagem mecânica de peças complexas e comandos de voo "fly by wire", que depois foram aplicados no desenvolvimento dos jatos comerciais da Embraer.
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), Carlos Frederico Queiroz de Aguiar, o processo de aquisição dos caças do programa F-X2 é um dos melhores dos últimos 30 anos. "O processo de hoje se baseia na experiência dos erros e dos acertos do passado e tem sido um processo de aquisição mais realista e mais adequado ao tipo de aquisição, ou seja, a de um equipamento que tem de gerar no país um efeito multiplicador de absorção de tecnologia pela base industrial de defesa do país."
Segundo Aguiar, qualquer que venha a ser a decisão, haverá grandes benefícios para a indústria nacional, graças à política de "offset" (contrapartida) que a FAB e o Ministério da Defesa vêm reafirmando desde o início do processo do F-X2. O executivo lembra que a FAB estabeleceu que 80% do offset deverá se constituir em transferência de tecnologia direta no programa. Além disso, segundo ele, os três concorrentes têm se aplicado em oferecer também trocas comerciais significativas, ou seja, compras de equipamentos no Brasil, principalmente aeronaves da Embraer.
O fato de a decisão ser política, na opinião do presidente da ABIMDE, não exclui as demais considerações inerentes ao processo. O executivo disse que os empresários envolvidos no processo estão satisfeitos com os acordos até agora firmados e que muitos já se preparam para a fase de contratação e operacional que virá logo após a decisão final. "De um modo geral percebo um clima de satisfação e de expectativa nas empresas de grande porte como também nas de médio porte". (VS)




Memória

FNDCT, 40 AnosPDF
Waldimir Pirró e Longo, Maria Sylvia Derenusson



Projeto dá para empresas verba de pesquisas
Valor Econômico
29/12/2003 09:19
SÃO PAULO - O governo federal planeja transferir diretamente a empresas privadas parcela expressiva dos recursos que hoje financiam projetos de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias conduzidos em universidades públicas. Dispositivo que permite essa transferência foi incluído no projeto de Lei de Inovação que o governo deve enviar ao Congresso nos próximos meses. Proposta no fim do governo Fernando Henrique Cardoso, a Lei de Inovação cria incentivos para a participação de pesquisadores das universidades em projetos do setor privado. Ela foi retirada do Congresso logo após a posse do novo governo para ser revista. Há duas semanas, o Ministério da Ciência e Tecnologia apresentou uma nova versão do projeto a empresários e membros da comunidade acadêmica.A transferência de recursos das universidades para as empresas é uma das principais mudanças introduzidas no projeto. Ele determina que no mínimo 30% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) sejam aplicados diretamente em empresas nacionais, na forma de subvenções. O projeto também autoriza transferências na forma de empréstimos e aportes de capital.As empresas teriam que submeter seus projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico à aprovação do governo para receber o dinheiro. As subvenções subsidiariam uma parte dos custos dos projetos e as empresas cobririam a outra parte. Já existem na legislação em vigor mecanismos semelhantes para estimular a inovação no setor privado, mas o governo não tem aplicado os recursos necessários para que esses incentivos saiam do papel.Os fundos abrigados sob o guarda-chuva do FNDCT devem arrecadar R$ 1,4 bilhão no próximo ano. O Orçamento da União prevê que 57% dos recursos serão bloqueados por medidas de contenção de gastos adotadas pelo governo e reserva R$ 619 milhões para investimentos. A maior parte desse dinheiro é destinada a projetos das universidades. Há apenas R$ 56 milhões para subvenções e outras formas de transferência de recursos a empresas.O projeto de Lei de Inovação permite que professores se afastem das universidades por até quatro anos para trabalhar no setor privado. Ele facilita a transferência de tecnologias das universidades para as empresas e assegura aos pesquisadores parte dos ganhos obtidos na exploração comercial dessas tecnologias. A lei também autoriza o governo a contratar empresas para desenvolver projetos em áreas que considerar de interesse público.Desde que começou a ser discutida, em 2001, a Lei de Inovação tem recebido críticas no meio acadêmico. Muitos professores temem que ela esvazie as universidades e prejudique cientistas dedicados a pesquisas sem interesse comercial. Outros acreditam que a lei pode ser um instrumento para ampliar a competitividade das empresas brasileiras e ao mesmo tempo reforçar o orçamento das universidades.A nova versão do projeto é mais enxuta do que a proposta pelo governo anterior e dá às universidades mais flexibilidade para aplicar as novas regras. Ela estabelece que os pesquisadores interessados em trabalhar no setor privado só poderão se afastar se tiverem autorização das instituições às quais estiverem ligados. O projeto permite que as vagas abertas sejam preenchidas sem que os afastados percam o lugar e as vantagens da carreira.O novo projeto amplia as possibilidades de lucro para os pesquisadores que trabalharem em projetos de interesse do setor privado. Se a lei passar como está, eles terão direito a até 33% dos ganhos obtidos pelas universidades com a transferência de tecnologias para as empresas. A proposta original reservava para os pesquisadores 20% dos ganhos.O novo projeto de Lei de Inovação é resultado de seis meses de discussões entre o governo, associações da indústria e a comunidade científica. Ele não deve ser aprovado tão cedo. Além das resistências que ainda encontra no meio acadêmico, as eleições municipais e as outras prioridades do governo deverão tornar lenta sua tramitação no Legislativo.





Britânicos oferecem transferência de tecnologia
Cláudia Schüffner03/12/2004
Companhias inglesas estão interessadas em associações com brasileiras para formação transferência de tecnologia para aumentar a competitividade do setor no Brasil. A associação seria com participação igualitária com majoritariamente britânica. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela Câmara Britânica com seus membros.
"A competitividade das empresas do Brasil é muito importante para o investidor internacional, que precisa ter aqui fornecedores e prestadores de serviços que ofereçam produtos de qualidade, com segurança, prazo e preços competitivos internacionalmente", explica Richard Taylor, que preside o Comitê de Energia da Câmara Britânica e também a BP no Brasil.
A capacitação internacional das empresas brasileiras da indústria de petróleo é o principal tema do III Seminário Britcham Internacional de Petróleo e Gás, promovido hoje, no Rio. Serão discutidas formas de aumentar a competitividade das empresas brasileiras do setor, inclusive no financiamento de projetos.
O executivo ressalta que para alcançar o estágio de fornecedor, algumas empresas poderão fincar o pé em outras áreas de produção ao redor do mundo, como a parte americana do golfo do México e a Nigéria. "Se forem competitivas aqui, essas empresas poderão crescer fora do Brasil", disse.
Taylor lembra que seu país começou a desenvolver uma indústria voltada para o setor logo após as descobertas de óleo no Mar do Norte, que transformaram a escocesa Aberdeen em capital do petróleo, situação que continua se sustentando mesma com os campos da região chegando à maturidade.
Frisando que os investidores associados ao Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) gostariam de ter fornecedores locais, o executivo acha importante que o governo leve em conta o diagnóstico das empresas do setor que está sendo elaborado no âmbito do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp).
O coordenador executivo do Prominp, José Renato Ferreira de Almeida, explicou que o diagnóstico ainda não foi concluído, mas levando-se em conta os US$ 60 bilhões que serão investidos pela indústria de petróleo no Brasil até 2010, se uma ínfima parte ficar no Brasil será um resultado muito bom.





"Criou-se a falsa presunção de conflito entre o direito da propriedade intelectual e a livre concorrência"
Diretrizes antitruste e propriedade intelectual
Por José Carlos Vaz e Dias
30/08/2005
Por um longo período, prevaleceu o conceito de que os direitos da propriedade intelectual, principalmente aqueles decorrentes da concessão de patentes, conferiam poder de mercado ao seu titular, criando monopólios sobre atividades econômicas e restringindo a competição mercadológica.
Por essas e outras razões, o revogado Código da Propriedade Industrial - a Lei nº 5.772, de 1971 - limitou o campo de proteção a diversos desenvolvimentos tecnológicos, como os fármacos, e procurou flexibilizar as regras da licença compulsória e da caducidade. Além disso, o tenebroso Ato Normativo nº 15, de 1975, listou diversas cláusulas que estavam proibidas nos contratos de exploração tecnológica, sem qualquer consideração à prevalência de seus aspectos pró-competitivos.
Isso tudo foi suficiente para criar a falsa presunção de conflito entre o direito da propriedade intelectual e a livre concorrência. Na verdade, os propósitos são comuns na medida em que promovem a eficiência industrial e mercadológica, motivam o desenvolvimento tecnológico e otimizam as relações de consumo com benefícios para os consumidores.
Aliás, um ambiente de intensa rivalidade empresarial é importante para que novos conhecimentos tecnológicos sejam desenvolvidos e explorados no mercado. A eficiência empresarial por meio da adoção de processos tecnológicos para racionalizar os meios de produção (trabalho, capital e insumos) estimula a competição entre concorrentes e fomenta a criação de mercados secundários e a substituição de produtos e serviços. É nesse raciocínio que o direito da propriedade - inclua-se a propriedade intelectual - é complementar à livre concorrência e vice-versa e, conseqüentemente, são considerados princípios da ordem econômica brasileira, nos moldes do artigo 170 da atual Constituição Federal.
A concessão de uma patente ao criador/titular de uma invenção tecnológica, por exemplo, que envolve a exclusão de terceiros para a produção, não confere necessariamente um monopólio ou mesmo um poder de mercado para esse titular e nem pode ensejar uma presunção de abuso de direito. Para a constatação de monopólio, torna-se indispensável verificar a existência ou não de produtos e/ou processos substitutos à invenção tecnológica protegida, bem como analisar as condições do mercado relevante (estrutura da oferta, barreira à entrada de concorrentes e grau de dependência dos consumidores, dentre outros critérios) e principalmente a existência de perspectivas na mudança estrutural do mercado que reduza a competição.
O direito da propriedade intelectual deve ser entendido como um direito temporário de propriedade, e não como um monopólio. Cabe examinar, a partir de então, os possíveis efeitos anticompetitivos relativos à exploração patrimonial desse direito, e não mais analisar a abusividade de sua natureza jurídica, que é realizada comumente por meio dos contratos de transferência tecnologia e de licenciamento de direitos intelectuais.
Pelo fato de a exploração realizar-se principalmente por meio de contratos, espera-se que os critérios básicos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a análise de condutas comerciais sejam largamente utilizados, para confirmar a legalidade de possíveis restrições encontradas nos contratos de tecnologia, principalmente aquelas presentes na Resolução nº 20 do Cade, emitida em 9 de junho de 1999.
No entanto, releva mencionar as peculiaridades dos contratos de transferência de tecnologia e de licenciamento e as diferenças em relação a outras condutas, principalmente por envolverem bens imateriais e estes serem indispensáveis para a competitividade empresarial. Ainda, constata-se que esses contratos podem afetar o mercado de inovação, além de limitar ou desenvolver a capacidade competitiva do licenciado, justificando-se, assim, que outros critérios de análise (além daqueles relativos ao mercado de produto e serviços) sejam elaborados para verificar a legalidade de condutas na exploração tecnológica.
Diante dessa perspectiva, a Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) tomou a iniciativa de recomendar aos órgãos da concorrência no Brasil a adoção de um direcionamento formal e específico para o exame desses contratos, por meio da discussão desse assunto em sua comissão da concorrência e da elaboração de um texto inicial denominado "Diretrizes básicas para o exame de contratos de transferência de tecnologia e licenciamento de diretor da propriedade intelectual sob uma perspectiva do direito."
Como não poderia deixar de ser, pela atualidade e importância do tema, a implementação de diretrizes básicas está sendo largamente discutida no "XXV Seminário Nacional da Propriedade Intelectual", que será concluído hoje em São Paulo.




Farmacêutica: O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que vai fomentar pesquisas no país
Governo planeja criar 'superlaboratório' com apoio do BNDES
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
01/02/2010
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o governo busca estimular troca de tecnologia e investimentos
O governo quer criar um "superlaboratório" nacional para competir de igual para igual com as grandes multinacionais que atuam no país. O BNDES vai financiar esses projetos. Em entrevista ao Valor o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que o BNDES buscará fortalecer as indústrias nacionais para que elas tenham escala como as grandes companhias farmacêuticas internacionais. "O governo vê como positiva a criação de uma grande empresa nacional", afirmou o ministro.
Desde o fim do ano passado, o BNDES tem conversado reservadamente com empresas nacionais. O banco propõe financiar fusão entre laboratórios e também aquisições, por meio do Profarma, programa de fomento voltado para o setor farmacêutico, cujo orçamento é de R$ 3 bilhões até 2012. Até dezembro, os financiamentos do BNDES já somavam R$ 1,374 bilhão.
Os planos do governo de fortalecer as empresas nacionais começaram a ser discutidos em 2008, mas ganharam força no fim do ano passado, impulsionados pelo intenso movimento de concentração do setor. "O governo quer evitar que multinacionais adquiram empresas nacionais de peso, a exemplo do que ocorreu com a Medley, que foi comprada pela companhia francesa Sanofi-Aventis", afirmou uma fonte do setor.
Temporão disse que o governo também quer estimular investimentos em pesquisas e desenvolvimento (P&D) de empresas nacionais e troca de tecnologia. O BNDES financiou cerca de R$ 302 milhões em P&D até dezembro e pretende elevar esses investimentos nos próximos meses.
Procuradas pelo Valor, empresas nacionais classificaram como positiva a iniciativa do governo, por meio do BNDES, de financiar o fortalecimento do setor, desde que não seja por compra de participação. O banco estaria estudando ter participação acionária, por meio do BNDESPar, na Hypermarcas, empresa que no ano passado comprou a Neo Química, de Goiás, desbancando a americana Pfizer, que também estava no páreo. A companhia nacional estuda novas aquisições de laboratórios farmacêuticos no país e deverá ter financiamento do BNDES. Sobre ter participação acionária em companhias farmacêuticas, o BNDES não comenta o assunto.
Grandes grupos nacionais, como EMS, Aché, Eurofarma, Cristália, confirmaram que já foram sondados por companhias multinacionais, mas afirmam não ter interesse, neste momento, em negociar seu controle ou mesmo participação. Grandes laboratórios internacionais também foram ouvidos e afirmaram ter interesse em investir no Brasil e que já estudam oportunidades neste sentido.
O governo tem acompanhado atento ao movimento de concentração no Brasil e acredita que companhias nacionais fortalecidas, com pesquisas em inovação, podem trazer uma nova visão estratégia da saúde no país.
Segundo o ministro, o papel da saúde, além de ter um forte componente de política social, tem de ter uma visão industrial, mas com foco em desenvolvimento. Temporão tem uma preocupação em reduzir o déficit comercial do governo, que ficou em torno de US$ 7 bilhões no ano passado. O governo pretende baixar esse valor para até US$ 4,4 bilhões e desenvolver tecnologias para a produção, no país de 20, de produtos estratégicos do SUS (Sistema Único de Saúde) até 2013.
"Participamos de viagens com empresários com o objetivo de atrair investimentos em pesquisas no país, estimulando troca de tecnologia", afirmou o ministro. Temporão citou o acordo fechado no ano passado entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério de Saúde, com a inglesa GlaxoSmithKline (GSK), para que a companhia forneça sua vacina pneumocócica para ser incluída no calendário do programa nacional de imunização a partir deste ano. Além da transferência de tecnologia, o acordo prevê a instalação de um centro de pesquisa e desenvolvimento de tratamentos contra doenças como dengue, malária e febre amarela no país, avaliado em € 70 milhões, no qual a farmacêutica se compromete a investir metade deste valor.
Também no ano passado, em viagem à China, o laboratório farmacêutico EMS, o maior do país, fechou acordo de transferência de tecnologia com a chinesa Shanghai Biomabs para a fabricação no Brasil de seis produtos biotecnológicos de última geração, afirmou Temporão, que também participou da viagem. Dentre esses produtos estão os chamados anticorpos monoclonais, medicamentos biológicos com indicação para tratamento de doenças graves e de alto custo, especialmente câncer, artrite reumatoide e osteoporose.
Segundo o ministério, o primeiro produto alvo dessa parceria com a China será o Etanercepte, cuja indicação principal é a artrite reumatoide, e que hoje gera gastos anuais da ordem de R$ 80 milhões ao governo, principal comprador desse medicamento.
Temporão defende o programa do governo, o chamado Complexo Industrial da Saúde, como forma de estimular programas mobilizadores em áreas estratégicas para levar o Brasil a ter domínio sobre o conhecimento científico-tecnológico.
Segundo o ministro, o governo concluiu nove projetos envolvendo parcerias, nos quais participam sete laboratórios públicos, sete privados, um deles estrangeiro, para o desenvolvimento de 14 produtos. Esses projetos somam compras anuais da ordem de R$ 650 milhões, com economia estimada entre R$ 130 milhões/ano e R$ 150 milhões/ano, nos próximos cinco anos.
Em 2009, o Brasil movimentou R$ 30,2 bilhões em vendas de medicamentos. O potencial é de crescimento acima de dois dígitos nos próximos anos. "Há dez anos o perfil dos laboratórios nacionais era de poucos investimentos e escala baixa. Hoje a situação é bem diferente. Já temos multinacionais brasileiras", afirmou uma fonte.




Estudo: CARE-Eletric é a primeira companhia nacional a figurar em levantamento do World Economic Forum
Brasil entra em ranking global de inovação
Cibelle Bouças, de São Paulo
04/12/2009
Em um pequeno escritório do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), a CARE-Eletric, uma empresa incubada criada em 2007, desenvolveu uma turbina de geração de energia que reduz drasticamente os problemas ambientais causados pela instalação de usinas hidrelétricas. O sistema é baseado no princípio das rodas d'água. As turbinas são instaladas em pontos específicos do leito de um rio e geram energia a partir do fluxo natural das águas, sem a necessidade de instalação de barragens, como em uma usina convencional. "Funciona como uma roda d'água, mas debaixo da água", explica o gerente de gestão da empresa, Edson Abuchaim.
A CARE-Eletric é a primeira brasileira a figurar no ranking "Technology Pioneers", elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). O levantamento foi feito a partir da análise de mais de 300 projetos de inovação realizados nos cinco continentes. Do total analisado, 26 projetos foram selecionados nas categorias de tecnologia da informação, biotecnologia e saúde, energia e proteção ambiental - nesse último, a empresa brasileira ocupou a quarta colocação.
O projeto da CARE-Eletric mostra que um rio com vazão de 12 metros cúbicos por segundo pode gerar de 150 quilowatt/hora (KW/h) a 1 megawatt/hora (MW/h). É possível instalar as turbinas em vários pontos do rio, elevando essa capacidade de geração, afirma Abuchaim. O custo de um conjunto de turbinas para geração de 1 MW/h é similar ao da construção de uma pequena central hidrelétrica (PCH). Em compensação, a tecnologia dispensa a construção de barragens, o desvio do curso dos rios, a transferência da população ribeirinha, o transporte e a readaptação da fauna para outra região, entre outros problemas sócio-ambientais derivados da construção de usinas hidrelétricas. "O desafio é tentar baixar o custo de produção, mas acredito que com a produção em larga escala isso será possível", afirma o gerente.
A oferta de projetos com foco no desenvolvimento de tecnologias verdes cresceu significativamente nessa edição do levantamento, afirma o diretor do Technology Pioneers, Rodolfo Lara. Na média dos últimos dez anos, 62% dos projetos apresentados eram ligados à área de tecnologia da informação; outros 22% eram ligados às áreas de saúde e biotecnologia e 16%, ao segmento de energia e ambiente.
Na edição mais recente do estudo, 38% dos trabalhos apresentados eram de tecnologias "verdes". A preocupação com o aquecimento global exerceu uma influência significativa sobre os temas das pesquisas de inovação, diz Lara. "Podemos esperar que esse seja o tema mais importante adotado pelas empresas de inovação nos próximos anos, sobretudo com o aumento dos pacotes de estímulo à produção de tecnologia verde por governos e empresas privadas", afirma.
Lara cita um relatório global da Ernst & Young elaborado este ano sobre tecnologia limpa, no qual mais de 300 executivos de companhias com receita superior a US$ 1 bilhão informaram que suas empresas estão investindo na adoção de tecnologias que reduzam os prejuízos ambientais. Esses executivos estimaram que as companhias gastarão pelo menos US$ 10 milhões em 2010 na adoção de tecnologias limpas; 22% do total previram gastos superiores a US$ 100 milhões. Entre as empresas citadas estão a BP, Chevron, ExxonMobil, Duke Energy, GE e Cisco Systems.
Outro ponto destacado por Lara no levantamento foi o aumento da participação de companhias de países emergentes. No ano passado, de 34 empresas selecionadas, 15 eram americanas e só havia uma representante da América do Sul e uma da Índia. Neste ano, 18 projetos foram criados nos Estados Unidos, um no Brasil, dois na Índia e um numa parceria entre África do Sul e Quênia.
Em relação ao total de projetos apresentados, 62% eram dos Estados Unidos, 26% da Europa, 7% da Ásia, 3% do Oriente Médio, 1% da África e 1% da América do Sul. Lara observa que, tradicionalmente, as empresas de inovação de países emergentes iniciam as pesquisas localmente mas, quando precisam se capitalizar ou ganhar projeção internacional, acabam optando por dar continuidade ao trabalho em países desenvolvidos.
Os Estados Unidos, pondera Lara, continuam tendo um lugar de muito destaque pelo acesso ao capital e à infraestrutura proporcionados pelo país, mas também por ser um grande mercado consumidor. "Mas à medida que países como Brasil, China e Índia desenvolvem suas políticas de inovação, haverá uma tendência de migração de capital investidor para esses países e a consequente permanência das empresas em seus países de origem. Acredito que o mercado de inovação será mais competitivo no futuro", avalia o diretor.
Um ponto positivo analisado por Lara foi o alto índice de sobrevivência das empresas de inovação, normalmente muito pequenas e jovens. De 450 empresas selecionadas nos rankings desde 2000, 83% sobreviveram. E do total, 79% continuam operando de forma independente. Os 21% restantes foram adquiridos ou se fundiram a outros grupos, mas as tecnologias continuaram em uso.




Transportes: Empresa trará parte da produção se ganhar o projeto
Alstom pode transferir tecnologia do trem-bala
Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos10/11/2009
Philippe Delleur: "O fato de já termos uma base industrial instalada no Brasil agilizará o processo de transferência"
A Alstom tem planos de trazer para o Brasil uma parte da produção e tecnologia de trens de alta velocidade (TAV) da sua matriz francesa, caso participe da construção do trem-bala brasileiro, linha férrea de 511 km que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro. A expectativa da empresa, segundo seu presidente no Brasil, Philippe Delleur, é de que o edital de licitação para a construção do novo empreendimento, avaliado em R$ 34 bilhões, seja lançado pelo governo ainda este ano.
Única empresa no Brasil a operar uma indústria ferroviária, com uma fábrica em São Paulo, a Alstom é líder de mercado na área de TAV, tendo participado da construção de vários projetos no mundo, sendo os mais recentes em Marrocos e Arábia Saudita. "A experiência de mais de 30 anos da empresa na Europa e o fato de já termos uma base industrial instalada no Brasil, com mão de obra qualificada, agilizará o processo de transferência de tecnologia para a produção do trem de alta velocidade no Brasil", afirmou.
Segundo o executivo, a Alstom está preparada para atender à nova demanda que surge nessa área, com a perspectiva de lançamento de projetos como o do trem-bala e de metrô e veículos leves sobre trilhos (VLT) em capitais que se movimentam para receber os jogos da Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Para o projeto do trem-bala, o presidente da Alstom disse que a empresa irá oferecer dois tipos de produtos: o TGV Duplex, trem de dois andares, com capacidade para até mil passageiros e mais apropriado ao trânsito regional, com velocidade que pode chegar a 320 km por hora, e o AGV (automotriz de grande velocidade), para 700 passageiros e velocidade de 360 km por hora.
Por ser muito amplo, esse tipo de projeto, na opinião do executivo, envolverá riscos que deverão ser compartilhados entre o governo brasileiro e a iniciativa privada. "Especialmente os riscos de demanda, que são muito fortes no início de implantação do projeto, além dos riscos ambientais. São questões importantes que devem ser esclarecidas antes de o projeto ser colocado no mercado", comentou.
O Brasil é hoje o quinto maior mercado da Alstom no mundo. A empresa está aqui há mais de 50 anos - o país foi um dos seus primeiros investimentos no exterior - e emprega um total de 4 mil funcionários, distribuídos em três unidades : a de transportes, na Lapa, em São Paulo; a de energia, em Taubaté (SP); e a sede, também na capital paulista.
A unidade da Lapa é considerada o centro mundial de excelência na fabricação de carros em aço inoxidável. A unidade emprega mais de mil pessoas, numa área de 125 mil metros quadrados. No setor transporte, a Alstom é a única fabricante de sinalização e material rodante para transporte de passageiros - fazendo desde o projeto e fabricação de carros, sistemas de sinalização (de vias e de bordo) e centros de controle operacional até a manutenção e modernização de carros e locomotivas e o gerenciamento de projetos.
A Alstom, de acordo com Delleur, é também a única empresa que investiu sua tecnologia de ponta na América do Sul para a fabricação de soluções que podem ir do VLT (veículo leve sobre trilho) ao TGV (trem de alta velocidade), passando por trens regionais e metrôs. Um em cada dois metrôs em operação na América do Sul foi desenvolvido pela Alstom Brasil.
Além disso, a filial brasileira da empresa se tornou um importante polo de exportação, produzindo equipamentos e sistemas para grandes projetos na área de energia, como as usinas de Três Gargantas (China), La Vueltosa (Venezuela) e Ralco (Chile), entre outros, e na área de transporte, para os metrôs de Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) e Nova York (Estados Unidos).
No período de abril de 2008 a março de 2009, o faturamento da Alstom foi de R$ 1,81 bilhão, com R$ 4,17 bilhões em pedidos recebidos. Entre os contratos da empresa em andamento no Brasil, Delleur destaca a modernização do sistema de sinalização do metrô de São Paulo. "Trata-se da última geração de tecnologia em sinalização e permite que o metrô ande de maneira automática, sem a necessidade do condutor", explica. O contrato, de acordo com Delleur, é da ordem de 350 milhões de euros e será concluído até o início do próximo ano.
A Alstom também está trabalhando na implantação de um sistema de VLT em Brasília, que ligará o aeroporto da cidade até a Esplanada dos Ministérios. O governo de Brasília assinou um contrato com o consórcio Brastram, constituído pela Alstom, TC/BR, Mendes Jr. e Via, para a primeira fase do projeto do VLT. A participação da Alstom nessa etapa, segundo Delleur, é de cerca de € 140 milhões .
Delleur conta que, com a proximidade da Copa do Mundo, sentiu um aumento do interesse dos municípios brasileiros em investir nesse tipo de empreendimento. Brasília será a primeira cidade a operar um VLT, mas a Alstom já está discutindo outros projetos semelhantes com as prefeituras de Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (BH), Santos (SP), Vitória (ES) e Rio de Janeiro.
Até o momento, segundo a Alstom, 29 cidades encomendaram um total de 1.221 VLTs Citadis fabricados pela empresa. Os VLTs de Brasília serão capazes de transportar mais de 400 passageiros por veículo. A empresa calcula que os VLTs de Brasília deverão receber de 120.000 a 200.000 passageiros por dia. A Alstom também fornecerá ao projeto VLT os sistemas de energia elétrica, bem como sistemas de telecomunicações, sinalização, bilhetagem automática e o Centro de Controle Operacional.




Laboratórios:
Novartis transfere tecnologia à Funed
Carolina Mandl, do Recife02/09/2009
A Novartis anuncia hoje a transferência da tecnologia de produção da vacina contra a meningite C para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), do governo de Minas Gerais. A transação marca a entrada da multinacional suíça na fabricação de vacinas no Brasil, um negócio que ainda inclui a construção de uma indústria em Goiana (PE).
"O Brasil tem um dos melhores programas nacionais de imunização. É um país que investe, por isso interessa à Novartis produzir aqui", explica Gláucia Vespa, diretora de vacinas da Novartis. Hoje a empresa tem fábricas de vacina na Itália, nos Estados Unidos, na Alemanha e no Reino Unido.
O processo de transferência para a Funed levará cerca de cinco anos para ser concluído. Até lá, em troca da tecnologia, o governo mineiro se compromete em comprar a vacina da Novartis para imunizar a população, o que vai exigir um investimento inicial de R$ 40 milhões.
Em 2014, quase ao mesmo tempo em que o laboratório mineiro se tornará autossuficiente na fabricação de anticorpos contra a meningite C, a Novartis vai inaugurar a fábrica em Goiana, a 60 quilômetros do Recife. A unidade receberá entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões de investimentos e produzirá vacinas com a tecnologia de glicoconjugação, voltada para doenças graves e capaz de imunizar a pessoa logo após a aplicação.
Amanhã, Andrin Oswald, presidente mundial de vacinas da Novartis, lançará a pedra fundamental do empreendimento no interior pernambucano. Durante a construção, parte da mão-de-obra já estará recebendo treinamento. Gláucia contratou recentemente cinco engenheiros recém-formados. Eles vão passar de 12 a 18 meses recebendo treinamento no Brasil, Itália e Estados Unidos antes de iniciar os trabalhos em Goiana.



Estratégia: Iniciativa da Embrapa ocorre após apoio a brasileiros na disputa com Estados Unidos na OMC
Países africanos vão plantar algodão com tecnologia do Brasil
Mauro Zanatta, de Brasília31/08/2009
O Brasil começou a saldar sua dívida com os países africanos que apoiaram o processo aberto na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios pagos pelos Estados Unidos aos seus produtores de algodão. A Embrapa África e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Itamaraty, vão investir US$ 4 milhões e transferir tecnologia nacional a projetos de produção da fibra nos países do chamado "Cotton-4".
Os governos de Benin, Burkina Faso, Chade e Mali, que têm 30% das exportações atreladas ao algodão, terão apoio para tornar competitiva sua produção no mercado internacional por meio da adaptação de sementes às savanas africanas, recuperação da qualidade dos solos, introdução de técnicas de controle de pragas e doenças, além da construção de laboratórios de pesquisa e treinamento na região.
"Em 2003, quando começou a disputa na OMC, os 'Cotton-4' votaram com o Brasil contra subsídios americanos", diz o coordenador da Embrapa África, Cláudio Bragantini. "O Brasil quer aproximação política com os africanos. E a Embrapa ajuda ao aumentar a produção de alimentos e de algodão, além de abrir mercado para máquinas, equipamentos, insumos e sementes brasileiras."
A Embrapa África usará como unidade-piloto o Centro Regional de Pesquisa Agrícola de Sotuba, cidade próxima de Bamako, capital do Mali. "Os pequenos produtores começaram a deixar o algodão de lado e passaram a produzir milho, arroz e milheto para consumo próprio. A economia desses países sofreu os efeitos disso", diz Bragantini. O algodão significa, em média, 8% do PIB total no "Cotton-4".
No Mali, a área plantada recuou de 600 mil para menos de 300 mil hectares. O Benin planta 250 mil hectares e Burkina Faso, 600 mil. No Chade, onde 12% da população depende do algodão, a área é inferior aos 300 mil hectares. Nos quatro países, a produtividade beira 1 mil quilos por hectare. No Brasil, onde foram cultivados 842 mil hectares na safra passada, a média chega a 3,6 mil kg/ha - no Centro-Oeste, supera os 4 mil kg/ha.
Em julho, foram plantadas dez variedades de algodão da Embrapa e cultivares locais da África nos campos de Sotuba. A meta é selecionar as sementes mais resistentes às doenças devastadoras da cultura e mais adaptadas ao clima e ao solo locais. "É um projeto inédito conservacionista, que inclui plantas de cobertura para proteção do solo e plantio direto em associação com milho e sorgo", explica Bragantini.
O projeto de quatro anos prevê a participação de empresas privadas com forte influência do governo nos países do "Cotton-4". Os produtores receberão os insumos, a assistência técnica e terão a garantia da compra da safra para a exportação. O projeto-piloto será desenvolvido em 12 hectares. A estação de Sotuba disseminará tecnologias além dos sistemas agrícolas, como ensaios em pequenas plantadeiras de parcelas manuais ou semi-mecanizadas.
A iniciativa no "Cotton-4" também ajudará a desenvolver um projeto específico para elevar a produção de arroz no Senegal. O país africano produz apenas 20% do consumo interno total. O arroz significa 16% do déficit da balança comercial. Em três anos, a ABC deve investir US$ 1 milhão para bancar a transferência de tecnologia brasileira. A Embrapa começará a testar variedades de arroz para áreas irrigadas, terras altas e sequeiro. O projeto-piloto será feito na estação experimental de Saint-Louis, cidade do norte do país, na fronteira com a Mauritânia.
Pelo projeto, a Embrapa implantará a mecanização das lavouras com pequenos equipamentos e levará tecnologia de pós-colheita, com secadores e beneficiadoras de arroz. A Abimaq tem interesse em vender máquinas agrícolas e equipamentos para a infraestrutura das áreas experimentais. Nos testes, serão selecionadas três variedades de arroz e empresas brasileiras venderiam de 10 a 12 toneladas de sementes básicas para a multiplicação. Em seguida, será implantado um programa de produção autônomo de sementes.




Novo presidente da Embrapa define programas e diretrizes
Valor Econômico
24/07/2009 11:14
BRASÍLIA - Sob nova direção, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) fará um " ajuste fino " em sua atuação, mas não sofrerá alterações radicais. Principal referência mundial em agricultura tropical, a Embrapa terá orçamento de R$ 1,64 bilhão em 2010 e elegeu três programas tecnológicos como prioridade de pesquisa: combate ao fungo da ferrugem da soja, novas alternativas de matérias-primas para adubos e recuperação de áreas degradadas.No comando da nova etapa iniciada há duas semanas, o agrônomo geneticista Pedro Arraes, 56 anos, ratifica a opção preferencial da empresa pela indústria nacional, transferência de tecnologia à agricultura familiar e cooperação internacional com países da África. " Vamos fortalecer e defender a empresa nacional. Não queremos tomar mercado, mas temos papel fundamental no preço, na qualidade e no não monopólio " . Primo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), o novo presidente defende a biotecnologia " como ferramenta " do processo. " O que interessa é o produto final. No caso da soja da Monsanto, por exemplo, eles iam dominar o mercado. E a Embrapa garantiu a distribuição da tecnologia a várias empresas " . Pedro Arraes rejeita a disputa ideológica entre agricultura familiar e agronegócio. " Já que há uma separação em dois ministérios, temos que conviver bem " E emenda: " Temos que dar um tratamento diferente à familiar sobretudo na área de transferência de tecnologia " .Chefe da unidade Arroz e Feijão da Embrapa até então, o pesquisador carioca defende o processo de seleção que originou sua escolha. " Isso gerou maturidade institucional. Ainda pode ser aprimorado, mas trouxe ganhos à Embrapa " , resume. E defende a " desconstrução da burocracia de 35 anos " da Embrapa. " Precisamos agilizar a gestão, simplificar processos e dar mais tempo para o pesquisador dedicar-se à sua atividade-fim " . A Embrapa tem hoje 8.637 empregados, dos quais 2.116 pesquisadores, e contratará outros 800 pessoas até 2010.Pedro Arraes afirma que a estatal deve manter distância da política partidária e diz que as polêmicas geradas por questões ambientais devem ser tratadas com objetividade pela empresa. " Podemos gerar dados e estratégias, mas a questão política transcende o papel da Embrapa " . Um estudo do chefe da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Miranda, desagradou a ambientalistas e foi usado por ruralista no debate sobre a reforma do Código Florestal. " Uma imagem não é matemática porque tem a interpretação. Não se questiona números, mas até essa turbulência teve o mérito de virar a discussão para o lado técnico " . Ele defende que a Embrapa tem que " gerar indicadores, produtos e sistemas " porque " a preservação ambiental, por si só, não é nosso papel, mas do Ibama " .A " nova " Embrapa consolidará seus laboratórios no exterior (Labex) e terá foco em grandes projetos de cooperação com países africanos, como Angola, Moçambique e Gana. " Novos Labex eu vou segurar. Vamos consolidar na Coreia e atender a China. Mas o projeto de Labex vai ter uma bandeira. Faremos projetos de longo prazo com agências como a JICA [cooperação do Japão] na África para recuperar as empresas locais de pesquisa, treinar gente e ajudar as empresas brasileiras que estão lá " , afirma Pedro Arraes. " O Lula vai a Burkina Faso? Então, temos que ir lá. Mas vamos ter que selecionar porque tem uma hora que não teremos mais perna " . Arraes revela interesse em criar um Centro Internacional de Treinamento em Agricultura Tropical para auxiliar as centenas de pedidos do exterior recebidos pela empresa. Ele prevê a criação de " Labex no Brasil " para atender às demandas internas, alocando pesquisadores em instituições-chave para o agronegócio e a Embrapa, como FGV, Fiesp, Unicamp e PUCs do Rio e São Paulo.Mesmo com fortes instabilidades políticas, a " missão internacional " da empresa em países como a Venezuela, onde mantém um escritório, permanecerá. " Tem problema político? Tem, mas a Venezuela importa US$ 5 bilhões do Brasil, tem empresas brasileiras lá e dá para ganhar dinheiro ajudando as pessoas " , afirma.



LENTE
Baixa tecnologia se traduz em alto sucesso
Ele foi projetado na década de 1950, como um espião capaz de bisbilhotar instalações militares estratégicas, bem acima do alcance dos mísseis soviéticos.Pelo menos foi assim até 1960, quando os russos conseguiram abater um deles, causando um incidente internacional.Mas, apesar da sua notoriedade, o Lockheed U2 continua sendo o burro de carga do reconhecimento militar americano.Mesmo na era da vigilância por satélite e dos aviões não tripulados, esse jato desajeitado e difícil de ser pilotado sobrevive por fornecer informações essenciais do campo de batalha, disse o "New York Times". Nada mal para um avião projetado com lápis e réguas. ... .... ... ... ... .. ... ... ....





Patentes crescem 64% no país em dez anos
Relatório internacional analisou registro de patentes entre 2001 e 2010; nesse período, Europa e Japão tiveram declínio
Segundo o documento, Brasil é lento na análise dos pedidos; órgão responsável diz que tempo de espera já caiu
RAFAEL GARCIA - DE WASHINGTON
Uma análise feita pelo maior banco de dados de patentes do mundo mostra que o número desses registros no Brasil cresceu 64% entre 2001 e 2010, período em que Europa e Japão tiveram declínio de 30% e 25%.
Os números estão em um relatório baseado no DWPI (Índice Mundial Derwent de Patentes) obtido com exclusividade pela Folha.
Produzido pela Thomson Reuters (multinacional provedora de dados no setor de negócios), o documento analisou patentes solicitadas e concedidas no Brasil e invenções publicadas fora do sistema oficial enquanto aguardam confirmação.
Na década, o país teve 130 mil pedidos de registros "inovadores" segundo os critérios do DWPI. Na China, que acabou de superar os EUA e o Japão em pedidos de patentes, foram 3 milhões.
O Brasil acelerou sua inovação entre 2007 e 2010, ano em que atingiu cerca de 5.500 "invenções únicas".
Esse termo significa que o relatório atribui um só ponto a cada patente, evitando que ela seja contabilizada repetidamente ao ser solicitada, deferida e publicada.
A análise permitiu ver o Brasil como um "canteiro fértil" da inovação, nas palavras do relatório, mesmo diante de um problema crônico: a demora do Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) em concluir pedidos de registro de patentes.
"O Inpi tem 150 mil pedidos acumulados e não é incomum que a aprovação leve de oito a dez anos", diz o relatório, que vê nisso um entrave a investimentos estrangeiros. Segundo o Derwent, em países ricos a média de espera é de quatro anos.

PERFIL NACIONAL
No período entre 1997 e 2007, ocorreu uma inversão entre o perfil de solicitantes de patentes no Inpi. No início, 64% dos pedidos vinham de fora do país. No último ano, eram apenas 36%.
Esse problema é mais visível quando se observam os maiores solicitantes de patentes do país. Encabeçado pela Petrobras, o grupo dos cinco primeiros tem só empresas estatais e instituições públicas de pesquisa.
Ao todo, 27% das patentes brasileiras são de universidades, para as quais a rapidez não é tão crucial.
Apesar de criticar a lentidão do Inpi, a Thomson Reuters diz que parte da demora vem do fato de o Brasil ser seletivo ao analisar os pedidos. Enquanto na China e na Índia o índice de aprovação de patentes gira em torno de 20%, no Brasil a taxa é de 2%.
Um sinal de que a inovação brasileira está mais madura que nos outros gigantes emergentes, diz o relatório, é que as patentes registradas no Brasil deixam um "rastro" de literatura científica.
A área tecnológica que mais se destacou em patentes foi a de computação, seguindo a tendência observada em países desenvolvidos.
O relatório é otimista quando analisa a segurança contra a violação de patentes. "A infração pode ser comum no Brasil, mas há infraestrutura para aplicar as leis de propriedade intelectual."
A sensação de segurança jurídica se reflete nos pedidos de registros de marcas, que subiram 200% no período, diz a Thomson Reuters.

OUTRO LADO
Segundo Inpi, o tempo de análise de patentes já caiu de sete anos para cinco anos e quatro meses. O diretor de patentes, Julio Cesar Moreira, diz que devem ser contratados 400 pareceristas até 2015 para reduzir a espera.




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Thursday, 29 April 2010

INOVAÇÃO - GLOBONEWS + AVALIAÇÕES

Brasil é o 13º em pesquisa científica no ranking mundial - Edição 26/04/2010 - Publicado em 26/04/2010 - 23h44
Empresas investem no setor de pesquisas e geram empregos e novos mercados - Edição 27/04/2010 - Publicado em 27/04/2010 - 23h39

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Inovação Tecnológica - Apresentação dos incentivos fiscais de inovação da Lei do Bem (11.196/05).
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INPA decifra mistérios da Floresta Amazônica - O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia é uma referência mundial em biologia tropical e tem como desafio conseguir que o conhecimento ajude a mudar a realidade dos povos da floresta - Edição 30/04/2010 - Publicado em 30/04/2010 - 23h43
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Pesquisas desenvolvem a agropecuária e ajudam a preservar o meio ambiente Brasil é referência mundial neste setor. Com 200 milhões de cabeças de gado no país, o Brasil é hoje o maior produtor e exportador de carne bovina do mundo. A Embrapa desenvolve 200 projetos ligados à agropecuária, em Mato Grosso do Sul. Um dos projetos pioneiros ajuda a melhorar a alimentação do rebanho.
Em laboratório, os pesquisadores usam o nitrogênio líquido para fazer análises moleculares de uma pastagem. O que pode parecer apenas uma grande plantação de capim é um importante banco de dados. Veja em vídeo. 4ª. Edição 30/04/2010 - Publicado em 30/04/2010 - 00h10
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NBR Entrevista - Balanço Lei do Bem - Entrevista com Ronaldo Mota, Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT
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A inovação no Brasil - Parte 1 de ????? - Observatório
Nesta entrevista o professor da USP, Glauco Arbix, explica como é aferida a inovação de um país e afirma que a exportação é um elemento chave para se classificar uma economia como inovadora. Glauco Arbix destaca também a necessidade de se investir na formação de pessoas e afirma que as empresas brasileiras precisam diminuir sua hierarquização. Segundo ele, o Brasil precisa se abrir para se tornar um ambiente mais amigável à inovação. Fonte: TV Senado
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Inovação 1 de 3
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Multinacionais americanas investiram US$ 570 milhões em 2007.
Brasil na rota global de P&DPor Ricardo Camargo Mendes30/04/2010
Para o National Science Board (NSB), o Brasil é um dos 15 maiores investidores em P&D
Nas últimas duas décadas, o mundo assiste ao redesenho do mapa de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I). Nesse processo, está diminuindo a concentração dos recursos aplicados nos e pelos países desenvolvidos, e aumentado os registrados nas economias em desenvolvimento. No entanto, há diferenças relevantes nesse último grupo, chamando a atenção para a necessidade de aplicação, pelo Brasil, de uma estratégia para fazer o melhor proveito possível do movimento em curso.
Tal movimento deve-se a diversos fatores, sendo um dos principais a inclusão de P&D&I nas políticas de desenvolvimento de vários países. Para incentivar a produção do conhecimento que é capaz de se transformar em bem ou serviço de maior tecnologia e valor agregado, esses países adotaram medidas em diferentes áreas. E empresas inovadoras que procuram reduzir custos e acessar novos processos de pesquisa não tardaram a reconhecer, nessas economias, oportunidades de investimento.
O Science and Engineering Indicators 2010 do National Science Board (NSB), dos Estados Unidos, mostra a descentralização em P&D. Em 2007, América do Norte e União Europeia respondiam por 63% do US$ 1,1 trilhão em investimentos mundiais nessa área, ante 71% em 1996. O principal ganho foi da Ásia/Pacífico, que subiu de 24% para 31%, em boa parte devido à China e tigres asiáticos. A fatia do resto do mundo subiu de 5% para 6% (2,6% são da América Latina e Caribe).
As multinacionais dos EUA são outro indicador importante. Em 1995, cerca de 90% dos investimentos em P&D de suas afiliadas (mais de 50% de capital dos EUA) foram em países europeus desenvolvidos, Canadá e Japão. Em 2006 foram 80%. Enquanto isso, as filiais na China, Coreia do Sul e Cingapura puxaram a participação da Ásia, excluído o Japão, de 5,4% para 13,5%. China e Índia, que em 1994 respondiam por menos de US$ 10 milhões cada, passaram a contar com US$ 800 milhões e US$ 310 milhões, respectivamente. No Brasil foram US$ 570 milhões, a maioria no setor automobilístico.
Para o NSB, o Brasil é um dos 15 maiores investidores em P&D. De fato houve um salto no país, que também identificou nessa área chances de acelerar seu desenvolvimento. Segundo o governo, os dispêndios em P&D passaram de US$ 6,64 bilhões (1,3% do PIB) em 2000, para US$ 20 bilhões (1,43% do PIB) em 2008. Isso reflete ações como as leis de patentes (1996), que foi um divisor de águas em P&D, a da Inovação (2004), a Política de Desenvolvimento Produtivo (2008), a criação de órgãos como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a reestruturação de outros como o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Reflete também a liberação de recursos do governo e investimentos do setor privado. Com isso tudo, áreas de destaque global estão surgindo, incluindo a de saúde e biotecnologia, além da consolidação de outras, como a de tecnologia verde e de exploração petrolífera. Isso se comprova ainda pelos temas predominantes nos artigos brasileiros em publicações indexadas.
O que esses e muitos outros dados demonstram, portanto, é que o Brasil responde aos estímulos para gerar e exportar conhecimento produtivo. Mas o país deve agora avaliar os resultados obtidos desde a implantação da lei de patentes e estabelecer diretrizes para o futuro. Ainda há tempo para correções de percurso, evitando que fiquemos para trás na corrida global do conhecimento.
As travas à maior competitividade que já podem ser identificadas têm solução. Um exemplo: falta uma estratégia que coordene as ações dos atores envolvidos em P&D&I dentro e fora do governo, o que é possível de ser feito. Isso resolveria outras questões, como o temor de algumas empresas de usar a lei da Inovação para desoneração de impostos. Como a definição de inovação na lei é ampla, teme-se que o fisco não aceite a aplicação feita. Outro exemplo são incertezas referentes à proteção da propriedade intelectual, causadas em grande parte devido ao posicionamento adotado pelo Brasil em fóruns internacionais.
Há espaço para incrementar a parceria empresas/universidades, reconhecida internacionalmente como produtiva. A parceria cresceu, mas continua em nível que impede que boa parte da produção dos cientistas atinja o mercado. A co-operação entre países - como entre governo/governo, governo/empresa, empresa/empresa, universidade/universidade e empresa/universidade - também deve ser estimulada.
Os financiamentos para P&D aumentaram, porém é necessário mais, porque os inovadores lidam com investimentos elevados e de alto risco. Os investimentos em inovação pelas filiais dos EUA no Brasil mostram áreas ainda pouco exploradas e que podem ser atrativas, como a de serviços científicos e a indústria farmacêutica.
Outro ponto crucial é educação. Nossas universidades são um foco importante de produção científica. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) diz que em 2006, os Bric (Brasil, Índia, Rússia e China) formavam 50% mais doutorandos que a OCDE. Mas outros dados nessa área mostram diferenças. Segundo o NSB, de 1980 a 2000, a fatia de China de pessoas com terceiro grau passou de 5% para 11% do total mundial. O da Índia subiu de 4% para 8%. O Brasil ficou estagnado em 2%.
O Brasil está amadurecendo rapidamente em P&D&I e por isso deve ter uma estratégia para utilizar melhor suas capacidades competitivas. O mais preocupante é que estamos perdendo terreno em diversos aspectos para vários asiáticos. Poucas são as economias em desenvolvimento com atrativos como a nossa - como estabilidade econômica e política, segurança nas regras de propriedade intelectual e presença de empresas multinacionais no mercado há mais de cem anos. Por isso, aqui dentro é preciso equacionar os gargalos para a inovação e, no exterior, é fundamental promover esses ativos.
Ricardo Camargo Mendes é mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Cambridge e sócio-diretor da Prospectiva Consultoria em Negócios Internacionais.
The 2010 Technology and Innovation Report - Enhancing Food Security in Africa Through Science, Technology and Innovation - focuses on the challenges of improving agricultural performance in Africa and the role of technology and innovation in raising agricultural production and incomes of all farmers, including smallholder farms. The report argues that the main challenge is to strengthen the innovation capabilities of African agricultural systems as a means of addressing poverty, improving food security and achieving broader economic growth and development.
Technological innovation is not all composed of radical discoveries, and much of what is relevant to African agriculture relates to the ways incremental improvements in processes, products, inputs, or equipments are needed to adapt existing technologies to the local environment in ways that enhance productivity and lower costs. Such knowledge may come through learning, research or experience, but requires certain technological capabilities in order to be applied in the production of products across sectors, including agriculture. From this perspective, the Report covers the following matters: .. .... .... ..... ....
DU Qunyang - Zhejiang University of Technology, P.R.China, 310000
.......
COM NOTAS TÉCNICAS:





POLÍTICA CIENTÍFICA



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Para a "Science", ciência do Brasil vai bem, mas é desigual
Folha de São Paulo, 02dez2010
 DE SÃO PAULO - Para a revista científica americana "Science", uma das mais importantes do mundo, o Brasil já vê a ciência como estratégica para o desenvolvimento, mas ainda precisa vencer a desigualdade entre regiões.
Em artigo analítico, a publicação afirma que o país já faz "big science" (ciência cara e de grande porte), como no caso dos transgênicos.
Mas os maiores gastos e os resultados da ciência brasileira ficam concentrados na região Sudeste do país.
Outras pedras no caminho da ciência nacional apontadas pela publicação são o pouco empreendedorismo dos cientistas brasileiros e o distanciamento do setor privado.
Leia reportagem sobre o tema na íntegra no endereço
folha.com/ciencia

Ciência Brasileira

No curto intervalo de duas décadas, entre 1981 e 2000, o Brasil passou da 28ª para 17ª posição no ranking mundial de produção de ciência. Os dados, relativos à elaboração de artigos científicos, são do Institute for Scientific Information (ISI), entidade de reconhecido prestígio em bibliometria.
Nesta posição, o Brasil está à frente da Bélgica, Escócia e Israel, entre outros, e bem próximo da Coréia do Sul, Suíça, Suécia, Índia e Holanda.
O avanço da pesquisa científica brasileira, apesar de dificuldades históricas que ainda permanecem, resulta de iniciativas tomadas há meio século, especialmente com a constituição do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal agência nacional de fomento.
Nos anos 60, além da criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), também foram implantados vários cursos de pós-graduação destinados à formação de novos pesquisadores. Desde então, novas agências estaduais de apoio à pesquisa foram instaladas e fortalecidas. E, em meados dos anos 80, a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia enfatizou a política científica e definiu áreas estratégicas para investimento e apoio.
Entre as dificuldades que ainda emperram o desenvolvimento da ciência no Brasil estão a concentração das investigações em universidades e institutos públicos, com uma contrapartida pouco significativa da iniciativa privada, além do fluxo irregular de recursos financeiros.
Os cenários mais recentes, no entanto, acenam com perspectivas promissoras em relação a estas limitações. Empresas privadas estão se dando conta de novas perspectivas de negócios envolvendo pesquisa, desenvolvimento e aplicação. Do lado dos financiamentos públicos, os fundos setoriais – percentual de recursos obtidos com atividades como exploração de petróleo e energia elétrica, entre outros – devem ampliar sensivelmente os financiamentos destinados à pesquisa científica.
Por incrível que pareça, um novo desafio do Brasil é incorporar sua grande quantidade de doutores no mercado de trabalho. Um expediente usado até agora vem sendo a concessão de bolsas de pesquisa. Mas essa é uma situação improvisada que não pode continuar. As universidade públicas dispõem de cerca de 6 mil vagas, das quais apenas 2 mil deverão ser preenchidas no curto prazo. O país precisa dessa mão-de-obra altamente qualificada. Para que ela tenha um horizonte profissional é necessária maior audácia da iniciativa privada.
O Fundo Verde Amarelo vai financiar a formação de recursos humanos, área em que o Brasil vem tendo progresso significativo. Os dados relativos a 2002 estimam em 110 mil o contingente de estudantes em cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado). Ao longo do ano 2000, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foram formados 5.344 novos doutores. Em 2001, este número subiu para 6.300. Os mestres, que foram 18.374 em 2000, superaram os 20 mil no ano passado.

Astronomia, biotecnologia, física, medicina e pesquisa agrícola são alguns dos segmentos com desenvolvimento acelerado, projetando o país no cenário internacional. No entanto, outras áreas, como a matemática, de que parte destas pesquisas dependem, ainda não dispõem da quantidade desejável de pesquisadores.
Enquanto comemora conquistas recentes em genômica e ingressa no novíssimo campo da proteômica, o Brasil faz planos para desenvolver, rapidamente, também o segmento da nanotecnologia.
Existe uma demanda não atendida de ensino superior no Brasil, mas esta situação vem mudando. Em 1981, perto de 1,4 milhão de estudantes estavam matriculados nas redes pública e privada de ensino superior. Em 1994, este número subiu para 1,7 milhão e, em 1999, passou para 2,4 milhões. Apenas entre 1994 e 1999, houve um crescimento de 58,1% nos números do ensino privado. O cenário atual prevê um ligeiro e crescente aumento de pesquisas na rede privada, com a incorporação de doutores aposentados precocemente do setor público.



01 de dezembro de 2010

Ministro lança livro sobre história da ciência e tecnologia no Brasil
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, publica pela Vieira & Lent o livro “Momentos da Ciência e Tecnologia no Brasil - Uma caminhada de 40 anos pela C&T”. Uma reunião de 70 artigos mostra os principais caminhos, erros e acertos da história da política científica brasileira. Sergio Rezende analisa os desdobramentos da implementação do PAC da Ciência na pesquisa científica e tecnológica do Brasil.

Simplificar os processos de importação de insumos e aumentar as bolsas de pesquisadores foram algumas medidas do MCT durante sua gestão. Segundo o presidente Lula, na apresentação do livro, Sergio é um cientista comprometido e de posições firmes quando os interesses da ciência e da soberania estão ameaçados.



SCIENTIFIC AMERICAN Brasil
edição 103 - Dezembro 2010
Manifesto da Ciência Tropical


Um novo paradigma para o uso democrático da ciência como agente efetivo de transformação social e econômica no Brasil
por Miguel Nicolelis.É hora de a ciência brasileira assumir definitivamente um compromisso mais central perante toda a sociedade e oferecer o seu poder criativo e capacidade de inovação para erradicar a miséria, revolucionar a educação e construir uma sociedade justa e verdadeiramente inclusiva.
No intuito de contribuir para o início desse processo de libertação da energia potencial de criação e inovação acumulada há séculos no capital humano do genoma brasileiro, estamos propondo 15 metas centrais para a capacitação do Programa Brasileiro de Ciência Tropical. Essas 15 metas visam a desencadear a massificação e a democratização dos meios e mecanismos de geração, disseminação, consumo e comercialização de conhecimento de ponta por todo o Brasil.
Metas:
1) Massificação da educação científica infanto-juvenil por todo o território nacional.
O objetivo é proporcionar que, nos próximos 4 anos, 1 milhão de crianças tenham acesso a um programa de educação científica pública, protagonista e cidadã de alto nível. Esse programa utilizará o método científico como ferramenta pedagógica essencial, combinando a filosofia de vida de dois grandes brasileiros: Paulo Freire e Alberto Santos Dumont.
2) Criação de centros nacionais de formação de professores de Ciência.
A implementação do Programa Educação para Toda Vida geraria uma demanda inédita para professores especializados no ensino de ciência e tecnologia. Para supri-la, o governo federal poderia estabelecer o Programa Nacional de Educação Científica Alberto Santos Dumont, que seria o responsável pela gestão dos centros nacionais de formação de professores de ciências, espalhados por todo território nacional. As universidades federais, os Institutos Federais de Tecnologia (antigos CEFETs) e uma futura cadeia de Institutos Brasileiros de Tecnologia poderiam estabelecer programas de formação de professores de ciências e tecnologia em todo o país.
3) Criação da carreira de pesquisador científico em tempo integral nas universidades federais.
Seria em paralelo à tradicional carreira de docente. Ela nos permitiria recrutar uma nova geração de cientistas que se dedicaria exclusivamente à pesquisa científica, com carga horária de aulas correspondente a 10% do seu esforço total. Sem essa mudança não há como esperar que pesquisadores das universidades federais possam dar o salto científico qualitativo necessário para o desenvolvimento da ciência de ponta do país.
4) Criação de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia espalhados pelo país.
Eles serviriam para suprir a demanda de engenheiros, tecnólogos e cientistas de alto nível e promover a inclusão social por meio do desenvolvimento da indústria brasileira do conhecimento. Atualmente o Brasil apresenta um déficit imenso desses profissionais.
5) Criação de 16 Cidades da Ciência.
Localizadas nas regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, como o Vale do Ribeira, Jequitinhonha, interior do Nordeste, Amazônia, as Cidades da Ciência ficariam no entorno dos novos IBTs. As Cidades da Ciência seriam, na prática, o componente final da nova cadeia de produção do conhecimento de ponta no Brasil. Acopladas aos novos IBTs e à rede de universidades federais, criariam o ambiente necessário para a transformação do conhecimento de ponta, gerados por cientistas brasileiros, em tecnologias e produtos de alto valor agregado que dariam sustentação à indústria brasileira do conhecimento.
6) Criação de um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia.
Esse verdadeiro cinturão de defesa, formado por um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia, seriam dispostas em paralelo ao chamado “Arco de Fogo”, formado em decorrência do agronegócio predatório e da indústria madeireira ilegal, responsáveis pelo desmatamento da região. Essa iniciativa visa fincar uma linha de defesa permanente contra o avanço do desmatamento ilegal, modificando a estratégia das unidades de conservação a fim de colocá-las a serviço de um Programa Nacional de Mapeamento dos Biomas Brasileiros.
7) Criação de oito “Cidades Marítimas” ao longo da costa brasileira.
A descoberta do pré-sal demonstra claramente que uma das maiores fontes potenciais de riqueza futura da sociedade brasileira reside no vasto e diverso bioma marítimo da nossa costa. Apesar disso, os esforços nacionais para estudo científico desse vasto ambiente são muito incipientes. Aqui também o Brasil pode inovar de forma revolucionária. Em parceria com a Petrobras, o governo federal poderia estabelecer, no limite das 350 milhas marinhas, oito plataformas voltadas para a pesquisa oceanográfica e climática, visando o mapeamento das riquezas no mar tropical brasileiro.
8) Retomada e Expansão do Programa Espacial Brasileiro.

Embora subestimado pela sociedade e a mídia brasileiras, o fortalecimento do programa espacial brasileiro oferece outro exemplo emblemático de como o futuro do desenvolvimento científico no Brasil é questão de soberania nacional.
Dos países pertencentes ao BRIC, o Brasil é o que possui o mais tímido e subdesenvolvido programa espacial. Apesar da sua situação geográfica altamente favorável, a Base de Alcântara não tem correspondido às altas expectativas geradas com a sua construção.
9) Criação de um Programa Nacional de Iniciação Científica.
Com a criação do programa Educação para Toda Vida, seria necessário implementar novas ferramentas para que os adolescentes egressos desses programas pudessem dar vazão a seus anseios de criação, invenção e inovação através da continuidade do processo de educação científica, mesmo antes do ingresso na universidade e depois dele.
Na realidade, é extremamente factível que grande número desses jovens possa começar a contribuir efetivamente para o processo de geração de conhecimento de ponta antes do ingresso na universidade.
10) Investimento de 4-5% do PIB em ações de ciência e tecnologia na próxima década.
Tendo proposto novas ações, é fundamental que essas sejam devidamente financiadas. Para tanto e, ainda, para assegurar a ascensão da ciência brasileira aos patamares de excelência dos países líderes mundiais, o governo brasileiro teria de tomar a decisão estratégica de destinar, nas próximas décadas, algo em torno de 4-5% do PIB nacional para a ciência e tecnologia.
11) Reorganização das agências federais de fomento à pesquisa.
Reformulação de normas de procedimento e processo para agilizar a distribuição eficiente de recursos ao pesquisador e empreendedor científico, bem como criar um novo modelo de gestão e prestação de contas. A ciência e o cientista brasileiro não podem mais ser regidos pelas mesmas normas de 30-40 anos atrás, utilizadas na prestação de contas de recursos públicos para construção de rodovias e hidrelétricas.
12) Criação de “joint ventures” para produção de insumos e materiais de consumo para prática científica dentro do Brasil.
É fundamental investir numa redução verdadeira dos trâmites burocráticos “medievais” que ainda existem para aquisição de materiais de consumo e equipamentos de pesquisa importados. Para tanto, é importante definir políticas de incentivo ao estabelecimento de empresas nacionais dispostas a suprir o mercado nacional com insumos e equipamentos científicos.
13) Criação do Banco do Cérebro.
Instituição financeira destinada a implementar vários mecanismos financeiros para fomento do empreendedorismo científico nacional. Essas ferramentas financeiras incluiriam desde programa de microcrédito científico até formas de financiamento de novas empresas nacionais voltadas para produtos de alto valor agregado, fundamentais ao desenvolvimento da ciência brasileira e da economia do conhecimento.
14) Ampliação e incentivo a Bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado dentro e fora do Brasil.
Novamente, a proposta da Ciência Tropical é, antes de tudo, uma nova proposta para o desenvolvimento de excelência na prática da pesquisa e educação científica. Dessa forma, ela tem de incentivar todas as formas que permitam aos melhores e mais promissores cientistas brasileiros complementarem sua formação fora do território nacional. Como bem disse a presidente-eleita Dilma Rousseff durante a campanha: “O Brasil precisa de seus cientistas porque eles iluminam o nosso país”.
15) Recrutamento de pesquisadores e professores estrangeiros dispostos a se radicar no Brasil.
Com a crise financeira, verdadeiros exércitos de cientistas americanos e europeus estarão procurando novas posições nos próximos anos. Cabe ao Brasil tirar vantagem dessa situação e passar a ser um importador de cérebros e não um exportador de talentos. Historicamente, a academia brasileira tem inúmeros exemplos excepcionais de pesquisadores estrangeiros de alto nível que alavancaram grandes avanços científicos no Brasil. O Programa Brasileiro de Ciência Tropical só teria a ganhar com uma política mais abrangente, audaciosa e sistêmica de importação de talentos.
Miguel Nicolelis é professor de neurobiologia da Universidade Duke e coordenador do Projeto do Instituto Internacional de Neurociência de Natal (IINN).





Espaço livre para a inovação
Reportagem de capa: Num movimento inédito, cada vez mais empresas incluem o Brasil nas estratégias de pesquisa e desenvolvimento
Por Talita Moreira
De São Paulo
10/12/2010 VALOR ECONÔMICO texto grande




Para analistas, inovação segue em passo lento

Autor(es): Chico Santos | Do Rio Valor Econômico - 05/01/2011
Tem razão o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, ao conclamar, no seu discurso de posse, as empresas brasileiras a investir "muito mais" em inovação. Enquanto isso não ocorrer, é mera retórica esperar que o país supere o nível de uma economia medianamente industrializada e de baixa intensidade tecnológica. Essa é a única unanimidade entre acadêmicos, analistas, instituições e órgãos de governo.
Os resultados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) referentes a 2008, recentemente divulgados pelo IBGE, foram recebidos com decepção ou reservas por parte de analistas de fora e até de setores ligados ao Estado. BNDES e Finep, principais responsáveis pelo fomento à inovação no país, viram avanços. A Pintec 2008 é o retrato mais recente e completo do estágio em que se encontra o Brasil na área da inovação.
Apesar de a taxa de inovação na indústria (percentual que representa o total de indústrias ouvidas dividido pelo total das que disseram ter introduzido pelo menos uma inovação) ter passado de 33,4% em 2005 para 38,1% em 2008, o economista David Kupfer, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos principais estudiosos da evolução industrial do país, constatou que quando visto mais de perto, com lupa, o resultado não é tão auspicioso quanto possa parecer. Ele constatou que das 100,5 mil indústrias pesquisadas, apenas 4,2% realizaram atividades internas de pesquisa e desenvolvimento em 2008, ante 5,6% na Pintec de 2005. O dado é o principal indicador do esforço inovativo feito pelas empresas industriais.
"Eu gosto de ver mais as variáveis de esforço do que de resultado", disse Kupfer, que escreveu artigo no Valoranalisando os números. Ressalvando a necessidade de que seja feito um mergulho mais profundo nos números da Pintec, ele alinhou outros dados que, na sua opinião, corroboram sua relativa decepção. Sempre comparando 2008 com 2005, os gastos da indústria de transformação com pesquisa e desenvolvimento (P&D) caíram de 2,8% para 2,6% do faturamento. A proporção de pessoas ligadas a atividades de P&D em relação ao pessoal total caiu de 0,80% para 0,69%, e o número de mestres e doutores aumentou apenas de 4.280 para 4.340 em três anos.
Em análise da Pintec publicada na última edição do boletim "Radar", do Ipea, os pesquisadores Luiz Ricardo Cavalcante e Fernanda De Negri mostram pontos de concordância com Kupfer. "Embora bastante intuitiva e passível de comparações internacionais, a taxa de inovação é um indicador limitado pelas dificuldades metodológicas associadas à própria aferição da inovação e por sua dependência de fatores como a estrutura de mercado", dizem os analistas.
Para deixar claro o que significa essa relação com a estrutura do mercado eles afirmam que se, hipoteticamente, em um universo de três empresas duas disserem que inovaram, a taxa de inovação é de 67%. Mas se elas se fundirem, buscando aumentar suas escalas de P&D, o universo da pesquisa passa a ser de duas empresas e a taxa de inovação cai para 50%.
Os técnicos ressaltam a constatação feita por Kupfer de que a percentagem de empresas que realizaram esforços internos de P&D encolheu de 5,6% para 4,2%, destacando que a queda foi sistemática ao longo das quatro edições trianuais da Pintec. Na versão 1998-2000 o número era 10,29%, caindo para 5,86% na de 2001-2003 e aprofundando a queda nas versões de 2003-2005 e 2006-2008.
Segundo a análise dos técnicos do Ipea, é "pouco provável" que em 2010 tenha sido alcançada a meta estipulada pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) de que os gastos empresariais com P&D chegassem a 0,65% do Produto Interno Bruto (PIB). A conclusão é baseada no avanço obtido no período de 2005 a 2008.
De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a Pintec mostrou um crescimento de 10%, com o total dos gastos empresariais na área passando de 0,49% para 0,54% do PIB. Os analistas do Ipea compararam o avanço brasileiro com o de outros países e concluíram que o esforço brasileiro, embora expressivo, está sendo muito pequeno quando considerada a necessidade que o país tem de investir para reduzir o fosso tecnológico entre ele e os países que estão na fronteira tecnológica.
Os 10% de avanço brasileiro em relação a 2005 foram inferiores aos 12% dos Estados Unidos, aos 21% da China, aos 23% da Espanha, e aos incríveis 145% de Portugal, onde a taxa de investimento das empresas em P&D passou de 0,31% para 0,76% do PIB. Com base nos dados analisados, os técnicos do Ipea calculam que aumentando os investimentos no ritmo atual o Brasil precisaria de 20 anos para chegar aos níveis europeus.
Para Kupfer, a decepção veio também por conta da falta de resultados mais expressivos em um período no qual a economia brasileira cresceu em ritmo mais acelerado. De 2006 a 2008 o PIB brasileiro expandiu-se a uma média anual de 5,1%. "Parece que a indústria brasileira não investe em inovação na fase ruim porque está ruim e também não investe na fartura porque está farto", provocou.
Na sua visão, as grandes empresas internacionais tendem a introduzir no Brasil inovações disponíveis no grupo, investindo aqui mais no "D" de desenvolvimento do que em P&D. Segundo ele, a indústria farmacêutica mundial investe de 10% a 15% do faturamento em P&D, enquanto o esforço interno no Brasil não passa de 0,8%. "É igual à indústria gráfica, que é o que a indústria farmacêutica acaba sendo no Brasil", provoca. Kupfer, um dos autores do célebre "Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira" de 1993 (coordenado por Luciano Coutinho e João Carlos Ferraz), ressalta a necessidade de aprofundar o exame setorial dos dados da Pintec.
A Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) não quis se pronunciar. O gerente-técnico-regulatório da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Henrique Tada, disse que, embora as múltis invistam mais, os laboratórios nacionais já "assimilaram a ideia de que é preciso inovar" e vêm investindo de forma crescente em medicamentos. Segundo ele, o Encontro Nacional de Inovação em Fármacos e Medicamentos, que vai para a quinta edição este ano, tem sido um evento cada vez mais concorrido, refletindo o crescimento do esforço inovador da indústria.

Presidente da Finep vê crescimento expressivo

 Valor Econômico - 05/01/2011
O presidente da Finep, Luiz Fernandes, considera que o economista David Kupfer está "excessivamente pessimista, inclusive com os dados". Ele disse que a próprio crescimento da taxa de inovação na indústria para 38,1% "não é desprezível", considerando que essa taxa "estava estagnada na casa dos 33% até 2005". "São 9 mil empresas a mais que inovaram", ressalta.
Fernandes destacou também, no que toca ao esforço de pesquisa, o aumento de 0,57% para 0,62% do percentual do faturamento das indústrias destinado a pesquisa e desenvolvimento (P&D). Outro dado positivo destacado pelo dirigente da principal agência de fomento à pesquisa tecnológica do Brasil foi o fato de ter passado de 18,8% para 22,3% o percentual de empresas inovadoras que utilizaram pelo menos um mecanismo de apoio governamental.
Quanto ao compartilhamento do risco, ele entende que os mecanismos de apoio do Estado têm esse viés, principalmente a subvenção econômica (recursos a fundo perdido) que a Finep passou a conceder a empresas selecionadas a partir de 2007 e que está no seu quarto edital. "A subvenção encoraja a inovar. Se não houver resultado, a empresa não precisa perder dinheiro. Isso é compartilhar risco", disse. Fernandes resume assim o quadro que viu dos números da Pintec: "Precisamos melhorar muito, mas ficamos satisfeitos em ver uma evolução na direção correta".
Também o BNDES, que nos últimos anos aumentou muito sua participação nos mecanismos de apoio estatal à inovação, considera que a leitura da Pintec feita pelos analistas precisa ser ponderada, mesmo admitindo que há um longo caminho a percorrer. Para Claudio Leal, superintendente de planejamento do banco, o período de 2006 a 2008 compreendido pela última pesquisa do IBGE "não é capaz de captar" os resultados dos diversos mecanismos de apoio à pesquisa e desenvolvimento e à inovação no Brasil.
"Estamos com a Finep, há um processo positivo", disse, ressaltando que esse aspecto positivo existe mesmo quando o avanço é obtido só com a compra de máquinas e equipamentos mais modernos.
Ele destacou o crescimento do interesse de empresas estrangeiras de instalarem centros de pesquisas no país, especialmente na área de petróleo, e o aumento da disponibilidade de financiamento, liberando a empresa de usar recursos próprios para inovar.
Somente o BNDES possui hoje 15 mecanismos de fomento voltados para a inovação. No conjunto, eles desembolsaram R$ 563 milhões em 2009, no total de 156 projetos, saltando para R$ 999 milhões em 217 projetos, de janeiro a outubro de 2010.
O relatório anual de utilização dos incentivos fiscais da chamada Lei do Bem (nº 11.196/2005) referente a 2009, recentemente divulgado pelo MCT, também reflete o clima de otimismo, com ressalvas, existente no governo quanto aos avanços do país em P&D e inovação.
O trabalho mostra que o total de empresas habilitadas a utilizar os incentivos tem crescido ano a ano. Foi de 130 em 2006 para 300 em 2007, 460 em 2008, e 542 em 2009. Apesar do crescimento em número, o total investido em P&D pelas empresas habilitadas a usar a Lei do Bem, R$ 8,33 bilhões, foi 5% menor do que o do ano anterior, fato atribuído aos efeitos da crise econômica internacional. A renúncia fiscal do governo foi de R$ 1,32 bilhão.
Nas suas conclusões, o trabalho do MCT também destaca a necessidade de uma evolução maior. Considerando que o total de empresas beneficiárias dos incentivos fiscais da Lei do Bem corresponde a 14,5% do total de empresas que investiram em P&D no Brasil (dados da Pintec 2008), o ministério diz que "a participação do empresariado brasileiro nos investimentos em P&D ainda é bastante tímida".
"Essa situação não é compatível com o atual sistema de educação e de ciência e tecnologia do Brasil, o que tem provocado um descompasso entre a tênue geração de inovação das empresas brasileiras e a alta competência técnico-científica das nossas universidades", diz o trabalho, corroborando, de certa forma, o economista David Kupfer quando diz, aplaudindo a Lei do Bem: "Não estamos na direção errada, mas ainda temos muito que andar".

Números escondem uma realidade ainda pior, diz Protec

 Autor(es): Chico Santos e Heloisa Magalhães | Do Rio Valor Econômico - 05/01/2011
O presidente da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), Roberto Nicolsky, é mais radical do que David Kupfer ao criticar o comportamento da indústria brasileira no quesito inovação. Para ele, o resultado da Pintec esconde uma realidade ainda pior.
"A Pintec confunde inovação com modernização." Para Nicolsky, o crescimento da taxa de inovação expresso na pesquisa do IBGE decorre da compra de máquinas mais modernas pelas empresas. "Elas não inovam. Compram um equipamento mais moderno com inovação incorporada", disse.
Nicolsky acha que no Brasil os estudantes querem ser inventores ao estilo professor Pardal, o famoso personagem de Walt Disney, sempre debruçado sobre uma revolucionária descoberta científica. "Os estudantes querem fazer ciência e só vão para as empresas como prêmio de consolação", afirmou.
Para ele, que durante muito tempo trabalhou em empresas, o próprio sistema de incentivos, começando pelas subvenções da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é mais voltado para a academia. A maior prova, segundo Nicolsky, foi que quando o edital de subvenções de 2010 introduziu exigências que bloqueavam o acesso a empresas de origem acadêmica, houve forte redução no número de interessados.
O presidente da Protec considera que inovação é algo bem mais simples do que a busca por inventos mirabolantes. "É melhorar de alguma forma o seu produto ou o seu processo para tornar o produto melhor e mais barato", resume. Tanto Nicolsky como Kupfer consideram que está faltando no sistema de incentivos brasileiros mais estímulo para que as empresas assumam o risco, que é alto, de pesquisar. A concessão de financiamentos, mesmo baratos, por exemplo, seria um caminho pouco produtivo, a não ser que acompanhada de mecanismos de compartilhamento da possibilidade grande de fracasso inerente a toda pesquisa.
O economista Antonio Barros de Castro, também professor da UFRJ, ex-presidente do BNDES, reconhece que entre os estudiosos da temática da indústria no Brasil "ninguém se entusiasmou" com o resultado da Pintec. Segundo ele, o mais impressionante é que na 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada em maio deste ano, "ficou evidente que o Brasil vem acumulando forças para um possível desejado ingresso na economia do conhecimento".
Entre os sinais desses esforços, ele enumerou o aumento da verba do MCT "de US$ 600 milhões para US$ 2 bilhões em uma década" e a multiplicação de órgãos, tanto na esfera federal como na estadual e na municipal, voltados para o incentivo à busca da inovação. "Sessenta por cento dos gastos com inovação na América Latina vêm do Brasil", resume Castro, que acrescenta: "Os resultados, porém, são bastante modestos". Ele acha que o furacão China inibe o apetite inovador do empresário e sugere, como vem fazendo há muito tempo, que o Brasil busque adensar as cadeias produtivas em áreas nas quais pode ser líder, como o petróleo em águas profundas e o etanol.

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A desindustrialização e o aumento da inovação
Luís Felipe Giesteira VALOR 27/01/2011 contraponto a Kupfer
A política de inovação tecnológica e sua articulação com uma política industrial, acelerariam eficiência econômica
Depois de longa estagnação, o número de empresas inovadoras aumentou.
A quarta Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec) foi alvissareira para os responsáveis pela política de inovação tecnológica brasileira. Ao mesmo tempo trouxe dilemas instigantes, cuja elucidação determinará avanços adicionais.

Depois de renitentes sinais de ineficácia dos esforços que o governo federal e os estaduais vinham realizando desde 1999 para incrementar o esforço tecnológico das firmas brasileiras - e assim aproximá-las dos padrões competitivos típicos dos países desenvolvidos -, sólidos indicadores de avanços foram logrados. Curiosamente, esses avanços se dão em um momento em que crescem as evidências de decadência relativa da indústria de transformação, tanto no que refere a sua importância na economia quanto a sua força frente à concorrência externa.
O patamar de firmas inovadoras atingiu 38,6% (38,4% apenas nas atividades manufatureiras), contra perto de um terço nas Pintecs anteriores e 39% na média da União Europeia. O aumento significativo na proporção de firmas que inovaram em relação a todo mercado nacional, de 5,38% (4,97% entre as manufatureiras) para 6,80% (6,47%) do total, faz esse resultado ainda mais notável.
Coerentemente, o gasto empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D), expresso como proporção da receita líquida de vendas, passou de 0,85% para 0,93% (0,66% para 0,75% na indústria de transformação). Pode-se utilizar essas informações para traçar comparações mais ilustrativas, já que o mais frequente internacionalmente é utilizar a relação entre P&D e Produto Interno Bruto (PIB).
Cruzando-as com as contas nacionais, pode-se estimar o P&D empresarial não universitário em 0,58% do PIB brasileiro de 2008. Como o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) calcula que outros 0,03% sejam realizados por empresas não compreendidas pela Pintec, é bastante provável que o setor empresarial brasileiro tenha se aproximado da marca cabalística de mais de 50% do P&D realizado no país, já que o total do P&D público atingiu 0,58% do PIB em 2008.
Sucesso criativo está concentrado em poucos setores, química pesada, inclusive refino de petróleo, e transporte
Ademais, ao perfazer algo como 1,19% do PIB (o Ministério estima 1,24% em 2009), o Brasil afasta-se significativamente do patamar típico de países industrialmente frágeis, os quais muito raramente ultrapassam 1%, enquanto países avançados como a Itália, Espanha, Canadá e Noruega se situam pouco acima ou abaixo de 1,5%. Na verdade, apenas China e Brasil o fazem de fato (na medida em que a Rússia tem seu dado fortemente enviesado pelo seu relevante mas atípico esforço militar), já que Índia, Turquia e África do Sul gastam 0,84% do PIB em P&D e os países hispano-americanos mais desenvolvidos gastam pouco mais de 0,5%.
O que explicaria que, depois de um longo período de estagnação dos principais indicadores de arrojo tecnológico empresarial, finalmente tenhamos avançado? Em primeiro lugar, a significativa aceleração do crescimento econômico, a qual costuma estimular a inovação, sobretudo quando acompanhada de melhora das perspectivas a longo prazo e de aumento do investimento. Em segundo lugar, o veloz aumento da intensidade da política nacional de indução ao esforço tecnológico, recentemente avaliada como a segunda mais arrojada entre os países ocidentais. Por outro lado, é paradoxal o fato de que vem se assistindo a uma deterioração significativa e acelerada da competitividade da indústria nacional, ainda mais notável justamente nos setores de maior intensidade tecnológica.
A elucidação dessa conjunção de constatações díspares tem de ser buscada na peculiar situação de a indústria de transformação brasileira ser relativamente inovadora e arrojada tecnologicamente apesar de ao mesmo tempo ser (cada vez mais) frágil justamente nos setores que tradicionalmente mais investem em P&D e inovam.
Ocorre que o sucesso inovativo brasileiro está concentrado em poucos grupos de atividades: a química pesada (inclusive petroquímica e refino de petróleo) e material de transporte (inclusive aeronáutica). Esses dois conjuntos representaram mais de 60% de toda P&D industrial brasileira em 2008 (contra 58% em 2005), em contraste com os menos de 25% nos países desenvolvidos.
Tal desproporção é explicada apenas em parte pelo fato de as empresas brasilerias desses setores serem excepcionalmente arrojadas (puxadas, sobretudo, pela Petrobras na química e pela Embraer em material de transporte). Na verdade, as firmas brasileiras dos setores que tipicamente mais executam P&D e inovam internacionalmente - farmacêutica, eletrônica, aeronáutica e equipamentos de precisão - também costumam esforçar-se tecnologicamente muito acima da média geral. O que faz peculiarmente "fora do lugar" a distribuição setorial da P&D e da inovação no Brasil é o fato de que a química pesada "expandida" e material de transporte - setores de intensidade tecnológica intermediária - respondem por elevada parcela do PIB industrial brasileiro, ao passo que os setores tipicamente de elevada intensidade tecnológica não apenas são relativamente pequenos como estão perdendo participação no PIB.
Não há propriamente um paradoxo no fato de as empresas brasileiras estarem aumentando sua atividade tecnológica ao mesmo tempo em que cada vez mais nossa produção e nossas exportações são baseadas em bens de baixo conteúdo tecnológico. O que ocorre é uma disputa entre duas forças em direções se não opostas claramente concorrentes, na qual uma - a arrojada política de inovação tecnológica que ora praticamos, beneficiada por um ambiente favorável aos investimentos - vem prevalecendo sobre outra - a perda de peso econômico e de competitividade da indústria de transformação, sobretudo em ramos de alta intensidade tecnológica.
Embora os resultados alcançados pela política de inovação tecnológica sejam salutares e apontem para uma aproximação entre nossa crescente produção científica (que deve alcançar 3% dos artigos indexados de todo mundo em breve) e nossa atividade empresarial, sua articulação com uma política industrial norteada por critérios de intensidade tecnológica setorial acelerariam relevantemente sua efetividade econômica.
Luís Felipe Giesteira é especialista em políticas públicas e gestão governamental e doutor em teoria econômica pela Unicamp


O fosso entre universidade e indústria, por Jose Goldemberg Resultados da Pintec 2010


Inovação Demanda por recursos na Finep soma R$ 9 bi
Por Marli Olmos | De São Paulo
Agência voltada à inovação percebeu forte aumento de novos projetos, concent
Valor Econômico, 15-12-2011 .... ... .... ...
[O valor dos pedidos de crédito para inovação chegou a R$ 9,1 bilhões na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). É um volume cinco vezes maior que o do início do ano, segundo seu presidente, Glauco Arbix. Se antes sobravam recursos nas linhas de crédito nessa área, agora a Finep se preocupa com a necessidade de ganhar mais fôlego para poder atender a demanda. A soma de volumes para projetos contratados dobrou em quatro anos, passando de R$ 516 milhões em 2006 para R$ 1,2 bilhão em 2010. Há um ano, a média dos pedidos de crédito por projeto girava em torno de R$ 11 milhões e agora passou a R$ 40 milhões, com casos de mais de R$ 70 milhões nas linhas requisitadas por investidores no pré-sal.]





Finep teme que corte de gastos atrapalhe crédito para inovação

"A situação não é agradável, temos de remar contra a maré", diz novo presidente
DO RIO - folha, 29jan2011
O aperto fiscal anunciado pelo governo pode emperrar o aumento do crédito para o investimento em inovação, admitiu ontem o novo presidente da Finep, o sociólogo Glauco Arbix.
A instituição planejava ter atuação mais ativa na liberação de recursos para pesquisa e desenvolvimento, se tornando uma espécie de BNDES do setor de inovação.
Arbix pretende obter mais R$ 4 bilhões, até 2014, que seriam voltados para o investimento em empresas via concessão de crédito. Com isso, seu orçamento dobraria no período.
"Temos de conversar com o governo em meio a essa agenda de contenção fiscal. A situação não é agradável, temos de remar contra a maré. Em períodos de crise, o investimento em inovação dá base para que a recuperação seja rápida", declarou o novo presidente da instituição.
NOVO ESTATUTO
O fortalecimento da Finep voltou a ser defendido pelo ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), durante a cerimônia de posse de Arbix. O evento ocorreu ontem, no Rio de Janeiro.
O objetivo é que o investimento em pesquisa e desenvolvimento feito pelo setor privado signifique, em 2014, 0,9% do PIB (Produto Interno Bruto). Atualmente ele representa 0,6% do valor gerado pela economia do país.
"Por isso a Finep vai precisar ser uma instituição financeira específica, de fomento. Pesquisa e inovação têm risco", afirmou Mercadante.
Arbix observou que a nova formatação da instituição ainda não está definida. Se a Finep for transformada numa espécie de BNDES, precisará de autorização do Banco Central, e passará a ter um novo estatuto.
"O incremento de recursos pode ser feito via Tesouro ou mesmo via mercado. Poderemos captar se nos transformarmos em instituição financeira", disse.
O novo presidente afirmou que o objetivo da Finep agora é aprofundar seu foco nas empresas, principalmente na concessão de crédito. "Os recursos não são suficientes. Precisamos duplicar a capacidade de crédito, para triplicar a capacidade de atender as empresas", disse.


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