Thursday, 1 July 2010

EXPORT PROCESSING ZONES - EPZ ou ZPE

Chapter 3: Introduction to Export Processing Zones

Export Processing Zones: A Review in Need of Update


Export processing zones : a review in need of update
hi Kusago ; Tzannatos, Zafiris;

Export processing zones and the quest for sustainable development


A review of the role and impact of export processing zones
Madani, Dorsati - Policy Research Working Paper + Export processing zones


Implications of WTO disciplines for special economic zones in developing countries
Creskoff, Stephen ; Walkenhorst, Peter


Special economic zone : performance, lessons learned, and implication for zone development
Akinci, Gokhan ; Crittle, James


Export processing zones


Export processing zones : Zonas francas industriales


Export processing zones : the economics of enclave manufacturing
Warr, Peter G.;


EXPORT PROCESSING ZONES IN INDIA: ANALYSIS OF THE EXPORT PERFORMANCE; Aradhna Aggarwal PPT


of an Export Processing Zone (stdudy REPORT)


EXPORT PROCESSING ZONES IN ASIA


Export Processing Zones in Latin America and the Caribbean: Their Challenges in a Globalized World

Integration and Trade. Vol. 9 (23). p 71-102. July-December 2005.


Fazenda resolve pendências em projeto das ZPEs



Lula assina decreto da ZPE do Acre

Escrito por Edmilson Ferreira

01-Jul-2010

"Um novo tempo não apenas para o Acre mas, para o Brasil" afirma o governador Binho Marques sobre a Zona de Processamento de Exportação do Acre
Governador Binho Marques na solenidade de assinatura do decreto da criação da ZPE Acre pelo Presidente Lula (Fotos: Ricardo Stuckert/Presidência)
O Presidente Lula assinou nesta quinta-feira, 1, no Palácio do Planalto (Brasília) o decreto de criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre. A ZPE é um distrito industrial incentivado, onde as empresas nele localizadas desfrutam de um tratamento fiscal e cambial diferenciado, com a condição de destinarem a maior parte de sua produção para o exterior. "O Presidente Lula ficou muito feliz em ver o sonho de Chico Mendes realizado", disse o governador referindo-se à luta de mais de trinta anos para consolidar a Nova Economia no Acre, baseada em alta inclusão social e baixo carbono.
O governador Binho Marques, o senador Tião Viana, o presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Edvaldo Magalhães, os secretários Aníbal Diniz (Comunicação Social) e Gilberto Siqueira (Planejamento), o presidente do Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Acre, Jorge Viana, e o presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac), João Salomão, participaram, em Brasília, do ato de criação da ZPE do Acre que ocorreu em tempo recorde, há menos de uma semana da aprovação pelo Conselho das Zonas de Processamento de Exportação.
A ZPE do Acre será implantada a cerca de quatro quilômetros do Centro de Senador Guiomard e ocupa um terreno de 130 hectares. O advento da ZPE ocorre em uma Zona Especial de Desenvolvimento (ZED), conceito criado pelo governador Binho Marques para definir locais de maior dinâmica econômica, localizadas na área de influência direta das rodovias federais BR-317 e BR-364, dotadas de melhor infraestrutura, com empreendimentos consolidados, ocupação territorial definida e significativo capital social. São, portanto, regiões de baixa vulnerabilidade ambiental e alto capital humano. Por essa política, há o compromisso do Governo de atuar, nessas regiões, buscando conter o desmatamento, reverter o impacto ambiental e consolidar empreendimentos de base florestal, promover novos negócios estratégicos e reinserir áreas alteradas/degradadas ao sistema produtivo. As instalações já construídas pelo Governo do Estado, onde estava previsto inicialmente o funcionamento do Porto Seco já destinavam espaços específicos para as atividades de fiscalização, vigilância e controle aduaneiros, de interesse da segurança nacional, fitossanitários e ambientais. "É um grande gol para o Acre", assim definiu o ato de Lula o secretário de Planejamento do Acre, Gilberto Siqueira, um dos articuladores do projeto.
Governador Binho Marques com delegação, no Palácio do Planalto para assinatura do Presidente Lula criando a ZPE do Acre (Foto: Ricardo Stuckert/Secom)
O Presidente da Fieac, João Francisco Salomão, referiu-se aos políticos do Acre como pessoas de prestígio junto ao Presidente Lula. Salomão fez especial referência ao senador Tião Viana, que junto com Binho Marques e Jorge Viana conduziram o processo desde seu início. "A ZPE é um marco na economia do Acre. É um dia histórico", disse o líder empresarial, lembrando também do trabalho do secretário de Planejamento do Acre, Gilberto Siqueira.

O Presidente Lula ficou muito feliz em ver o sonho de Chico Mendes realizado
Binho Marques

As empresas instaladas em ZPE têm direito aos seguintes benefícios, conforme descritos na Lei 11.508/2007, que trata do assunto; suspensão do Imposto de Importação; do IPI; do PIS/COFINS; do PIS-Importação/COFINS-Importação; e do AFRRM para as importações e aquisições no mercado interno de insumos e de bens de capital; liberdade cambial (as empresas não são obrigadas a internar as divisas obtidas por suas exportações); e procedimentos administrativos simplificados nas exportações e importações.
Para se instalarem em ZPE as empresas precisam exportar o equivalente a pelo menos 80% de sua renda bruta e ter um projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Zonas de Processamento de Exportação (CZPE). Quando exportarem seus produtos a suspensão acima se converte em isenção. Quando da venda da parcela restante no mercado interno, são cobrados os impostos/contribuições suspensos. Tudo isso garantido por até 20 anos (podendo ser prorrogado por igual período, dependendo da dimensão do projeto.
O posicionamento do Acre no contexto dos novos eixos de integração física regional na visão do Programa de Integração da Infra-Estrutura Regional da América do Sul, ainda não impactou plenamente sua logística de transportes. Embora o Governo do Estado em parceria com o Governo Federal estejam realizando importantes investimentos em sua infraestrutura interna, os maiores resultados ainda acontecerão com a conclusão de duas importantes obras em curso: o asfaltamento da BR-364 e da Rodovia Interoceânica em território peruano, ambas com previsão próxima de inauguração. Com a homologação, as instalações do Porto Seco estão agora incorporadas à ZPE. Trata-se de um terminal intermodal terrestre diretamente ligado pela via rodoviária (ou ferroviária). Além de seu papel na carga de transbordo, podem também incluir instalações para armazenamento e consolidação de mercadorias, manutenção de transportadores rodoviários ou ferroviários de carga e de serviços de despacho aduaneiro.
ZPE está sendo instalada no Km 4 da Br-317, em Senador Guiomard (Foto: Luciano Pontes/Secom)
Lula sabe diferencial do projeto acreano

Presidente Lula elogiou projeto acreano que tem o diferencial na consolidação do desenvolvimento sustentável no Estado (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência) Com tudo isso, Binho Marques tem a ZPE como "o confeito do bolo", o detalhe que alavancará a economia e levará o Acre a alçar grandes vôos na consolidação do desenvolvimento sustentável com inclusão social e respeito ao meio ambiente. Esse "confeito" resulta da construção de um projeto que tem em sua concepção, entre outros fatores, investimentos no Zoneamento Ecológico-Econômico e na confiança na iniciativa privada acreana.
Binho Marques reafirmou o compromisso do Presidente Lula com o desenvolvimento do Acre. "Tudo o que fizemos tem a assinatura de Lula. Ele compreende a importância do nosso projeto. É o que tem de mais moderno", disse o governador. "Lula sabe que nosso projeto não é para poucos, é para todos", completou. Nesse sentido, o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, afirmou que o projeto do Acre era o melhor entre todos relacionados à ZPE.
O governador lembrou ainda do empenho do senador Tião Viana, do presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães, do presidente do Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Acre, Jorge Viana, e a liderança de João Salomão. No começo do ano, Salomão e Tião Viana lideraram uma comitiva de 70 empresários em viagem à China. "Na próxima década, a ZPE do Acre estará liderando processo que se refletirá no Brasil todo", prevê o governador. O próximo governante do Acre terá amplas condições estruturais para seguir avançando a passos largos rumo a uma economia justa e competitiva, que traga benefícios para todos.
Estratégia fundamental para o desenvolvimento do Acre

A ZPE do Acre desempenhará uma função estratégica fundamental no processo de desenvolvimento do Estado, em consonância com a Política Nacional de Desenvolvimento Produtivo, contemplando cinco dos seus seis destaques estratégicos: exportações (ampliação e diversificação); regionalização (nova distribuição geográfica da indústria); micro e pequenas empresas (capacitação para o mercado externo e geração de postos de trabalho); integração produtiva com a América Latina e Caribe (articulação com as cadeias produtivas nas áreas fronteiriças da Amazônia); e produção sustentável (manejo de uso múltiplo dos recursos florestais, agroflorestais, certificação e preservação do meio ambiente).
A precariedade da infraestrutura e logística historicamente foi considerada como um dos principais entraves ao desenvolvimento do Acre, até por se tratar de um condutor estratégico de transformação da dinâmica social na região. A infraestrutura implantada no Estado está mais presente no Baixo Acre, com ênfase em Rio Branco, e em Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, que são as regiões mais povoadas. Todavia, esta situação deverá ser modificada sensivelmente no final deste ano e ao longo do próximo com a conclusão das obras de pavimentação da rodovia federal BR-364 e outros investimentos de logística e infraestrutura, tais como: linhas de transmissão de energia elétrica; obras de saneamento; obras de habitação e urbanização; redes de inclusão digital e outros, todos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Mercado de 30 milhões de potenciais consumidores num raio de 750 km do Acre

Num primeiro momento, estima-se que as indústrias pioneiras a serem instaladas na ZPE do Acre, devam ter foco nos mercados do Peru e da Bolívia. Conformem as estatísticas do Ministério Desenvolvimento, Comércio e Indústria, os principais países de destino das exportações do Acre são, pela ordem em 2007, o Reino Unido, a Bolívia, a China, os Estados Unidos e a Bélgica. Em princípio, estes seriam os mercados potenciais das empresas localizadas na ZPE do Acre, apesar de que não necessariamente as exportações de produtos industriais teriam a mesma composição da pauta atual, predominantemente composta de produtos primários ou com pequena agregação de valor. No entanto, a médio prazo (quando a ZPE estiver beneficiando tais produtos), é bastante provável que estes mesmos mercados tendam a absorver grande parte dessa produção.
A expectativa, em curto prazo, entretanto, é de que a ZPE do Acre se transforme, pela sua proximidade e condições logísticas, em uma plataforma de suprimento parcial dos produtos brasileiros para os mercados dos países vizinhos. Embora não se deva esperar que a base industrial de suprimento a esses mercados se transfira para a ZPE do Acre, é possível que parte dela possa considerar que a implantação de unidades para a ZPE acreana lhes dariam melhores condições competitivas para a penetração naqueles mercados.
Cerca de 30 milhões de pessoas que vivem em um raio de 750 km do Acre deverão ser impactadas pela ZPE. O primeiro destes efeitos se traduz em demanda por serviços, bens de capital, mão-de-obra e matérias primas para as empresas instaladas na ZPE. O segundo, em difusão de novas tecnologias, treinamento de mão-de-obra e em práticas de gestão mais modernas, adotadas pelas empresas da ZPE. Outros novos investimentos serão implantados em módulos, de acordo com a demanda de instalação das indústrias. A implantação do primeiro módulo, com 25 hectares (equivalente ao tamanho do atual Parque Industrial de Rio Branco) do total dos 120 hectares, está orçada em R$ 11,2 milhões. Em cerca de 90 dias o Governo do Estado terá constituído a empresa administradora da ZPE, com a finalidade específica de implantar e administrar o projeto.

O que é ZPE?

Além de pertencerem à mesma classe de zonas francas, as ZPE's, a Zona Franca de Manaus e as Áreas de Livre Comércio (ALCs) têm em comum o objetivo da promoção do desenvolvimento regional. A diferença é que enquanto a ZFM praticamente se restringe à cidade de Manaus (mantendo uma ação desenvolvimentista bastante acanhada no restante da Amazônia Ocidental), as ZPE's, embora fisicamente menores, têm uma abrangência geográfica mais ampla, na medida em que poderão ser instaladas em todo o País.
Os produtos fabricados na ZFM, quando vendidos no mercado interno, gozam de isenção do IPI e de redução de 88% do imposto de importação incidente sobre os componentes importados. Assim, a ZFM dispõe de condições mais favoráveis do que as ZPE's quando se trata de vendas no mercado doméstico. Porém, quando se trata de exportações - e é para isso que as ZPE's são fundamentalmente criadas - elas contam com incentivos mais significativos. No Porto Seco, as mercadorias importadas podem ser desembaraçadas ou serem mantidas com suspensão de impostos, até a sua regularização aduaneira; e as destinadas ao mercado externo são consideradas exportadas para todos os efeitos fiscais, cambiais e creditícios.


MISSÃO (POLÍTICO-EMPRESARIAL ACRIANA) À CHINA x ZPEs BLOG I


Lula assina decreto da ZPE do Acre No página 20



Governo pode desautorizar a instalação de nove ZPEs


02 de julho de 2010
0h 00

BRASÍLIA

Nove Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs) podem perder autorização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para serem instaladas. Terminou ontem o prazo para as ZPEs, que foram constituídas até 1994, cumprirem as exigências do governo. O ministério vai agora analisar a documentação e depois publicar no Diário Oficial da União quais ZPEs poderão ser instaladas.
ZPE é um distrito industrial, onde as empresas, nele localizadas, operam com isenção de impostos e liberdade cambial (não são obrigadas a converter em reais as divisas obtidas nas exportações), com a condição de destinarem a maior parte de sua produção ao mercado externo.
O governo publicou ontem no Diário Oficial da União decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a criação de seis ZPEs. Foram contemplados os municípios de Boa Vista (RR), Parnaíba (PI), Bataguassu (MS), Fernandópolis (SP), Senador Guiomard (AC) e Aracruz (ES). A criação dessas ZPEs já tinha sido aprovada, em maio, mas era preciso a publicação de decreto presidencial.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, com a publicação dos decretos presidenciais, passa a contar o prazo de 90 dias para que sejam constituídas as empresas que vão administrar as ZPEs. Somente depois desse prazo, está previsto o início das obras de infraestrutura.
As ZPEs foram criadas para atrair investimentos estrangeiros voltados para as exportações. A suspensão de tributos para as ZPEs é concedida na compra de bens e serviços do mercado interno ? IPI, Cofins e PIS/ Pasep ? e na importação. / A.F.


ZPE do Acre gera ciúmes do AM e RO



Impactos de ZPEs dividem opiniões

02 Jul 2010 . 05:54 h .
Há economistas que avaliam que zonas serão prejudiciais à indústria de manaus. Outros não veem ameaça
Os possíveis impactos das Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) sobre o Polo Industrial de Manaus (PIM) dividem as opiniões de economistas. Ontem, o Diário Oficial da União publicou decretos presidenciais criando ZPEs em seis municípios do País. Dois projetos de cidades amazonenses ainda tramitam na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Foram contemplados, nos decretos publicados ontem, os municípios de Boa Vista (RR) e Senador Guimard (AC), na Região Norte, Parnaíba (PI), no Nordeste, Bataguassu (MS), no Centro-Oeste, e Fernandópolis (SP) e Aracruz (ES), no Sudeste. Os projetos do Amazonas são de Itacoatiara e Tabatinga.
De acordo com o economista José Alberto, ex-coordenador geral de Estudos Econômicos e Empresariais da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), as ZPEs da Região Norte não devem impactar negativamente a produção do PIM, devido às dificuldades de logística e infraestruturais, mas é preciso atentar para as zonas do Nordeste e Sudeste.
“Ainda não é possível avaliar os impactos por segmentos, mas a partir do momento em que empresas multinacionais, capazes de produzir em larga escala, se instalem nessas localidades, a produção do PIM poderá ser impactada”, opinou.
Para o economista, a criação das ZPEs no Amazonas poderá ser positiva para os municípios, que poderão vender para o PIM como um regime de exportação, devido às características jurídicas da Zona Franca de Manaus (ZFM), reconhecida pelos economistas como um País dentro do Brasil.
O economista Francisco de Assis Mourão, por outro lado, defende a tese de que as ZPEs não concorrerão com o PIM, devido às dificuldades de concorrer em pequena escala no competitivo mercado nacional. “As ZPEs são obrigadas a exportar 80% de sua produção. A única vantagem que poderão ter é de logística, mas a operação de vender os 20% no mercado nacional, mesmo para quem produzir em larga escala, não é simples”, disse.
Na avaliação do economista Rodemarck Castelo Branco, os projetos das ZPEs não são o ideal para competir no cenário globalizado, que demanda a produção dos bens próximos aos centros consumidores. “Quem estiver interessado em produzir para o mercado nacional, não vai se instalar em uma ZPE, mas no PIM, que possui incentivos fiscais e permissão para vender dentro do País”, afirmou. “As ZPEs deverão se desenvolver muito pouco, com maior opção para os produtos agroindustriais”, completou o economista e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Celeridade
Ontem, o senador Arthur Neto defendeu a celeridade na aprovação das ZPEs de Itacoatiara e Tabatinga pela Câmara dos Deputados. “Faço até um apelo aos colegas que aprovem o projeto”, comentou. As ZPEs nas duas cidade foram aprovadas no Conselho de Assuntos Econômicos do Senado Federal em outubro de 2008, defendidas como um instrumento para fomentar o desenvolvimento de 16 municípios próximos.


 
Abertura de uma zona de processamento de exportação no Ceará e a utilização do porto do Pecém por empresas exportadoras

Souza, Jackeline Lucas
Este trabalho tem por objetivo vislumbrar uma alternativa de aumento das exportações brasileiras, através da criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no Ceará, instrumento de vital importância para a correção de desequilíbrios regionais, geração de empregos, fortalecimento do balanço de pagamentos e difusão de novas tecnologias. A fundamentação teórica está embasada na Teoria do Comércio Internacional de Grossman e Helpman e na Teoria da Localização de Lösch. Os modelos de ZPE’S são abordados no âmbito internacional, como as da Coréia do Sul e a de Taiwan, enquanto as propostas nacionais são analisadas as ZPE’s de Imbituba/SC e de Rio Grande/RS, por serem as com infra-estrutura e projetos industriais mais adiantados. A problematização da pesquisa busca os elementos fundamentais que influenciaram a escolha do Porto do Pecém por empresas exportadoras do Estado do Ceará, bem como da possibilidade de abertura de uma ZPE no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). Para isso foram utilizadas, metodologicamente, pesquisas em periódicos, artigos e outros, do segundo semestre de 2002 até o primeiro semestre de 2007, sobre o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e a utilização do mesmo por empresas exportadoras, este último de 2005 a 2007. Conclui-se que o conceito de ZPE no Brasil é iniciante, mas que após as modificações no Decreto-Lei nº 2.452/88 e a aprovação do Projeto-Lei nº 146/96, pelo Senado Federal, as ZPE’S se tornarão realidade no Brasil.



As ZPEs do Amazonas
As Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) de Itacoatiara e Tabatinga, já devidamente aprovadas no Senado Federal, em 2007, projetos de minha autoria, passaram esta semana da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, da Câmara dos Deputados. Os passos seguintes são a rápida análise pela Comissão de Constituição e Justiça, porque não vejo nenhuma inconstitucionalidade nelas, a votação em plenário e, aprovada, a sanção presidencial.
Segurei o projeto das ZPEs, no Senado, durante um ano inteiro. Só não apaguei as velinhas, para comemorar aniversário, porque não queria parecer tripudiar de ninguém. Via nelas o risco de se transformarem em mero entreposto para a indústria chinesa e em concorrente da Zona Franca de Manaus (ZFM).
Isso me valeu desgaste com o presidente do Senado, José Sarney, autor da proposta, e um momento lamentável de desencontro com essa figura que eu estimo muito, que é o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Tratava-se, porém, da defesa da ZFM e nisso ambos sabem que sou intransigente.
O Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e o Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus (Sinaees) assessoraram-me em todo o processo. Ressalto o trabalho do representante dos empresários, Salèh Randeh, que não perdeu nenhuma reunião sobre o assunto e ganhou todas. Na hora em que tentavam votar, eu olhava para ele e indagava: “Já pode?” Só votamos quando recebi o sinal verde.
O que fizemos? Tiramos a concorrência à ZFM, transformando as ZPEs em indústria de transformação de matéria-prima regional. Nesses termos, não podíamos deixar de votar. Até porque perderíamos, porque cada Senador queria uma ZPE para seu Estado, especialmente os menores, que sempre votaram conosco.
Entendo que ZPE é instrumento abaixo da importância da economia brasileira, que é a nona do mundo. Cai muito bem, por exemplo, à República Dominicana. Mas compreendo que, para cidades que precisam de investimentos e dispõem de abundância de determinadas matérias-primas, elas são válidas.
Itacoatiara tem biodiversidade e silvinita. Tabatinga, além de ter biodiversidade, é um caso de segurança nacional.
Aproveito para lembrar de outro projeto, igualmente antigo, que muda o nome da Zona Franca de Manaus para Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. Até porque ela não é “franca”, nem “zona”.
Aprovamos no Senado a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) correspondente, de minha autoria, sem maiores problemas, há quase um ano, e ela passa agora pelo crivo da Câmara Federal. Vou pedir ajuda dos muitos amigos deputados que tenho, na Comissão de Constituição e Justiça daquela Casa, para acelerar a instalação da Comissão Especial correspondente.
Vou sugerir, inclusive, que escolham um relator ou relatora do Amazonas. Temos duas deputadas na bancada e ambas podem muito bem se desincumbir da tarefa.
Espero que, como o Projeto de criação das ZPEs de Tabatinga e Itacoatiara, a PEC de mudança do nome da ZFM tenha tramitação exitosa na Câmara dos Deputados.
Estamos atentos.


SEPLAN-Secretaria do Planejamento do Estado do Piauí
A Zona de Processamento de Exportações - ZPE de Parnaíba foi criada oficialmente nessa ... Fernandópolis (SP), Senador Guiomard (AC) e Aracruz (ES). ... Projeto de implantação da ZPE de Parnaíba é discutido com a Receita Federal. ... www.seplan.pi.gov.br/verNoticia.php?cod=83

AS ZONAS FRANCAS E O MERCOSUL



ZPEs: o salto do tigre verde-e-amarelo - CUSTO BRASIL



 Dispõe sobre a criação de Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no Município de Paragominas, no Estado do Pará.


Senado aprova ZPE para Itaqui e São Borja


ZPEs brasileiras :a necessidade de mudanças no contexto do Mercosul /Eduardo Lindner.. Brasília : Senado Federal, 1993.. 68p.. Lindner, Eduardo:
 
 
Zona de processamento de exportações e gestão do território
/Carlos Alberto F. da Silva.. p. 89-102..  1993 v.7 n.2 set Ex.2 Períodico (IPPUR); cód. de barras: 42-0000364



Mercosul e as zonas francas, zonas de processamento de exportações, areas de livre comércio e areas aduaneiras especiais
/Edgard Antônio Pereira. --.
Brasília : IPEA, 1992.. 66 p.GOES, Francisco:


Projeto para ZPE :Brasil ja tem 18 Zonas de Processamento de Exportacao. --. p.10


Questão Regional e Gestão do Território no Brasil


ZPEs no Brasil: fora de tempo e lugar
Jose Serra, REP. n 4 de 1988 docsgoogle


O equivoco das ZPE'S
 Jose Serra - Texto para discussão; 3 - Campinas: UNICAMP, 1988.

SERRA DIZ QUE É FAVORÁVEL À ZPE EM ILHÉUS

de Seu Pimenta EXCLUSIVO O presidenciável José Serra (PSDB) disse ao Pimenta que mudou a sua posição quanto às Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) mudou - principalmente no caso de Ilhéus. Apesar de deixar claro que o contexto econômico é ... PIMENTA NA MUQUECA - http://www.pimentanamuqueca.com.br/

Jequié - Cidade Sol Noticias: SERRA DIZ QUE É FAVORÁVEL À ZPE EM ...

de adovaldo carneiro
Quando ainda era deputado constituinte e logo depois senador paulista, Serra afirmou que as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) era um estímulo à sonegação. Hoje, no sul da Bahia, mudou sua visão. O município ilheense já ... Jequié - Cidade Sol Noticias - http://www.cidadesolnoticias.com/
“SERRA DEVE ESCLARECER AOS ILHEENSES PORQUE SEMPRE FOI CONTRA AS ...

de Seu Pimenta
O presidenciável tucano José Serra terá a oportunidade de esclarecer, em Ilhéus, amanhã (17), porque sempre se posicionou contra as Zonas de Processamento e de Exportação (ZPE), na análise do atual presidente da Bahia Pesca, ... PIMENTA NA MUQUECA - http://www.pimentanamuqueca.com.br/
O que nos ensina a zona de processamento de exportações de
Mauricio Rolf Alter.
Finanças & Desenvolvimento, Washington, D.C.,
v. 11, n. 4, p. 7-9, dez. 1991.

Zonas de processamento de exportações e politica de comercio exterior
/ Peter G. Warr.
Finanças & Desenvolvimento, Washington, D.C.,
9(2) : 34-6, jun. 1989.


Zonas de Processamento de Exportacao: o Debate,
 Sao Paulo : Ipe-Usp, 1989
Integracao regional e zonas de processameto de exportacoes, p.123-47.


Export processing free zones in developing countries : implications for trade and industrialization policies
382.71091724 Ex75; 1985
Biblioteca Unicamp (001400001)



Promoting Decent work in export processing zones in - Promoting ILO


Resource guide on export processing zones (EPZs)
"As an important feature of globalization, EPZs have been monitored by the ILO for over 20 years. Zones take many forms, including free trade zones, special economic zones, bonded warehouses, free ports and maquiladoras.
The ILO has defined EPZs as "industrial zones with special incentives set up to attract foreign investors, in which imported materials undergo some degree of processing before being (re)exported again".
Employment and social policy in respect of export processing zones (EPZs), Governing Body, 286th Session, Geneva, 2003 (pdf 138 KB)


Export processing zones : comparative data from China, Honduras, Nicaragua, and South Africa 
McCallum, Jamie K. ; International Labour Office. (Industrial and Employment Relations Dept.) 
Download PDF Full text


A comment on the optimal structure of Export-Processing free Zones


EXPORT PROCESSING ZONES IN INDIA: ANALYSIS


Benefit-Cost Appraisals of Export Processing Zones: A Survey of


05/07/10 - 00:00 > POLÍTICA ECONÔMICA
Governo pode tirar licença de instalação de novas ZPEs

SÃO PAULO - Nove Zonas de Processamento de Exportações (ZPE) podem perder autorização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) para serem instaladas. Terminou, na última sexta-feira, o prazo para as ZPEs, que foram constituídas até 1994, cumprirem exigências do governo. O ministério vai analiar a documentação e depois publicar no Diário Oficial da União as zonas que poderão ser instaladas.
ZPE é um distrito industrial, onde as empresas nele localizadas operam com isenção de impostos e liberdade cambial (não são obrigadas a converter em reais as divisas obtidas nas exportações), com a condição de destinarem a maior parte de sua produção ao mercado externo.
O governo publicou, também, na sexta-feira passada, no Diário Oficial decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a criação de seis ZPEs. Foram contemplados os municípios de Boa Vista (RR), Parnaíba (PI), Bataguassu (MS), Fernandópolis (SP), Senador Guiomard (AC) e Aracruz (ES). A criação dessas ZPEs já tinha sido aprovada, em maio, pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportações (CZPE). Mas era preciso a publicação de decreto presidencial para que a criação das ZPEs fosse concretizada.
Segundo o Mdic, com a publicação dos decretos presidenciais, passa a contar o prazo de 90 dias para que sejam constituídas as empresas que irão administrar as ZPEs. Somente depois deste prazo, está previsto o início das obras de infraestrutura.
Nenhuma ZPE está ainda em funcionamento no Brasil. Depois da instalação da administradora e do término das obras de infraestrutura, há a necessidade de alfandegamento, feito pela Receita Federal, e a apresentação de projetos industriais.
A suspensão de tributos para as ZPEs é concedida na compra de bens e serviços do mercado interno - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e PIS/ Pasep - e na importação. Nesse caso, a suspensão será aplicada sobre o Imposto de Importação, IPI, Cofins, PIS/Pasep e Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).
Entre os incentivos administrativos está a dispensa de licença ou de autorização de órgãos federais - com exceção dos controles de ordem sanitária, de interesse da segurança nacional e de proteção do meio ambiente -, além de agilidade nas operações aduaneiras. O prazo de vigência dos incentivos previstos para uma empresa em ZPE é de até 20 anos, prorrogável por igual período.



‘A exportação é muito burocrática’
04 de Julho de 2010 Renata Moura - repórter de Economia
O comércio exterior do Rio Grande do Norte deu um salto inegável em termos de volume negociado e de empresas agregadas ao setor, mas, em quase duas décadas, não deixou de enfrentar gargalos como burocracia e dificuldades de logística. Esses e outros nós são apontados pelo economista e diretor-presidente da Terrasul Assessoria em Comércio Exterior, José Suterland Guimarães Menezes, que, na entrevista a seguir, também critica “a falta de ações efetivas para implementar Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs) no Brasil”, fala sobre a debandada de exportadores do RN para outros portos e explica por que o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante pode fazer o Estado alçar novos voos no transporte de mercadorias. Suterland foi um dos palestrantes do II Fórum de Comércio Exterior, realizado esta semana pelo IFRN. Ele tem 61 anos e atuou por 23 anos no Banco do Brasil, instituição em que desempenhou, entre outras funções, a de dirigente das carteiras de câmbio e de comércio exterior. Ao se aposentar, há 18 anos, o ex-bancário fundou a Terrasul, empresa que oferece soluções aduaneiras e assessoria em áreas como contratação de câmbio e de frete, fatores determinantes para aumentar ou reduzir custos. A empresa nasceu em Natal e há cinco anos conta com uma filial, em Recife.
Quais são os principais gargalos para exportar produtos do RN para outros países?


Export Processing Zones [EPZ's] – Are they Useful? PPT


Incentives and regulations for agribusiness investment PPT
A. M. Lawal  Nigerian Export Promotion Council


China·Ningbo Hangzhou Bay New ZoneBriefing on Development PPT


Logistics and Supply-Chain Management PPT, ch 16



Zona de Processamento de Exportação
A Zona de Processamento de Exportação constitui um tipo particular de zona franca, que é uma categoria genérica na qual podem ser incluídas quase duas dezenas de denominações distintas, utilizadas por diferentes países, para designar áreas especiais onde não se aplicam as regulamentações e os gravames aduaneiros normais da economia. As mercadorias que nelas transitam (ou nelas são produzidas) são consideradas como não tendo ingressado (ou não tendo sido produzidas) no território aduaneiro do país. As zonas francas que contam apenas com este benefício de natureza aduaneira, mais algumas facilidades de infra-estrutura e de serviços de apoio, são chamadas de zonas francas comerciais. Quando outros incentivos adicionais são incluídos, tais como isenções tributárias, liberdade cambial, legislação trabalhista mais flexível etc., com o objetivo básico de atrair investimentos produtivos, têm-se a zona franca industrial. As zonas francas podem ainda ser classificadas em públicas ou privadas e em fechadas (isoladas por cerca, quando próximas a centros urbanos servidos com múltiplas vias de acesso) ou abertas (normalmente em áreas remotas e atrasadas, onde as distâncias e a precariedade da infra-estrutura tornam dispensável, para efeito do controle aduaneiro, o cercamento da área). Pelas suas próprias características, as zonas francas abertas estão mais fortemente associadas a políticas de desenvolvimento regional e, por isso, costumam oferecer incentivos mais amplos, de modo a compensar maiores desvantagens locacionais. Não são computadas como zonas francas as "duty-free shops" existentes em aeroportos internacionais nem os "paraísos fiscais", onde são realizadas operações com valores mobiliários, em condições de anonimato bancário e isenções fiscais. Também não pertencem à categoria os depósitos francos, existentes nos países da União Européia, que são edifícios isolados e sob controle aduaneiro, onde são permitidas operações comerciais bastante similares às realizadas nas zonas francas. Podemos, então, caracterizar as ZPE brasileiras como zonas francas industriais fechadas. Em alguns Estados elas são públicas (totalmente pertencentes ao governo estadual); em outros, privadas (foram licitadas e passadas a grupos privados); e, na maioria dos casos, mistas (pertencentes aos governos estadual e municipal, associados a grupos privados). A família das zonas francas conta ainda, no Brasil, com a Zona Franca de Manaus (ZFM) e as sete Áreas de Livre Comércio (ALC), localizadas nas áreas de fronteira da Amazônia: Tabatinga (AM), Brasiléia-Epitaciolândia (AC), Cruzeiro do Sul (AC), Guajará-Mirim (RO), Pacaraima (RR), Bonfim (RR) e Macapá-Santana (AP). Todas elas são zonas francas abertas, sendo que as ALC são comerciais e a ZFM tem a particularidade de ter uma parte comercial (o centro comercial urbano) e uma parte industrial (o Distrito Industrial de Manaus). Apesar de pertencerem à mesma família, existem diferenças essenciais entre as ZPE e as demais zonas francas brasileiras.
VEJA EM QUE ESTADOS SE ENCONTRAM AS ZPEs BRASILEIRAS



Empresários do Juruá estão otimistas com a criação da ZPE do Acre
14 de julho de 2010 - Fonte: Página 20

 
Empresário recebe auxílio de projeto para exportar em Pernambuco


As ZPEs
As chamadas Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) voltaram a ordem do dia. Não sei se em boa hora. Tem cheiro de politicagem. Sarney tinha criado 13 e Itamar, quatro. Agora, Lula cria mais seis: Assu (RN), Senador Guiomard (AC), Boa Vista (RR), Aracruz (ES), Fernandópolis (SP) e Bataguassu (MS). Conheço um pouco dessa história. Aliás, conheço bem duas das melhores ZPEs, a de Imbituba e a de Rio Grande. Bem localizadas, ao lado de dois importantes portos, na beira de duas BRs, as ZPEs de Rio Grande e Imbituba tem toda a infraestrutura pronta há mais de dez anos. Só que estão abandonadas, tomadas pelo mato e ameaçadas de serem invadidas. Nunca funcionaram: uma vergonha! Dificilmente qualquer uma das agora criadas tem a logística para escoar e receber produtos do exterior como as de Rio Grande e de Imbituba. Como as empresas localizadas nessas áreas precisam exportar 80 % do que produzem, nada como ter um porto próximo. Em vez de se pensar em novas, quem sabe fazer funcionar as que já temos.

ZPE - Suas Vantagens
Em que a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) favorece Fernandopolis e Região? Na verdade por ser uma área de livre comércio ou Zona Franca como é mais conhecida, o objetivo é instalar empresas voltadas para a produção de bens a serem comercializados com o exterior, já que passa a ser considerada zona primária para efeito de controle aduaneiro. Ou seja com a instalação da ZPE é possível atrair investimentos nacionais e estrangeiros para nossa região, reduzir desequilíbrios econômicos regionais, criar empregos e ainda contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país, aumentando a competitividade das exportações brasileiras, fortalecendo assim o balanço de pagamentos do país.


As vantagens de se operar na ZPE são os incentivos fiscais e a simplificação nas operações de importação e exportação que implica diretamente na redução dos custos de produção. Outro fator é a flexibilização nos procedimentos de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, mesmo que sejam usados.

Não há exigência de prazo máximo para efetivação de exportações, com usufruto da suspensão de determinados tributos no momento da importação de insumos, bem como não há exigência de licenças de importação.

Isso tudo contribui para um elevado grau de confiança por parte de investidores, que em comparação com outros regimes, este não se sujeita à revogação e alteração, e tem garantido o prazo mínimo de 20 anos e que ainda pode ser renovável por igual período.
Ganha os investidores, o país e nossa região que além da projeção nacional e internacional, ainda gera empregos e uma melhor condição social aos munícipes.
Ler mais: http://multiflorafernandopolis.blogspot.com/2010/07/zpe-suas-vantagens.html#ixzz0tqd3yK2c


CONFECÇÃO DE EDITAL PARA CONTRATAÇÃO DE ADMINISTRADORA DA ZPE JÁ É DISCUTIDA

PREFEITO BUSCA APOIO LOGÍSTICO DO GOVERNO DO ESTADO PARA A ZPE DO SERTÃO




Novas ZPEs não bastam para elevar as exportações (O Estado de S. Paulo)
2010-07-09 22:24:39
Seis Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) foram criadas por decretos de 30/6 do presidente Lula, em Senador Guimard (AC), Boa Vista (RR), Bataguassu (MS), Aracruz (ES), Parnaíba (PI) e Fernandópolis (SP). Os decretos foram comemorados por políticos locais, sem que haja certeza de que as ZPEs serão implantadas e de que conseguirão promover as exportações e as economias locais.
Desde 1988, na era Sarney, foram criadas 23 ZPEs, mas nenhuma está em operação: 13 ainda estão em fase de implantação; 5 serão relocalizadas para que não caduquem os decretos de criação (como ocorreu com a ZPE de Vila Velha, no Espírito Santo); e apenas 4 - Imbituba (SC), Rio Grande (RS), Araguaína (TO) e Teófilo Otoni (MG) - têm a infraestrutura concluída, esperando a criação de estrutura alfandegária da Receita Federal para poderem operar.
O objetivo das ZPEs é atrair indústrias dispostas a exportar no mínimo 80% da produção, em troca da suspensão, por 20 anos, de tributos (entre eles IPI, PIS-Cofins, ICMS), de liberdade cambial e regime simplificado de importação e exportação, além da isenção de 75% do Imposto de Renda durante 10 anos.
Ante a pressão de políticos regionais - o líder do governo no Senado, Romero Jucá, disse que a criação da ZPE de Boa Vista é "uma grande vitória para o Estado" e traz dividendos políticos -, novas ZPEs poderão ser criadas, segundo o jornal Valor, como em Alagoas, Maranhão e Ceará - esta, para incentivar a Siderúrgica do Ceará, que já está em obras. No mundo há milhares de ZPEs em operação.
Em geral, os políticos governistas são os maiores defensores das ZPEs, caso do senador José Sarney. "Além do distrito (industrial) em si, em torno dele se cria um cinturão gerador de serviços, hotéis, restaurantes, postos de gasolina, oficinas - e começa a mudar o desequilíbrio regional", disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves. Entre os argumentos contrários às ZPEs estão o risco de deslocar para elas atividades exportadoras domésticas e desestimular outros investimentos no mercado doméstico.
Por ora, não é possível avaliar os benefícios nem saber se administrações privadas de ZPEs (como em Araguaína e Teófilo Otoni) serão mais eficientes que as governamentais.
O objetivo é exportar mais, o que depende, antes de tudo, de políticas de estímulo às exportações - menos carga tributária, melhor legislação trabalhista e infraestrutura adequada ao comércio exterior -, evitando a competição desigual com os produtores estrangeiros.

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Binho Marques profere palestra durante planejamento do Sistema Fieac Escrito por Golby Pullig 10-Jul-2010
Governador descreve cenário econômico do Acre e apresenta dados sobre crescimento do Estado em seu mandato
O governador Binho Marques participou no final da tarde desta sexta-feira, 9, da reunião de Planejamento Estratégico do Sistema Fieac para o período entre 2010-2018 apresentando o panorama do desenvolvimento econômico do Acre durante sua gestão e as prospecções para o futuro a partir dos projetos que estão em andamento e que iniciaram a execução ainda em seu mandato. Em 2007, ao assumir o governo, Binho Marques, em conversa com o setor, apontou as metas a atingir em quatro anos. Neste novo encontro o governador apresentou os dados referentes ao desenvolvimento alcançado no período a partir dos investimentos realizados pelo Governo do Estado aos empresários do segmento. Na reunião estavam presentes ainda o presidente da Fieac, João Salomão; os secretários de Planejamento e Habitação, Gilberto Siqueira; de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, César Dotto, e de Comunicação, Aníbal Diniz.

Ao assumir o governo Marques projetou captar R$ 2 bilhões em recursos a serem aplicados no Estado. O planejamento inicial foi superado. Até o mês de junho, o Estado conseguiu executar obras que atingem o valor de R$ 2,3 bilhões e mantém recursos assegurados na ordem de R$ 3,3 bilhões até dezembro de 2010. Com novas negociações em andamento o governo planeja alcançar novas metas de investimentos para os próximos seis anos em projetos nas áreas de habitação, saneamento, redução da emissão de carbono.

"Tudo isto já está sendo pensado agora. Este resultado positivo do Acre é fruto de planejamento, etapa importante de um bom governo, e de um conjunto de esforços que tem envolvimento de todos. A marca Acre tem hoje credibilidade, solidez, porque tem qualidade no projeto e tem também uma certa ousadia para insistir, pedir, pressionar. Por isso é bom dedicar um bom tempo com planejamento", diz Binho Marques destacando a iniciativa da Fieac em planejar suas ações para os próximos oito anos e lembrando que apesar do aumento da capacidade de endividamento que o Estado adquiriu nos últimos anos, 67% das ações realizadas provém de recursos não reembolsáveis, transferência voluntária do governo federal e recursos obtidos por meio dos PAC 1 e 2. "Há uma certa preocupação de que o governo está se endividando, gastando mais, mas isso não reflete a realidade. O próximo governo terá em mãos um ativo que gira em torno de R$ 500 milhões para trabalhar com tranquilidade", garante.

O Estado conseguiu promover índices de crescimento que superam os da Região Norte e continua avançando. Em 2004, por exemplo, a população pobre do Acre representava 56% do total. Em 2008 este índice caiu para 38%. "É o nosso cartão postal. É o número mais bonito que temos para mostrar. Esta situação é rara. O Acre reduzir ainda mais este índice com investimentos do governo federal aliado a ações locais em várias áreas como saúde, educação, habitação, segurança. É um conjunto de iniciativas que levam o estado a não acompanhar a queda dos outros estados da Região Norte".

Ao final da apresentação do governador Binho Marques, os empresários fizeram perguntas sobre temas como a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) aprovada pelo presidente Lula em junho e que será instalada no Estado na área do município de Senador Guiomard que integra a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) e que recebeu investimentos em diversas áreas. "Esta será a primeira ZPE voltada para o oceano Pacífico. As demais são todas voltadas para o Atlântico e isso só foi possível graças aos investimentos realizados naquela região de ZED.

O presidente da Fieac, João Salomão, credita aos investimentos do Governo do Estado e ao planejamento e estruturação do setor o crescimento e as metas alcançadas nos últimos quatro anos. "Com planejamento, sabemos onde estamos indo e podemos nos adaptar às mudanças que forem surgindo no nosso caminho. Se não tivermos um norte, não saberemos para onde ir", concluiu agradecendo a contribuição do governador Binho Marques na reunião de realinhamento do sistema que continua nesta segunda-feira com a apresentação de ações desenvolvidas e resultados obtidos pelas Casas do Sistema Fieac.



Empresário recebe auxílio de projeto para exportar em Pernambuco - Blog PPs


Intenção é qualificar 50 grupos do Estado para mercado
AUGUSTO LEITE
As exportações pernambucanas têm tudo para ganhar fôlego nos próximos anos. Pelo menos no que depender dos incentivos do Governo Federal às pequenas e médias empresas.
Ontem, no Encontro de Comércio Exterior (Encomex), no Centro de Convenções de Pernambuco, foi assinado o acordo de cooperação técnica para o projeto Primeira Exportação, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Trata-se de um acompanhamento para capacitar os empresários a ingressar no mercado internacional.
A intenção é qualificar até 50 grupos do Estado, sendo que 18 deles já foram treinados.
A meta da Secex é exportar US$ 180 bilhões este ano, 17,6% a mais do que em 2009. Pernambuco é apenas o quinto exportador da Região Nordeste e contribuiu apenas com 0,49% da pauta brasileira em 2008.
Os investimentos recorrentes podem ser um ponto de partida para a reação.
“O Estado vai se tornar um polo logístico.
Tem os portos de Suape e do Recife e a Transnordestina.
Além disso, a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) Suape vai atrair investimentos estratégicos”, apontou o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral.
O acompanhamento ofertado pelo Primeira Exportação vai desde um diagnóstico da empresa, onde são levantadas suas condições gerais, até a inserção no mercado internacional.
Para chegar lá, ainda são feitas pesquisas de mercado e adequações dos produtos às exigências para entrarem em outros países, além da elaboração de material promocional.
Os treinamentos são realizados por agentes, estudantes do curso de Comércio Exterior.
De acordo com a coordenadora geral do Desenvolvimento de Programas de Apoio às Exportações da Secex, Cândida Cervieri, muitos produtos precisam adequar a embalagem e outros pontos verificados nas inspeções.
No caso das ações promocionais, na maioria dos casos, não existe material bilíngue. “Daremos prioridade para as empresas que farão a primeira exportação.
Elas só sairão do Brasil para as missões internacionais com pelo menos oito contatos feitos e agendados”, adiantou.
Fonte: Folha PE - 15/07/10


ZPE é factóide
Ter, 06 de Julho de 2010 11:50 AC24HORAS.COM
Calixto diz que Decreto de Lula tem apenas dois artigos. "Foram tirar fotos com o presidente".
O deputado Luiz Calixto (PSL) utilizou o pequeno e grande expediente da Assembléia Legislativa para dizer que o Governo da Floresta constrói factóide ao dar publicidade na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) como a salvadora da pátria para política de geração de emprego e renda.
- O que o governo não dar publicidade é que essa ZPE tem doze meses para ser instalada, segundo o decreto assinado pelo governo Lula, se não for implantada, será cancelada – disse o parlamentar.
O deputado lembrou que o Estado passou 06 anos para movimentar uma indústria de beneficiamento de madeira, 04 anos para implantar a indústria de camisinhas “e durante 06 anos, luta para colocar em funcionamento a Alcoobrás”, acrescentou.
- O Acre já tem 03 Zonas de Livre Comércio instaladas nos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia e Cruzeiro do Sul, com modelos idênticos a ZPE, com isenção de ICMS, benefícios de impostos de renda e não resolveu os problemas de geração de emprego e renda desse Estado. Como é que agora em 12 meses eles vão resolver tudo. Isso é enganar a sociedade – comentou.
Calixto criticou a postura dos jornalistas que não divulgaram o Decreto assinado pelo governo Lula que consta apenas de dois artigos. Para ele o Governo cria falsas expectativas nesse período pré-eleitoral.
- É mais uma promessa de campanha! – exclamou o deputado.
Jairo Carioca – Da Redação de ac24horas

COMENTS:
#1 Fenomeno 06/07/2010 17:18
Calixto vai arrumar uma lavagem de roupa




Entrevista com Gilberto Siqueira – 14-07-2010 – 1º bloco

Entrevista com Gilberto Siqueira – 14-07-2010 – 2º bloco


Reunião sobre Zona de Processamento de Exportação





ZONAS DE PROCESSAMENTO DE EXPORTAÇÕES -
Novas ZPEs não bastam para elevar as exportações

Seis Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) foram criadas por decretos de 30/6 do presidente Lula, em Senador Guimard (AC), Boa Vista (RR), Bataguassu (MS), Aracruz (ES), Parnaíba (PI) e Fernandópolis (SP).
Os decretos foram comemorados por políticos locais, sem que haja certeza de que as ZPEs serão implantadas e de que conseguirão promover as exportações e as economias locais.
Desde 1988, na era Sarney, foram criadas 23 ZPEs, mas nenhuma está em operação: 13 ainda estão em fase de implantação; 5 serão relocalizadas para que não caduquem os decretos de criação (como ocorreu com a ZPE de Vila Velha, no Espírito Santo); e apenas 4 - Imbituba (SC), Rio Grande (RS), Araguaína (TO) e Teófilo Otoni (MG) - têm a infraestrutura concluída, esperando a criação de estrutura alfandegária da Receita Federal para poderem operar.
O objetivo das ZPEs é atrair indústrias dispostas a exportar no mínimo 80% da produção, em troca da suspensão, por 20 anos, de tributos (entre eles IPI, PIS-Cofins, ICMS), de liberdade cambial e regime simplificado de importação e exportação, além da isenção de 75% do Imposto de Renda durante 10 anos.
Ante a pressão de políticos regionais - o líder do governo no Senado, Romero Jucá, disse que a criação da ZPE de Boa Vista é "uma grande vitória para o Estado" e traz dividendos políticos -, novas ZPEs poderão ser criadas, segundo o jornal Valor, como em Alagoas, Maranhão e Ceará - esta, para incentivar a Siderúrgica do Ceará, que já está em obras. No mundo há milhares de ZPEs em operação.
Em geral, os políticos governistas são os maiores defensores das ZPEs, caso do senador José Sarney. "Além do distrito (industrial) em si, em torno dele se cria um cinturão gerador de serviços, hotéis, restaurantes, postos de gasolina, oficinas - e começa a mudar o desequilíbrio regional", disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves. Entre os argumentos contrários às ZPEs estão o risco de deslocar para elas atividades exportadoras domésticas e desestimular outros investimentos no mercado doméstico.
Por ora, não é possível avaliar os benefícios nem saber se administrações privadas de ZPEs (como em Araguaína e Teófilo Otoni) serão mais eficientes que as governamentais.
O objetivo é exportar mais, o que depende, antes de tudo, de políticas de estímulo às exportações - menos carga tributária, melhor legislação trabalhista e infraestrutura adequada ao comércio exterior -, evitando a competição desigual com os produtores estrangeiros.
Fonte: O Estado de São Paulo (10/7/2010)


Núcleo se reúne para implantação da ZPE de Parnaíba

O projeto para implantação da ZEP de Parnaíba já está em fase de planejamento. Uma reunião realizada nesta semana, na sede do Núcleo de Estudos e Projetos Especiais (Nepe), tratou dos detalhes para a implantação da ZPE e contou com a presença de representantes da Receita Federal e da Associação Brasileira de Zonas de Processamento de Exportação.

De acordo com o coordenador do Programa de Aceleração do Crescimento no Piauí (PAC), foi estipulado um prazo de 90 dias para que o projeto de Criação da Pessoa Jurídica, ligado a ZPE de Parnaíba, seja encaminhado à Assembleia Legislativa. “Já foi adquirido um terreno de 3015 hectares na entrada de Parnaíba para ser instalada a ZPE, estamos providenciando os últimos detalhes para implantação da Zona de Processamento”, afirmou Mirócles Veras.
A empresa será criada como economia mista,tendo a participação do poder público e da iniciativa privada. A licença ambiental já foi encaminhada. A ideia é que depois da estruturação do local com a construção de grandes galpões e armazéns, 20% do que for produzido seja encaminhado ao mercado interno, e 80% da produção terá como destino o mercado externo.
As ZPEs foram criadas em 1988, pelo então presidente José Sarney,que criou 13 Zonas de Processamento, depois, o também ex-presidente Itamar Franco criou mais quatro ZPEs. Em todo o país já existem 17 decretos de criação de Zonas de Processamento de Exportação, agora o processo é de implantação da ideia no Brasil. Mesmo com a implantação há mais de 20 anos, só agora a ideia voltou a ganhar força. Já são três ZPEs construídas: Araguaína (TO), Ibituba (SC), Teófilo Antônio (MG).
Segundo o presidente da Associação Brasileira das Zonas de Processamento (Abrazpe), convênios com a Finepi irão proporcionar um ambiente totalmente informatizado em ligação direta com os computadores da Receita Federal. A discussão agora é de um projeto de alfandegamento.
A ZPE de Parnaíba irá funcionar como um Distrito Industrial com um fluxo de pessoas e mercadorias de inúmeras empresas. “As empresas participantes estarão realizando processos industriais e terão que exportar suas mercadorias, isso será convertido em isenção de impostos. O controle restrito é para não criar condições de uma concorrência desleal”, enfatizou Helson Cavalcante Braga.
A ZPE é tratada pela receita como se fosse uma fronteira e por isso tem a responsabilidade de controlar essas áreas alfandegárias, para isso uma administradora será criada para cuidar do processo. A área terá que ser totalmente isolada para funcionar como uma área de comércio exterior.
Para o delegado da Receita no Piauí, João Batista, do ponto de vista jurídico a ZPE de Parnaíba é muito recente. “Os desafios maiores estão com o Governo do Estado e com o núcleo organizador da ZPE de Parnaíba, que deve cuidar da atração das empresas”, finalizou João Batista Barros.
Fonte: Governo PI


Governo e empresários vão debater implatantação da ZPE durante ...

Agência de Notícias do Acre
O Governo do Estado realiza no próximo dia 30 de julho o Seminário Desafios para a implantação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE). ...

Cartilha ZPE Acre



ITAAN ARRUDA - Jornal A Gazeta, 21-04-2012
Nos últimos meses, o suplemento Acre Economia divulgou notícias sobre a ZPE de maneira sistemática. Falou-se das dificuldades para o cumprimento da legislação, alfandegamento, produção industrial.
Na edição de hoje, vamos tentar explicar, da maneira mais didática possível, o que é uma Zona de Processamento de Exportação e porque o Governo do Acre aposta tanto nessa ideia para repaginar a qualidade da incipiente indústria local.
1) O que é uma ZPE?
ZPE é um distrito industrial, com uma característica muito importante: as empresas instaladas têm alguns impostos reduzidos e outros suspensos. O efeito imediato é a redução dos custos de produção. Simplificando: o que se produz lá fica mais barato do que em qualquer outro lugar.
2) Que justificativa é possível para a criação de uma ZPE?
A criação da ZPE tem algumas justificativas. As mais importantes: a) corrigir desequilíbrios econômicos internos do país. Ou seja, uma região muito rica e outra com pouca circulação de riqueza; b) geração de empregos; c) a aplicação de tecnologias modernas nas empresas instaladas e a forma de gestão influenciam outras empresas na região; d) crescimento do setor de serviços para atender às demandas trazidas pela ZPE.
3) Se é tão vantajoso assim, por que é tão difícil atrair empresas?
Não é que seja “difícil” entrar na ZPE. Há algumas exigên-cias. Pela atual legislação, 80% do que se produzir na ZPE deve ser exportado. Isso quer dizer o seguinte: por exemplo, se uma indústria vai produzir colchões na ZPE do Acre, ela é obrigada por lei a vender para fora do país 80 de cada grupo de 100 colchões. Apenas 20 serão comercializados no Brasil.
4) E isso não é ruim?
Não. Isso é bom. Para seguir o exemplo da pergunta anterior, é preciso observar quantas empresas têm capacidade real de produzir colchões em larga escala e que tenham aceitação garantida no mercado externo. Regularidade na produção em larga escala para comercialização no exterior: esse é o perfil fundamental da uma empresa para estar na ZPE.
5)    Para uma ZPE, o mercado interno não é prioridade.
Exatamente. A prioridade é o mercado externo. Mas, para o Acre, a comercialização de 20% já pode trazer efeitos positivos para o consumidor. Para continuar com o exemplo anterior: uma parte dos 20% dos colchões produzidos na ZPE pode ser vendida aqui mesmo no Acre a um preço muito interior ao que é praticado atualmente no mercado. E isso é uma vantagem para o consumidor acreano.
6) Não tem como aumentar essa porcentagem de vendas dentro do Brasil?
Existe essa possibilidade. Há uma proposta de mudança na lei que regulamenta a ZPE feita pelo senador Jorge Viana (PT/AC). Ele quer passar de 20 para 40% a porcentagem a ser comercializada internamente no Brasil. Mas, isso ainda vai ser votado no Congresso Nacional. E não vai ser uma votação fácil.
7) Por que?
Porque estados que já têm indústrias consolidadas como Amazonas e São Paulo vão se sentir prejudicados. Eles ava-liam que essa mudança na lei pode incentivar a migração das indústrias para as ZPE’s ou as novas empresas que vierem a se instalar no país perceberem que é mais atrativo vir para ZPE’s e não para os parques industriais paulistas e amazonenses.
8) ZPE é a mesma coisa que Zona Franca?
Não. São sistemas distintos por uma série de razões. O que se assemelha são os incentivos fiscais e o regime de cobrança de impostos diferenciado (regime de tributação). A diferença mais evidente é que a ZPE tem como prioridade o mercado externo e a Zona Franca não. A Zona Franca como a de Manaus, por exemplo, mantém grandes unidades empresarias com linhas de montagem. Na ZPE, há o beneficiamento dos insumos. Há transformação da matéria prima em produtos.
9) Muito se falou sobre o alfandegamento da ZPE do Acre. O que é isso?
O alfandegamento é uma espécie de autorização concedida por um órgão chamado Receita Federal. Essa instituição cuida da fiscalização e da cobrança dos impostos federais. Qualquer empresa que venha a ter um regime diferenciado de cobrança de impostos tem que ter a autorização da Receita Federal. Como a ZPE é uma reunião de empresas com esse privilégio, então é necessária essa “autorização”. E não é fácil consegui-la. A Receita é muito rigorosa no cumprimento da lei. O alfandegamento é uma conquista importante. O Acre teve a primeira ZPE alfandegada do país.
10) E agora, o que falta?
Depois de “autorizada” a funcionar, agora, ela tem que entrar em operação. Funcionar, de fato. Para isso, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação deve aprovar os planos de negócios (uma apresentação do que as empresas pretendem produzir na ZPE e para quem vender) e liberar a construção dos galpões, instalação dos equipamentos e início dos trabalhos.



ZPE - Informações Básicas e Legislação - jan2012 (mdic)


Carta de intenção para indústrias interessadas em se instalar na ZPE

30-Jul-2010
Empresários interessados têm até 31 de agosto para protocolar o pedido
Os empresários interessados em se instalar na Zona de Processamento de Exportação do Acre (ZPE/AC) devem preencher a Carta de Intenção, que também tem como objetivo identificar nesta primeira fase o perfil das indústrias.
O preenchimento do formulário não assegura que as empresas interessadas sejam selecionadas. A autorização de instalação das Indústrias na ZPE/AC é exclusiva do Conselho Nacional de Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), de acordo com as normas e legislação vigentes.
A Carta de Intenção deverá ser protocolada na Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), situada no Palácio das Secretarias, Avenida Getúlio Vargas, 232, 4º andar (Centro) - Rio Branco-Acre, CEP: 69900-660, aos cuidados do economista Aloisio Detomini.
O prazo máximo do protocolo da Carta de Intenção será até o dia 31/08/2010 às 18 horas.
As Cartas de Intenção serão previamente selecionadas por um comitê técnico, com a finalidade de oferecer o seguinte apoio aos proponentes: i) Treinamento Básico em Comercio Exterior; ii) Consultoria especializada para elaboração do Perfil Industrial da Indústria a ser instalada.
Acesse aqui o modelo da Carta de Intenção  ## MODELO DOCS GOOGLE
Saiba mais sobre a ZPE




Criada a primeira ZPE do Estado de SP

DCI
As Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) foram criadas no Brasil pelo Decreto-Lei n. 2.452/1988, substituído pela Lei n. 11.508/2007 (modificada pela ...

Núcleo de estudos se reúne para definir implantação - Governo do ...

“Já foi adquirido um terreno de 3015 hectares na entrada de Parnaíba para ser instalada a ZPE, estamos providenciando os últimos detalhes para implantação da Zona de Processamento”, afirmou Mirócles Veras. ... José Sarney,que criou 13 Zonas de Processamento, depois, o também ex-presidente Itamar Franco criou mais quatro ZPEs. Em todo o país já existem 17 decretos de criação de Zonas de Processamento de Exportação, agora o processo é de implantação da ideia no Brasil. ...
Governo do Estado do Piauí - http://www.piaui.pi.gov.br/

Global 21 : ZPEs - Zonas de processamento de exportação podem ...

Áreas de comércio exterior não saem do papel há décadas.
www.g21.com.br/materias/materia.asp?cod=30223&tipo...

ZONAS DE PROCESSAMENTO DE EXPORTAÇÃO PODEM CADUCAR - Intelog ...

Mais de duas décadas se passaram e nenhuma das ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação) está em funcionamento no país. Idealizadas em 1988, essas áreas ...
www.intelog.net/artigosnoticias/go.asp?ID=705220
Zonas de processamento de exportação podem caducar

PorkWorld
Zonas de processamento de exportação podem caducar. Mais de duas décadas se passaram e nenhuma das ZPEs (Zonas de Processamento de exportação) está em ...
porkworld.com.br/.../zonas-de-processamento-de-exportacao-...

PARECER Nº , DE 2010
Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no. Município de São Borja, no Estado do Rio. Grande do Sul. RELATOR: Senador ELISEU RESENDE. I – RELATÓRIO ...
www.senado.gov.br/atividade/materia/getTexto.asp?t...c...


ZONAS DE PROCESSAMENTO DE EXPORTAÇÃO - Sob pressão aliada, Lula amplia ZPEs / Raquel Ulhôa
Governo: Quatro distritos devem iniciar a operação até o fim do ano. VALOR ECONÔMICO


Nove Zonas de Processamentos ZPEs podem perder autorização do governo
Nove Zonas de Processamento de Exportações (ZPE) podem perder autorização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para serem instaladas. Terminou hoje o prazo para as ZPEs, que foram constituídas até 1994, cumprirem as exigências do governo. O ministério vai agora analisar a documentação e depois publicar no Diário Oficial da União quais ZPEs poderão ser instaladas.

ZPE é um distrito industrial, onde as empresas nele localizadas operam com isenção de impostos e liberdade cambial (não são obrigadas a converter em reais as divisas obtidas nas exportações), com a condição de destinarem a maior parte de sua produção ao mercado externo.
O governo publicou hoje no Diário Oficial decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a criação de seis ZPEs. Foram contemplados os municípios de Boa Vista (RR), Parnaíba (PI), Bataguassu (MS), Fernandópolis (SP), Senador Guiomard (AC) e Aracruz (ES). A criação dessas ZPEs já tinha sido aprovada, em maio, pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportações (CZPE). Mas era preciso a publicação de decreto presidencial para que a criação das ZPEs fosse concretizada.
Segundo o MDIC, com a publicação dos decretos presidenciais, passa a contar o prazo de 90 dias para que sejam constituídas as empresas que irão administrar as ZPEs. Somente depois deste prazo, está previsto o início das obras de infraestrutura.
Nenhuma ZPE está ainda em funcionamento no Brasil. Depois da instalação da administradora e do término das obras de infraestrutura, há a necessidade de alfandegamento, feito pela Receita Federal, e a apresentação de projetos industriais. As ZPEs foram criadas para atrair investimentos estrangeiros voltados para as exportações.
A suspensão de tributos para as ZPEs é concedida na compra de bens e serviços do mercado interno - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e PIS/ PASEP - e na importação. Nesse caso, a suspensão fiscal será aplicada sobre o Imposto de Importação, IPI, Cofins, PIS/PASEP e Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).
Entre os incentivos administrativos está a dispensa de licença ou de autorização de órgãos federais - com exceção dos controles de ordem sanitária, de interesse da segurança nacional e de proteção do meio ambiente -, além de mais agilidade nas operações aduaneiras. O prazo de vigência dos incentivos previstos para uma empresa em ZPE é de até 20 anos, prorrogável por igual período.



Seminário vai discutir instalação de Zona de Exportação que prevê a criação de 6 mil empregos
Nayanne Santana, da Agência Agazeta.net Sex, 23 de Julho de 2010 16:26
Seplan espera que em alguns anos o Acre tenha cerca de 30 indústrias instaladas na Zona de Processamento de Exportação
Empresários e secretários estão otimistas com instalação da ZPE no Acre (Foto: Gleyciano Rodrigues/ Agazeta.net)Até o início de janeiro do próximo ano o Governo do Estado espera ter pelo menos 14 indústrias instaladas na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), que será no município de Senador Guiomard.
A projeção para que isto aconteça, em breve, foi anunciada nesta sexta-feira, 23, pelo secretário de Planejamento do Estado, Gilberto Siqueira.
Siqueira apresentou uma cartilha que explica o que são as ZPE's e a importância delas para o desenvolvimento do País. Este mesmo tema será discutido em um seminário que acontece no dia 30 deste mês.
A idéia é reunir empresário de todo o Acre para que eles entendam a proposta da ZPE e possam aderir a esse projeto que tem como foco principal gerar 6 mil empregos e que terá investimentos no valor de R$ 167 milhões.
Os interessados em conhecer a cartilha ou em participar do seminário devem acessar o site do Governo do Estado.
Entenda o que é a ZPE e como ela pode mudar os rumos do Acre
De acordo com a cartilha, as ZPE's são distritos industriais incentivados, onde as empresas que se instalam nele operam com redução ou suspensão de impostos e contribuições federais e liberdade cambial.
A apresentação aconteceu durante uma reunião que contou com a presença do secretário de Ciência e Tecnologia, Cesar Dotto, do presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac), João Salomão; do presidente da Federação do Comércio (Fecomércio), Leandro Domingos e do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (FAEAC), Assuero Veronez.
Avanços para o Acre - Para o presidente da Fecomércio, Leandro Domingo a instalação da ZPE no Acre vai possibilitar um avanço nunca visto no Estado.
"Com a instalação vislumbramos a entrada no mercado peruano e boliviano", afirmou.
Leandro Domingos disse destacou que a ZPE do Acre será uma oportunidade de trazer para o Estado empresas geradoras de empregos que possam incluir em seus quadros de colaboradores os estudantes que atualmente têm dificuldade de entrar no mercado de trabalho
"Teremos novos tempos no Acre", avaliou Domingos.
O presidente da FAEAC, Assuero Veronez lembrou que o Estado vive um crescimento notório nos últimos 12 anos e que as políticas de investimento no desenvolvimento do Acre estão apresentando resultados.
"Não é sempre que temos essa facilidade de encontrar a disponibilidade de crédito, como tem acontecido e isso que possibilitou a instalação desta ZPE no Acre", destacou Veronez.
Novo linhão dará segurança aos investidores - De acordo com o presidente da Fieac, João Salomão, os constantes apagões que acontecem no Acre não deverão interferir nos planos de efetivação da ZPE.
"Deve ser instalado um segundo linhão no Acre. Este novo linhão dará suporte às empresas que se instalarão no município de Senador Guiomard. A empresa Eletrobras está trabalhando para que a instalação deste novo linhão seja o mais breve possível", adiantou Salomão.


ZPE do Acre: R$ 167 milhões de investimentos em dois anos e 6.000 empregos
Escrito por Edmilson Ferreira - 23-Jul-2010
Governo do Estado e federações lançam cartilha para tirar dúvidas sobre Zona de Processamento de Exportação e convidar população para seminário no dia 30
O Governo do Acre e instituições parceiras reuniram a imprensa na sede da Federação das Indústrias do Acre (Fieac) nesta sexta-feira, 23, para apresentar mais informações sobre a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre, criada oficialmente pelo Presidente Lula no último dia 1 deste mês. O ato marcou o lançamento da cartilha "ZPE Acre - perguntas e respostas", que tira todas as dúvidas sobre o empreendimento. Estudos divulgados pelo secretário de Planejamento, Gilberto Siqueira, indicam que nas áreas já consolidadas e naquela em fase de desapropriação pelo Governo do Acre, a ZPE irá receber, nos próximos dois anos, ao menos 14 empresas que realizarão investimentos de R$ 167 milhões e irão gerar 6.000 empregos diretos e indiretos. Estiveram presentes os presidentes das federações da Indústria, João Salomão; Agricultura, Assuero Veronez; e do Comércio, Leandro Domingos.

O encontro serviu ainda para reafirmar a realização de um seminário no próximo dia 30, no auditório da Fieac, a partir das 8h30, quando serão reunidos empresários locais interessados em debater o processo de implantação da ZPE. Há 180 vagas disponíveis. Entre outros atos, o seminário irá possibilitar a assinatura de um protocolo entre ZPE/Acre e agências de fomento para abertura de crédito especial destinado às empresas que se interessam em se instalar no Estado.
A ZPE do Acre será implantada na BR-317, a pouco mais de um quilômetro do Centro de Senador Guiomard. A ZPE ocupa um terreno de 130 hectares e há outros 80ha em fase de aquisição. O advento da ZPE ocorre em uma Zona Especial de Desenvolvimento (ZED), conceito criado pelo governador Binho Marques para definir áreas de maior dinâmica econômica, localizadas na área de influência direta das rodovias federais BR-317 e BR-364, dotadas de melhor infraestrutura, com empreendimentos consolidados, ocupação territorial definida e significativo capital social. São, portanto, regiões de baixa vulnerabilidade ambiental e alta capital humana. Por essa política, há o compromisso do Governo de atuar nessas regiões buscando conter o desmatamento, reverter o impacto ambiental e consolidar empreendimentos de base florestal, promover novos negócios estratégicos e reinserir áreas alteradas/degradadas ao sistema produtivo. As instalações já construídas pelo Governo do Estado, onde estava previsto inicialmente o funcionamento do Porto Seco, já destinavam espaços específicos para as atividades de fiscalização, vigilância e controle aduaneiros, de interesse da segurança nacional, fitossanitários e ambientais. "A ZPE é uma forma moderna de se relacionar com a economia do mundo", disse o secretário de Planejamento do Acre, Gilberto Siqueira (um dos articuladores do projeto) ao defender a postura do Presidente Lula quanto ao encaminhamento da questão.

As empresas instaladas em ZPE têm direito aos seguintes benefícios, conforme descritos na Lei 11.508/2007, que trata do assunto: suspensão do Imposto de Importação; do IPI; do PIS/Cofins; do PIS-Importação/Cofin-Importação; e do AFRRM para as importações e aquisições no mercado interno de insumos e de bens de capital; liberdade cambial (as empresas não são obrigadas a internar as divisas obtidas por suas exportações); e procedimentos administrativos simplificados nas exportações e importações. A coordenação da ZPE estará a cargo de uma empresa criada exclusivamente para este fim. Em agosto, ela será anunciada.
Para se instalarem em ZPE as empresas precisam exportar o equivalente a pelo menos 80% de sua renda bruta e ter um projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Zonas de Processamento de Exportação (CZPE). Quando exportarem seus produtos, a suspensão acima se converte em isenção. Quando da venda da parcela restante no mercado interno, são cobrados os impostos/contribuições suspensos. Tudo isso garantido por até 20 anos (podendo ser prorrogado por igual período, dependendo da dimensão do projeto). O posicionamento do Acre no contexto dos novos eixos de integração física regional na visão do Programa de Integração da Infra-Estrutura Regional da América do Sul, ainda não impactou plenamente sua logística de transportes. Embora o Governo do Estado em parceria com o Governo Federal estejam realizando importantes investimentos em sua infraestrutura interna, os maiores resultados ainda acontecerão com a conclusão de duas importantes obras em curso: o asfaltamento da BR-364 e da Rodovia Interoceânica em território peruano, ambas com previsão próxima de inauguração. Com a homologação, as instalações do Porto Seco estão agora incorporadas à ZPE. Trata-se de um terminal intermodal terrestre diretamente ligado pela via rodoviária (ou ferroviária). Além de seu papel na carga de transbordo, podem também incluir instalações para armazenamento e consolidação de mercadorias, manutenção de transportadores rodoviários ou ferroviários de carga e de serviços de despacho aduaneiro. "Nós estamos muito empolgados neste momento. A gente sabe que ZPE irá captar grandes investimentos e nós entendemos que as empresas têm de ser altamente geradoras de emprego", disse o presidente da Fecomércio, Leandro Domingos.
Leia aqui a cartilha e acesse a ficha de inscrição e programação do Seminário
A única ZPE com portos do Pacífico como destino
De acordo com as estatísticas do Ministério Desenvolvimento, Comércio e Indústria, os principais países de destino das exportações do Acre são, pela ordem em 2007, o Reino Unido, a Bolívia, a China, os Estados Unidos e a Bélgica. Em princípio, estes seriam os mercados potenciais das empresas localizadas na ZPE do Acre, apesar de que não necessariamente as exportações de produtos industriais teriam a mesma composição da pauta atual, predominantemente composta de produtos primários ou com pequena agregação de valor. No entanto, em médio prazo (quando a ZPE estiver beneficiando tais produtos), é bastante provável que estes mesmos mercados tendam a absorver grande parte dessa produção.
A expectativa, em curto prazo, entretanto, é de que a ZPE do Acre se transforme, pela sua proximidade e condições logísticas, em uma plataforma de suprimento parcial dos produtos brasileiros para os mercados dos países vizinhos. Embora não se deva esperar que a base industrial de suprimento a esses mercados se transfira para a ZPE do Acre, é possível que parte dela possa considerar que a implantação de unidades para a ZPE acreana lhes daria melhores condições competitivas para a penetração naqueles mercados. "A união das entidades é fundamental para esta nova e mais complexa etapa", observou o presidente da Federação da Agricultura, Assuero Veronez.

Cerca de 30 milhões de pessoas que vivem em um raio de 750 quilômetros do Acre deverão ser impactadas pela ZPE. O primeiro destes efeitos se traduz em demanda por serviços, bens de capital, mão-de-obra e matérias primas para as empresas instaladas na ZPE. O segundo, em difusão de novas tecnologias, treinamento de mão-de-obra e em práticas de gestão mais modernas, adotadas pelas empresas da ZPE. Outros novos investimentos serão implantados em módulos, de acordo com a demanda de instalação das indústrias. A implantação do primeiro módulo, com 25 hectares (equivalente ao tamanho do atual Parque Industrial de Rio Branco) do total dos 120 hectares, está orçada em R$ 11,2 milhões.
Conhecendo a ZPE
Além de pertencerem à mesma classe de zonas francas, as ZPE's, a Zona Franca de Manaus e as Áreas de Livre Comércio (ALCs) têm em comum o objetivo da promoção do desenvolvimento regional. A diferença é que enquanto a ZFM praticamente se restringe à cidade de Manaus (mantendo uma ação desenvolvimentista bastante acanhada no restante da Amazônia Ocidental), as ZPE's, embora fisicamente menores, têm uma abrangência geográfica mais ampla, na medida em que poderão ser instaladas em todo o País. Os produtos fabricados na ZFM, quando vendidos no mercado interno, gozam de isenção do IPI e de redução de 88% do imposto de importação incidente sobre os componentes importados.
Assim, a ZFM dispõe de condições mais favoráveis do que as ZPE's quando se trata de vendas no mercado doméstico. Porém, quando se trata de exportações - e é para isso que as ZPE's são fundamentalmente criadas - elas contam com incentivos mais significativos. No Porto Seco, as mercadorias importadas podem ser desembaraçadas ou serem mantidas com suspensão de impostos, até a sua regularização aduaneira; e as destinadas ao mercado externo são consideradas exportadas para todos os efeitos fiscais, cambiais e creditícios.



Governador sanciona lei que cria administradora da ZPE no Acre

Nayanne Santana, do Site Agazeta.net*
Sex, 30 de Julho de 2010 15:53
Assinatura aconteceu no Seminário que discutiu os desafios de implantação da ZPE no Estado contou com a participação do Ministro Alexandre Padilha e empresários acreanos
Gilberto Siqueira explica ao governador Binho como funcionará o sistema na ZPE (Foto: Dhárcules Pinheiro/ A Tribuna)
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Saiba mais
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Nesta sexta-feira, 30, o governado Binho Marques assinou a lei que cria a Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Acre Sociedade Anônima (AZPE-AC S/A). Trata-se de uma empresa de economia mista vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia que irá gerir e manter a ZPE do Acre.
A assinatura aconteceu durante o Seminário Desafios para Implantação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre, que segundo os organizadores superou as expectativas de inscrições.
O secretário de Planejamento do Estado, Gilberto Siqueira, ressaltou que no início eram 180 vagas disponíveis para o seminário, mas a procura foi maior do que as vagas propostas e 230 empresários participaram do evento.
"Todos os que estão pensando em negócios para começar a implantação da ZPE", afirmou Siqueira.
O governador Binho Marques destacou que está muito satisfeito com porque a ZPE é uma realidade no Estado e representa muito porque, de acordo com ele, é um passo fundamental para a industrial.
"Durante muito tempo o Acre teve uma localização geográfica que era considerada difícil, mas hoje isso mudou e o Acre hoje tem o posicionamento mais estratégico do Brasil. Porque nós estamos próximos do mercado mais avançado do mundo, que é o mercado asiático e o oeste norte-americano", ressaltou Marques.
O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, destacou também que o Acre fica no centro de uma região que está próxima de países como Peru, Bolívia e ainda há a conexão via terrestre com o Pacífico.
"O Acre é privilegiado para produzir, para exportar e não só pela situação geográfica, mas porque o Estado produz coisas diferenciadas como é o caso da fabrica de preservativos", afirmou o ministro.
Visita a ZPE - Após participar da abertura do seminário e de assinar a lei que criou a AZPE-AC S/A o governador Binho Marques
Ministro Alexandre Padilha conheceu local onde será a ZPE (Foto: Secom/ Angela Peres)acompanhou o Ministro Alexandre Padilha ao local onde estão sendo feitas as instalações da Zona de Processamento de Exportação.
O local onde funcionará a ZPE do Acre será na BR-317, em de Senador Guiomard e possui um terreno de 130 hectares, sendo que há outros 80 em fase de aquisição.
As ZPE's (ou mecanismos similares) são o instrumento mais utilizado no mundo para promover, simultaneamente, os seguintes objetivos:
* Atrair investimentos estrangeiros voltados para as exportações;
* Colocar as empresas nacionais em igualdade de condições com seus concorrentes localizados em outros países, que dispõem de mecanismos semelhantes;
* Reduzir desequilíbrios regionais;
* Criar empregos;
* Aumentar o valor agregado das exportações e fortalecer o balanço de pagamentos;
* Difundir novas tecnologias e práticas mais modernas de gestão;
* A experiência internacional comprova que as ZPE's efetivamente promovem esses objetivos.
Fonte: Agência de Notícias do Acre)
*Com informações da Agência de Notícias do Acre



Binho cria empresa administradora da ZPE durante Seminário com o ministro Alexandre Padilha


Escrito por Edmilson Ferreira

30-Jul-2010

AZPE-AC S/A teve lei sancionada na abertura do seminário Desafios Para Implantação da ZPE, que trouxe ao Acre o ministro das Relações Institucionais da Presidência da República
Durante Seminário, Governador sanciona lei que cria Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Acre (Fotos: Gleilson Miranda/Secom)

O governador Binho Marques sancionou nesta sexta-feira, 30, a lei 2.296, de 10 de julho, que cria a Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Acre Sociedade Anônima (AZPE-AC S/A), empresa de economia mista vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia que irá gerir e manter a ZPE do Acre. O ato marcou a abertura do seminário Desafios para Implantação da ZPE no Acre, promovido pelo Governo do Estado em parceria com a Federação das Indústrias (Fieac). O seminário foi precedido da apresentação da Agenda "Novo Ciclo de Desenvolvimento", organizada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES). Participaram do ato o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha; o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Abedic) e conselheiro, Paulo Simão; e Júlio Barbosa de Aquino, ex-conselheiro do CDES. Estiveram presentes também, além de empresários, os presidentes de associação, federações e sindicatos Leandro Domingos (Federação do Comércio), Assuero Veronez (Federação da Agricultura), Carlos Sassai (Sindicato da Indústria da Construção Civil), João Fecury (Associação Comercial do Acre), Rubenir Guerra (Clube dos Dirigentes Lojistas), além do presidente do Tribunal de Justiça, Pedro Ranzi, e os prefeitos Raimundo Angelim, de Rio Branco, e James Pereira, de Senador Guiomard.
Tendo em vista a celeridade com que o projeto está se concretizando, já em dezembro próximo estará tudo preparado para que no mês de janeiro de 2011 a ZPE comece a receber suas primeiras indústrias. O ministro Alexandre Padilha avaliou que a ZPE acreana possui realmente vantagens competitivas inclusive a partir do avanço na educação, cujos indicadores estão entre os melhores do Brasil em várias situações. Além disso, citou Padilha, o Acre interliga-se aos portos do Pacífico - e dali aos mercados asiáticos, os que mais crescem no mundo - pela Rodovia Interoceânica (ou Estrada do Pacífico) e se encontra numa região de grande desenvolvimento da infraestrutura, como é o caso de obras proporcionadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) criado pelo Presidente Lula. Uma dessas obras são as usinas hidrelétricas do rio Madeira, que entram em operação nos próximos anos garantindo energia elétrica estável.
O presidente da Fieac saudou ao governador, ao ministro e a todos os presentes ao seminário, que marca um novo tempo para o Acre e toda esta parte da Amazônia. "Agradeço ao Presidente Lula, ao governador Binho Marques e ao senador Tião Viana. Acreditamos que a ZPE abre novas e promissoras perspectivas para o Acre", disse o dirigente industrial. Países que adotaram a ZPE como plataforma de negócios internacionais agregaram 0,9% ao seu Produto Interno Bruto (PIB).

Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, elogiou projeto do Acre

(Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Para o governador, o Estado venceu as etapas para um novo momento em sua história. "O Acre fez a lição de casa. Cumprimos com tudo que foi exigido antes do tempo. Acho que o Acre está tirando nota 10. Tivemos no Acre a última ZPE criada no Brasil, no entanto, vai ser a primeira a ser implantada e inaugurada no País", afirmou Binho Marques. Ele voltou a lembrar a vantagem estratégica do Acre: "Essa ZPE será virada para o mercado asiático, norte americano, e em uma região privilegiada. Tem o diferencial do selo verde, porque daqui sairão produtos sustentáveis. Eu estou feliz e acho que a gente conclui o governo entregando para o futuro governador tudo isso aqui pronto para funcionar".

Binho: ZPE é a cereja do bolo

"A ZPE do Acre será a primeira a entrar em operação no Brasil", afirmou o Governador (Foto: Gleilson Miranda/Secom) De acordo com as estatísticas do Ministério Desenvolvimento, Comércio e Indústria, os principais países de destino das exportações do Acre são, pela ordem em 2007, o Reino Unido, a Bolívia, a China, os Estados Unidos e a Bélgica. Em princípio, estes seriam os mercados potenciais das empresas localizadas na ZPE do Acre.
A expectativa, em curto prazo, entretanto, é de que a ZPE do Acre se transforme, pela sua proximidade e condições logísticas, em uma plataforma de suprimento parcial dos produtos brasileiros para os mercados dos países vizinhos. Cerca de 30 milhões de pessoas que vivem em um raio de 75 quilômetros do Acre deverão ser impactadas pela ZPE. O primeiro destes efeitos se traduz em demanda por serviços, bens de capital, mão-de-obra e matérias primas para as empresas instaladas na ZPE. O segundo, em difusão de novas tecnologias, treinamento de mão-de-obra e em práticas de gestão mais modernas, adotadas pelas empresas da ZPE. Outros novos investimentos serão implantados em módulos, de acordo com a demanda de instalação das indústrias.
"A ZPE do Acre é a cereja do bolo. Será a primeira a entrar em operação no Brasil", disse o governador referindo-se à estrutura que o Acre criou ao longo dos últimos doze anos e que agora culmina com a ZPE, o mais moderno processo de relação com o mercado mundial. O compromisso de investir R$ 3,2 bilhões ao longo do governo de Binho Marques foi alcançado muito antes do fim do mandato - em junho passado. "Chegaremos a R$ 3,8 bilhões em investimentos até o final do ano", assegurou Binho.

Acre tem muitas vantagens competitivas

Na observação de Alexandre Padilha, o projeto ZPE não sobrevive sem investimento em educação - e nisto o Acre vem sendo referência, uma vez que tem alcançado saltos de qualidade no ensino fundamental e médio, sobretudo no ensino técnico através do Instituto Dom Moacyr. "Está todo mundo olhando com carinho esta ZPE porque ela tem especificidades", disse o ministro. Estudos indicam que nas áreas já consolidadas e naquela em fase de desapropriação pelo Governo do Acre, a ZPE irá receber, nos próximos dois anos, ao menos 14 empresas que realizarão investimentos de R$ 167 milhões e irão gerar 6.000 empregos diretos e indiretos.
A inovação tecnológica deve ser algo muito presente para a melhor qualidade de uma ZPE, avaliou o ministro. Nesse sentido, fez referência à fábrica de preservativos masculinos Natex, de Xapuri, que utiliza látex de seringal nativo na sua linha de produção, constituindo na única unidade com essa concepção. O programa Floresta Digital também se insere nesse contexto, uma vez que tem assegurado acesso livre e gratuito à internet. O Presidente Lula editou recentemente várias medidas para estimular a inovação tecnológica na iniciativa privada brasileira, inclusive dispensando de licitação produtos dessa natureza nas compras públicas. Fundos de investimentos e agências de fomento estão destinando recursos para apoiar as empresas que se habilitem a esse projeto. Todos esses propósitos estão contidos na Agenda Novo Ciclo de Desenvolvimento.
Binho e ministro visitam área da ZPE
Binho e ministro visitaram instalações da ZPE do Acre, em Senador Guiomard (Fotos: Angela Peres/Secom)

A ZPE do Acre será implantada na BR 317, a pouco mais de um quilômetro do Centro de Senador Guiomard. A ZPE ocupa um terreno de 130 hectares e há outros 80 ha em fase de aquisição. O local, palco de R$ 5 milhões em investimentos apenas nesta primeira fase, foi visitado pelo governador Binho Marques e o ministro Alexandre Padilha no começo da tarde desta sexta-feira. O advento da ZPE ocorre em uma Zona Especial de Desenvolvimento (ZED), conceito criado pelo governador BInho Marques para definir áreas de maior dinâmica econômica, localizadas na área de influência direta das rodovias federais BR-317 e BR-364, dotadas de melhor infraestrutura, com empreendimentos consolidados, ocupação territorial definida e significativo capital social. De acordo com a empresa responsável pela obra, a previsão é de que em 30 a 40 dias, toda a parte administrativa esteja pronta.
As instalações já construídas pelo Governo do Estado, onde estava previsto inicialmente o funcionamento do Porto Seco, já destinavam espaços específicos para as atividades de fiscalização, vigilância e controle aduaneiros, de interesse da segurança nacional, fitossanitários e ambientais. A estrutura da ZPE será composta pela área de administração, um restaurante, uma agência dos correios, um posto de saúde, uma oficina mecânica para os caminhões, 12 salas para funcionamento dos órgãos fiscalizadores como Ibama e Anvisa, agência bancária para operações de câmbio, e um galpão de 1.470 m² que irá funcionar como um pátio para escoamento da mercadoria, com espaço para instalação de uma câmara frigorífica. Todas essas instalações são adaptadas com acessos para cadeirantes, iniciativa pioneira da ZPE do Acre.
Galpão de 1.470 m² irá funcionar como um pátio para escoamento da mercadoria

(Foto: Angela Peres/Secom)
Tirando dúvidas sobre ZPE

Além de pertencerem à mesma classe de zonas francas, as ZPE's, a Zona Franca de Manaus e as Áreas de Livre Comércio (ALCs) têm em comum o objetivo da promoção do desenvolvimento regional. A diferença é que enquanto a ZFM praticamente se restringe à cidade de Manaus (mantendo uma ação desenvolvimentista bastante acanhada no restante da Amazônia Ocidental), as ZPE's, embora fisicamente menores, têm uma abrangência geográfica mais ampla, na medida em que poderão ser instaladas em todo o País.
Os produtos fabricados na ZFM, quando vendidos no mercado interno, gozam de isenção do IPI e de redução de 88% do imposto de importação incidente sobre os componentes importados. Assim, a ZFM dispõe de condições mais favoráveis do que as ZPE's quando se trata de vendas no mercado doméstico. Porém, quando se trata de exportações - e é para isso que as ZPE's são fundamentalmente criadas - elas contam com incentivos mais significativos. No Porto Seco, as mercadorias importadas podem ser desembaraçadas ou serem mantidas com suspensão de impostos, até a sua regularização aduaneira; e as destinadas ao mercado externo são consideradas exportadas para todos os efeitos fiscais, cambiais e creditícios. As empresas instaladas em ZPE têm direito aos seguintes benefícios: suspensão do Imposto de Importação; do IPI; do PIS/COFINS; do PIS-Importação/COFINS-Importação; e do AFRRM para as importações e aquisições no mercado interno de insumos e de bens de capital; liberdade cambial (as empresas não são obrigadas a internar as divisas obtidas por suas exportações); e procedimentos administrativos simplificados nas exportações e importações.
Para se instalarem em ZPE as empresas precisam exportar o equivalente a pelo menos 80% de sua renda bruta e ter um projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Zonas de Processamento de Exportação (CZPE). Quando exportarem seus produtos a suspensão acima se converte em isenção. Quando da venda da parcela restante no mercado interno, são cobrados os impostos/contribuições suspensos. Tudo isso garantido por até 20 anos (podendo ser prorrogado por igual período, dependendo da dimensão do projeto.

As ZPE's (ou mecanismos similares) são o instrumento mais utilizado no mundo para promover, simultaneamente, os seguintes objetivos:
Atrair investimentos estrangeiros voltados para as exportações;
Colocar as empresas nacionais em igualdade de condições com seus concorrentes localizados em outros países, que dispõem de mecanismos semelhantes;
Reduzir desequilíbrios regionais;
Criar empregos;
Aumentar o valor agregado das exportações e fortalecer o balanço de pagamentos;
Difundir novas tecnologias e práticas mais modernas de gestão;
A experiência internacional comprova que as ZPE's efetivamente promovem esses objetivos.


O QUE ELES DISSERAM
O Acre tem um grande potencial e pode ser a ponta de lança da representação do Brasil com esse grande mercado que se cria na América do Sul através da nossa interligação com o Pacífico. O Estado será nossa porta de entrada para que nossos produtos cheguem de forma mais rápida e mais barata em todo sudeste Asiático. E eu tenho certeza que o Acre não vai só exportar produtos típicos da Amazônia, ou derivados, como é a cadeia da borracha. Eu acho que com a ZPE e a conclusão da BR 364 e 317, o Acre vai ter condições de instalar aqui produtos que são fabricados em outros cantos do Brasil, mas que não vão ter mercado tão promissor como esse que surge a partir da ligação direto com o Pacífico.- Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais da Presidência da República


Essa é uma iniciativa extremamente positiva. É uma nova era, um novo momento. O Acre já vem ao longo dos últimos anos tendo um bom desenvolvimento, criando oportunidades, e se preparando para esse momento, tudo isso fruto de uma sequência de bons governos. Desejamos sorte ao projeto acreano, para que ele se torne uma alavanca para a economia não da região, mas do País. A gente tem certeza da potencialidade disso.- Paulo Simão, presidente da Cebic e membro do Conselho de Desenvolvimento Social



FIEAC: 23 anos de luta pela indústria acreana
06 de Julho de 2011




Alfandegamento da ZPE começa este mês

Nayanne Santana   
08-Set-2011
Na próxima semana, zona será supervisionada pelo secretário executivo do Ministério da Indústria e do Comércio
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Edvaldo Magalhães apresentou ao governador um cronograma de ações que a administração da Zona de Processamento já cumpriu. (Foto:Sérgio Vale/Secom)
A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre está cada vez mais próxima de ser a primeira alfandegada no Brasil. A boa notícia foi dada pelo secretário de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia (Sedicts), Edvaldo Magalhães, ao governador Tião Viana na manhã desta quinta-feira, 8, durante visita que o governador fez ao empreendimento.

O delegado da Receita Federal no Acre, Leonardo Frota, o presidente da Federação das Indústrias (Fieac), Carlos Sasai, e o empresário Francisco Salomão também participaram da visita à ZPE.

Edvaldo Magalhães apresentou ao governador e ao delegado da Receita Federal um cronograma de ações que a administração da Zona de Processamento já cumpriu, faltando apenas quatro itens para sua conclusão, permitindo assim que a ZPE seja alfandegada.

“Estamos trabalhando a todo vapor para concluir todas as obras, que são pré-condições para o alfandegamento. Queremos, no próximo dia 20, entrar com o pedido na Receita Federal mostrando e demonstrando que nós cumprimos todos os pré-requisitos para esse alfandegamento”, confirma Magalhães.

O governador Tião Viana ressaltou que o secretário Edvaldo Magalhães e sua equipe têm trabalhado com empenho, determinação e contado com um apoio permanente da delegacia da Receita Federal no Acre por meio do delegado Leonardo Frota.

“A estrutura física da ZPE está pronta. Agora temos a nova etapa. Depois que for cumprido o alfandegamento dado pela Receita Federal, acontecerá a construção das novas indústrias de exportação que vamos ter aqui. É uma questão de semanas para nós olharmos para empregos, bons salários, qualificação de jovens. É uma nova etapa industrial que está surgindo em nosso Estado”, declarou Tião Viana.

Secretario do Ministério da Indústria e Comércio supervisiona ZPE 

Edvaldo Magalhães contou que na próxima semana o secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio virá ao Acre para supervisionar os trabalhos na zona de Processamento de Exportação.

Magalhães também anunciou que haverá um seminário envolvendo empresários e interessados em investir na ZPE. “Acreditamos que, depois disso, entre 60 e 80 dias, vamos ter o alfandegamento da nossa ZPE, e assim começar uma nova fase: a fase da instalação das indústrias”, acrescenta.

A Sedicts informa que dez empresas já demonstraram interesse em trabalhar na ZPE do Estado. Mas a secretaria também buscará parcerias com indústrias do setor de cosméticos, tecidos, madeira, automobilísticos e outros.

Como funciona o alfandegamento 

O delegado da Receita Federal no Acre, Leonardo Frota, explica que logo depois que a ZPE estiver cumprindo todas as exigências para o alfandegamento será iniciado o processo que vai liberar a Zona de Processamento de Exportação para iniciar suas operações.
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“Assim que a ZPE do Acre tiver atendido a todas essas exigências, o processo de alfandegamento é iniciado. A equipe, composta por três auditores, terá entre 30 e 60 dias para concluir o relatório e encaminhá-lo à superintendência, e num prazo de até 10 dias, em média, a superintendência anuncia o parecer propondo o alfandegamento”, detalhou.

Leonardo Frota observou que 95% das exigências já estão cumpridas, faltando apenas alguns detalhes que devem ser concluídos nas próximas semanas.
Atualizado em ( 09-Set-2011 )
 
 
 
Criação de ZPEs
 

Regras para ZPEs podem ser flexibilizadas


Por Raquel Ulhôa, de Brasília, Valor Econômico, 12set2011

O debate sobre a necessidade de o Brasil aumentar suas exportações, principalmente de produtos de maior valor agregado, tem estimulado a discussão sobre a flexibilização das exigências de implantação e funcionamento das Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) - mecanismo concebido exatamente para fomentar esse tipo de operação, segundo seus defensores. O assunto mobiliza especialmente parlamentares e governadores de Estados das regiões Norte e Nordeste.
A pedido do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel - que preside o Conselho Nacional das ZPE (CZPE), órgão do governo que examina e aprova os projetos para esses distritos -, a Associação Brasileira de Zonas de Processamento de Exportação (Abrazpe) preparou uma proposta de revisão da Lei das ZPEs (11.508/2007).
A minuta ainda não foi encaminhada ao governo. No Congresso, surgem alternativas e cresce a pressão para que as regras sejam mudadas, para tornar mais atrativa a operação de indústrias nesses distritos.
A principal sugestão da Abrazpe tem apoio entre os parlamentares e já foi defendida publicamente no Senado, em audiências públicas, pelo próprio Pimentel e pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também já deu sinais favoráveis - todos integram o CZPE.
Trata-se da redução de 80% para 60% do percentual mínimo que as empresas instaladas em ZPE têm de exportar. Ou, dizendo de forma diferente: o aumento de 20% para 40% do percentual que pode ser comercializado internamente. ........SEGUE......


“ZPE do Acre é a mais avançada do país”, afirma secretário do CZPE
Rutembergue Crispim (Assessoria Sedict)
15-Set-201
Visita faz parte dos procedimentos para garantir o funcionamento da zona de Senador Guiomard

“Não tenho dúvidas! Pelo que vi, que a ZPE do Acre pode ser a primeira a entrar em operação.” A afirmação do secretário executivo do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), Gustavo Fontenele Sabóia, foi dada na manhã desta quinta-feira, 15, logo após visita técnica à ZPE do Acre.

A visita faz parte dos procedimentos para garantir o funcionamento da ZPE, localizada em Senador Guiomard (24 quilômetros de Rio Branco). Ele verificou de perto toda a parte física onde funcionará a administradora e o terreno disponível para a instalação das empresas.
Na próxima terça-feira, 20, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Serviços, Ciência e Tecnologia (Sedict), Edvaldo Magalhães, entrará com o pedido de alfandegamento da ZPE do Acre junto à Receita Federal.   ....segue...



TENDÊNCIAS/DEBATES - Folha de São Paulo, 29-10-2011
É adequado prorrogar os incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus?
SIM
O maior projeto regional do país 
VANESSA GRAZZIOTIN
Conforme prometeu no aniversário de 342 anos de Manaus, a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso Nacional a proposta de emenda constitucional (PEC) nº 103/2011, que prorroga os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos.
O governo ainda enviará outra matéria sugerindo a expansão dos incentivos para a região metropolitana da capital.
Esse compromisso, que culminou ainda com a inauguração da ponte sobre o rio Negro, é um aceno positivo para o empresariado que pretende consolidar ou fazer novos investimentos a longo prazo no Estado. Com isso, a presidente fez opção clara a favor do maior projeto de preservação ambiental do país.
Um modelo cujas atividades de baixo impacto ambiental possibilitam ao Amazonas manter 98% da sua cobertura vegetal intacta. Fato atestado cientificamente por instituições como as universidades federais do Amazonas e do Pará e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Esse modelo sustentável apresenta índices sólidos e pujantes. Para se ter ideia, a Zona Franca é responsável por mais de 60% da arrecadação federal da 2ª Região Fiscal, que engloba os Estados do Norte, com exceção de Tocantins.
A Zona Franca de Manaus deve fechar este ano batendo todos os recordes de 2010. As indústrias devem gerar mais de 120 mil empregos diretos e um faturamento de US$ 40 bilhões, maior do que o PIB da Bolívia, Paraguai e Panamá.
A despeito das críticas sobre a renúncia fiscal (isenções, reduções e créditos), estudos técnicos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) comprovaram que, para cada R$ 1 renunciado na Zona Franca, cerca de R$ 1,40 retornou em arrecadação de tributos aos cofres federais, estaduais e municipais. Também, para cada R$ 1 renunciado movimentou-se R$ 1,27 em outros Estados.
Além disso, é preciso levar em conta dois fatores: indústrias de outros Estados são beneficiadas por serem fornecedoras de insumos e componentes da Zona Franca de Manaus, e a diminuição dos impactos ambientais gera economia para os cofres federais.
O modelo também cumpre a finalidade de substituir as importações de produtos acabados no Brasil. Estudo da Suframa atesta que cerca 50% dos insumos utilizados pelas fábricas são nacionais ou regionais.
No setor de duas rodas, 75% dos componentes são nacionais, sendo 45% regionais e 30% de outros Estados. A Moto Honda, por exemplo, é considerada uma "benchmark" do seu grupo empresarial, isto é, fabrica motocicletas com índices de produtividade maior do que a sua matriz no Japão.
O Processo Produtivo Básico exigido das empresas, principal contrapartida aos incentivos fiscais, é o fator preponderante para o aumento contínuo do valor agregado a que me referi.
São algumas questões que justificam a posição favorável do governo federal a esse modelo de sucesso. É claro, porém, que a prorrogação dos incentivos precisa vir acompanhada dos investimentos necessários em infraestrutura e logística, como portos, aeroportos, estradas, oferta de energia, internet e capacitação de capital humano.
Além disso, temos que consolidar a produção local de eletroeletrônicos, sobretudo de televisores, num cenário de convergência tecnológica e digital.
Também precisamos diversificar nossa economia agregando valor aos produtos do bioma amazônico, uma vocação natural da região, mas que requer fortes investimentos públicos e privados em inovação e ciência e tecnologia.
VANESSA GRAZZIOTIN é senadora do PC do B pelo Amazonas. 


NÃO
Anacronismo e resgate da competitividade 
FABIO ARRUDA MORTARA
A prorrogação por 50 anos da Zona Franca de Manaus e a ampliação dos incentivos fiscais aos municípios de toda a região metropolitana da capital amazonense, propostas pela presidente Dilma Rousseff, desagradou até mesmo parlamentares e lideranças locais.
Seu raciocínio é o de que nada adianta a medida se continuarem sendo eliminadas as vantagens comparativas da área, como ocorreu com os tablets e como pode acontecer com a produção de CDs, DVDs e outros produtos.
A preocupação dos políticos amazonenses em perder diferenciais competitivos evidencia o anacronismo de um polo de exceção tributária no cenário da economia globalizada. O Brasil não pode continuar interagindo no comércio internacional e na disputa por investimentos produtivos sem uma uniformidade jurídica e fiscal.
Os danos causados pela ausência dessa conformidade são muito claros nas consequências da guerra fiscal. Por meio desta, são tantos -e às vezes exagerados- os incentivos concedidos por Estados e municípios que não há equívoco em afirmar que o Brasil tem inúmeras "zonas francas". Portanto, a manauara é quase uma ironia.
Por melhor que tenham sido as intenções da presidente Dilma Rousseff, acreditando que poderá gerar mais empregos na região metropolitana de Manaus, desestimulando, assim, o trabalho informal no desmatamento, a verdade é que a medida não atende nem a esse objetivo e muito menos aos interesses maiores do Brasil.
Com certeza, seriam criados muito mais postos de trabalho, no Amazonas e no país, com a remoção nacional dos atuais entraves à competitividade de nossas empresas.
Entre eles estão a carga tributária e os juros elevados, encargos trabalhistas muito onerosos, preços altos de matérias-primas e insumos, como na indústria gráfica, ausência de mecanismos de defesa comercial diante da concorrência desleal de algumas nações e a própria guerra fiscal entre unidades federativas.
Solucionar essas questões, em especial neste momento em que o aquecido mercado nacional desperta a cobiça de exportadores de todo o mundo, é prioritário para resgatar a competitividade da indústria.
Nesse sentido, também é essencial a rápida implementação prática da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada pela presidente, no tocante à maior eficiência da manufatura, capacidade de inovação das empresas e expansão das exportações, incluindo as micro e pequenas empresas. Tais metas chocam-se com privilégios tributários e áreas de exceção.
Assim, a prorrogação da Zona Franca de Manaus e sua ampliação estão em desacordo com o prioritário fomento de competitividade de nossa indústria de transformação, cuja balança comercial teve um deficit superior a US$ 70 bilhões em 2010, podendo chegar a US$ 100 bilhões neste ano.
Aquela área de exceção já cumpriu a contento, no século passado, sua missão de contribuir para que agregássemos um pouco de tecnologia, atraíssemos investimentos em eletrônica e pudéssemos nos inserir no comércio de bens com mais valor agregado. Agora, o Brasil precisa de competitividade nacional.

FABIO ARRUDA MORTARA, empresário gráfico, administrador de empresas e mestre pela FGV e pela Universidade Cornell (EUA), é diretor da Fiesp, presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). 




GOVERNO VOLTA A APOSTAR EM ZPE, NO ACRE

ACRE INAUGURA ZPE PARA ELEVAR A EXPORTAÇÃO DE MANUFATURADOS
por João Villaverde | De Brasília
Valor Econômico - 18/01/2012
Depois de anos de tentativas com poucos resultados em outras regiões do país, o governo resolveu apostar novamente nas Zonas de Processamento de Exportações (ZPE) para estimular as vendas de manufaturados ao exterior. Em cinco dias, a ZPE do Acre estará pronta para iniciar as operações, com infraestrutura montada numa área de 100 hectares em Senador Guiomar, a 22 km de Rio Branco. Uma das maiores companhias privadas do Peru, o Grupo Glória, de laticínios, fertilizantes e cimento, fechou ontem seu projeto produtivo básico para atuar na ZPE do Acre. O governo estadual negocia com 13 companhias - de alimentos processados, têxteis e frutas - a instalação de fábricas na área
O governo decidiu apostar, de fato, nas Zonas de Processamento de Exportações (ZPE) para estimular as vendas de manufaturados: em cinco dias, a ZPE do Acre deverá estar pronta para iniciar os trabalhos. A infraestrutura já está concluída, numa área de 100 hectares na pequena cidade de Senador Guiomard (AC), a 22 km de Rio Branco, capital do Estado.
Na segunda-feira, ela receberá a certificação final da Receita Federal para o último passo exigido pelos fiscais: a instalação de monitoramento em vídeo. Ontem, uma das maiores companhias privadas do Peru, o Grupo Glória, de laticínios, fertilizantes e cimento, fechou seu projeto produtivo básico (PPB) para operar na ZPE do Acre.
A evolução das obras e negociações em torno da ZPE no Acre surpreendeu os técnicos do Ministério do Desenvolvimento. Fontes no Palácio do Planalto afirmaram ao Valor que a presidente está entusiasmada com a ZPE e espera ver resultados já neste ano. Para isso, a instalação das fábricas deve começar em fevereiro.
As empresas que se instalarem na ZPE deverão exportar no mínimo 80% da produção. Em troca, as fábricas não vão recolher o IPI, a Cofins e o PIS/Pasep sobre os insumos adquiridos do mercado interno, e também as partes e peças importadas estão isentas do Imposto de Importação (II) e do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante.
"A ZPE vai funcionar como polo de atração de investimentos no setor manufatureiro, justamente num momento em que a indústria sofre com a rigorosa competição com os importados no Brasil e também na conquista de mercados", diz Gustavo Saboia Fontenele, secretário-executivo do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação, formado pelos ministérios do Desenvolvimento, Fazenda, Integração Nacional, Planejamento e Casa Civil.
A ZPE já conta com licenciamento ambiental e liberação alfandegária. No local, órgãos públicos, como Correios, Anvisa, Caixa Econômica Federal e Ministério da Agricultura, estão em operação. "Já está pronto", disse Fontenele, "só falta as empresas começarem a montar suas fábricas".
O governo acreano negocia com 13 companhias a instalação de fábricas na ZPE, nas áreas de madeira, alimentos processados, carne, têxtil e frutas. Uma companhia italiana de joias já apresentou um projeto para produção de "biojoias", aproveitando insumos naturais do Estado, inserido na floresta amazônica. O governo planeja plantar 3.000 mil hectares de seringueiras, que devem servir de insumo para as companhias que se instalarem na ZPE.
Além disso, a Natex, empresa pública de preservativos masculinos feitos com borracha natural, localizada em Xapuri (AC), pode abrir uma segunda unidade, para produção de luvas para cirurgias hospitalares. A fábrica já opera com capacidade máxima, diz a diretora-executiva da Natex, Dirlei Bersch, em três turnos, de domingo a domingo.
Caso concreto é o do Grupo Glória, do Peru. Empresários da companhia fizeram a última visita técnica às instalações em Senador Guiomard para fechar os termos do processo produtivo básico a ser entregue aos técnicos do governo do Estado. A companhia, que também tem unidades na Argentina, Colômbia, Bolívia e Equador, vai desenvolver linhas produtivas de leite e cimento.
Um fator que acelerou as negociações com o Grupo Glória, e que serve de grande atrativo às demais empresas em negociação com o governo do Estado, é a rodovia Transoceânica, inaugurada em outubro do ano passado, que servirá para escoar a produção da ZPE para três portos no Peru, a 1,6 mil km de distância. A viagem por rodovia é 14 dias mais curta que o trajeto marítimo, por meio do Canal do Panamá.
"A ZPE segue exatamente o que deseja a presidente Dilma Rousseff", disse o governador do Acre, Tião Viana (PT). "Vamos ajudar as exportações da indústria e incentivar investimentos em inovação, que é o foco do programa Brasil Maior."
Os técnicos da ZPE do Acre negociam também com a multinacional americana Johnson & Johnson, que já demonstrou interesse em a fabrica instalada na Venezuela, devido ao desgaste político com o governo do presidente Hugo Chávez. Mas os executivos da empresa querem do governo do Estado uma "flexibilização" das regras das ZPEs.
A Johnson & Johnson quer, segundo o governo do Estado do Acre, que até 40% da produção seja escoada para o mercado interno, e não apenas 20%, como prevê a Lei 11.508 (07/2007), que criou o marco regulatório das ZPEs. No ano passado, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, chegou a declarar em audiências públicas ser favorável à elevação do teto de 20% para 40%.
As negociações ainda não terminaram, porque, em contrapartida, o Acre quer convencer os executivos a montar duas fábricas: uma na ZPE, seguindo as regras da zona, e outra fora, que receberia incentivos tributários para a parcela vendida internamente. Procurada pelo Valor, a empresa negou, por meio de sua assessoria, que esteja negociando.



Brasil tem 23 zonas autorizadas a funcionar
Valor Econômico - 18/01/2012
O Brasil conta com 23 zonas de processamento de exportação (ZPEs) autorizadas a funcionar, sendo 11 criadas desde julho de 2007, quando o marco regulatório em vigor atualmente foi desenvolvido. Nenhuma delas, no entanto, venceu a ZPE de Senador Guiomard, no Acre, em velocidade - a autorização para funcionar foi concedida em julho de 2010, e a infraestrutura e o arcabouço legal foram construídos e obtidos em 16 meses. Em cinco dias, a ZPE entrará em operação, largando na frente de outras com investimentos maiores da iniciativa privada, como a ZPE de São Gonçalo do Amarante (CE), com siderúrgicas, ou de Barcarena (PA), com fábricas de alumina.
O caso da ZPE no Pará é sintomático sobre o ritmo das ZPEs no país. As instalações em Barcarena constituem uma das 12 ZPEs criadas até 1994, quando o marco regulatório era outro. "A experiência internacional comprova o êxito desse modelo [das ZPEs] e, por isso, o governo brasileiro está trabalhando para tornar as ZPEs uma realidade", diz o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em texto de agosto de 2011 para livro do Conselho Nacional das ZPE. De acordo com Gustavo Saboia Fontenele, secretário-executivo do conselho, o governo Dilma Rousseff montou uma estratégia, já no início de 2011, para acelerar a implantação de fato das ZPEs.
Segundo ele, das 11 ZPEs autorizadas de 2007 para cá, a única com infraestrutura constituída é a do Acre. Já entre as 12 autorizadas até 1994, quatro têm instalações prontas: Imbituba (SC), Teófilo Otoni (MG), Rio Grande (RS) e Araguaína (TO).


02-04-2012


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Conjuntura: Governo quer ampliar acesso das ZPEs ao mercado interno 
Por João Villaverde | De Brasília
O governo Dilma Rousseff definiu seis ZPEs com potencial para funcionar até o fim de 2014 e prepara uma força-tarefa para impulsionar os negócios
VALOR ECONÔMICO, 02-04-2012
O Brasil conta com 23 Zonas de Processamento de Exportação (ZPE), e a 24ª deve sair do forno nos próximos dias, quando a Casa Civil autorizar a criação da ZPE de Uberaba, em Minas Gerais. Nenhuma delas, no entanto, existe efetivamente - a maior parte sequer saiu do papel. Apenas uma, no Acre, conta com infraestrutura básica pronta.
Agora, o governo Dilma Rousseff definiu as seis ZPEs em que vê potencial para funcionar a partir do fim de 2014 e prepara uma força-tarefa para impulsionar os negócios. Isso inclui desde esforços junto a prefeitos para que acelerem (ou retomem) as obras de infraestrutura, até interceder junto ao Senado para aprovar projeto que amplia de 20% para 40% o percentual do que é produzido numa ZPE que pode ser destinado ao mercado interno.
São seis as zonas de processamento de exportação que recebem atenção total do governo: Senador Guiomard (Acre), Bataguassú (Mato Grosso do Sul), Parnaíba (Piauí), São Gonçalo do Amarante (Ceará), Jaboatão dos Guararapes (Pernambuco) e Barcarena (Pará). A única que já está pronta é a ZPE do Acre, como antecipou o Valor em janeiro. Entre as demais, a principal aposta do governo é a ZPE de Bataguassú - a única dentre as 24 ZPEs que não pertence ao poder público, mas sim a um grupo de seis empresários.
Criadas em 1988 por decreto do então presidente José Sarney, as ZPEs tiveram seu marco regulatório atualizado pela Lei 11.508, de 2007, que, segundo técnicos do governo, "já nasceu velha". Das 11 ZPEs criadas de 2007 para cá, apenas a do Acre foi inaugurada, mas ainda não há nenhuma indústria no local - há, sim, três projetos produtivos básicos, um deles do grupo peruano Glória, em análise no governo acreano.
O principal responsável pela política de "aceleração das ZPE" é Gustavo Fontenele, que desde....



Por serem equiparáveis às exportações, vendas feitas por empresas da Zona Franca de Manaus (ZFM) dentro dessa mesma localidade são isentas da contribuição ao PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social). A decisão foi tomada de forma unânime pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso interposto pela fazenda nacional contra a Samsung do Brasil Ltda.

A fazenda pretendia....


Tribunal isenta vendas na Zona Franca de PIS e Cofins


Valor Econômico - 15/03/2012

As vendas de produtos entre empresas instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM) podem ser equiparadas a operações de exportação. Por isso, estão isentas de PIS e Cofins. O entendimento é da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para os ministros, o benefício - garantido para as mercadorias destinadas à ZFM - deve ser estendido às empresas instaladas no local, de modo a obedecer os objetivos da criação da Zona Franca, ou seja, garantir o desenvolvimento econômico e social da região amazônica.
O STJ analisou o tema a partir de um recurso da Fazenda Nacional contra decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, que havia dispensado a Samsung do Brasil do recolhimento dos tributos incidentes sobre sua receita. A discussão girou em torno do artigo 4º do Decreto-Lei nº 288, de 1967, que equipara às exportações a venda de produtos para a Zona Franca de Manaus.
Para a Fazenda, o dispositivo refere-se apenas "às exportações" para a região. Dessa forma, defendeu que a venda de produtos da Samsung a outras empresas instaladas na região implicaria apenas em circulação de mercadorias, e não exportação.
Mas, ao analisar o caso, o ministro relator do recurso, Castro Meira, entendeu que a interpretação da União não é compatível com a finalidade da Zona Franca. "Se era pretensão do governo atrair o maior número de indústrias para a região, reduzindo a dependência dos produtos importados, não é razoável concluir que o dispositivo tenha almejado beneficiar, tão somente, empresas situadas fora da ZFM", diz. Caso contrário, afirma, em relação ao PIS e a Cofins, seria mais vantajoso para qualquer empresa não fixar sede na Zona Franca de Manaus, "o que atenta contra o espírito do decreto-lei, que objetivava, justamente, estimular o investimento na região".
Para advogados, o precedente é relevante porque a mesma tese poderá ser usada para obter a isenção do PIS e da Cofins nas 24 zonas de processamento de exportação (ZPE). "Pela fundamentação que foi dada, a aplicação da isenção é ampla e irrestrita", diz Jorge Zaninetti, do escritório Siqueira Castro Advogados.
O tributarista Luiz Roberto Peroba, do Pinheiro Neto Advogados, concorda. Mas afirma que a Fazenda poderá distinguir as situações. Isso porque, segundo ele, foi vetado o artigo da lei de criação das ZPEs que garantia o tratamento fiscal das exportações às vendas de bens para essas regiões.
O advogado que representa a Samsung no processo, Luiz Felipe Brandão, sócio do Andrade & Câmara Advogados, discorda dessa possibilidade. "A Zona Franca de Manaus está protegida pela Constituição, tem caráter especial", afirma. Segundo ele, o maior impacto da decisão é o reconhecimento do STJ de que a isenção vale para qualquer setor econômico.




UNCTAD Investment Brief 
Number 2 ◎ 2004
FDI in Services - A Growing Business for EPZs
Export processing zones (EPZs) have traditionally been associated with exports of goods, such as garments and electronics. Service activities have mostly been limited to 
warehousing and trade  facilitation. New research shows  that EPZs now often target a 
broader range of services, many requiring advanced skills. While EPZs can be effective in attracting foreign direct investment (FDI), the  challenge is to ensure that benefits extend beyond their fences. 



The role of technology and human capital in the EPZ life-cycle
by Karima Omar and William A. Stoever
This article proposes an alternative perspective for examining export process rocessiinngg zones  zones  ((EPZs EPZs)) byby mo modi diffyi yinngg  t  thhe  e  lilife-c fe-cyycclle approac e approach. It highlights the two crucial aspects of a successful EPZ development, namelyn the nature of  e nature of  bbacackkwar wardd lilinnkkaagges an es andd ggraradduauall iinte nteggrat ratiion  on  iinto nto the rest of the host economy. It argues that successful EPZs can be a cata catallyst for structura yst for structurall transformat transformatiion of t on of thhe we widider economy an er economy andd di discusses scusses wh what po at poliliccyy measures are nee measures are needdeedd to ac to achi hieve suc eve suchh outcome. T outcome. Thhe art e artiiccllee concludes by identifying venues for future research.


Meaning of Export Processing Zones
Export Processing Zones (EPZs) can be summarized as a unit bearing clusters of specially designed zones of aggressive economic activity for the promotion of export. The main concept of Export Processing Zones was conceived in the early 1970s to promote the growth of the sickening export business of India. Further, the meaning of Export Processing Zones (EPZs) can be broadly defined as an area enjoying special government of India support with respect to fiscal incentives, tax rebates and other exclusive benefits for the growth of export. 
Export Processing Zones (EPZs) also encompasses pre-defined infrastructural facilities and regulations pertaining to establishment of such zones and environmental stipulations, respectively. These Export Processing Zones of India were established to help the growth of Indian export commodities, especially from the fast growing sectors. 

Objectives of setting up of EPZs



  • Encourage and generate the economic development
  • Encourage Foreign Direct Investments (FDI)
  • To channel the sources of foreign exchange within the system in a phased manner
  • Foster the establishment and development of industrial enterprises within the said zones
  • Encourage and generate wider economic activities by encouraging foreign investments for the development of the zones
  • To channel the foreign exchange earnings for the further development of these zones and explore new areas for the development of Indian exports
  • Encourage establishment and development of Indian industries and business enterprises and facilitate with proper infrastructure Generate employment opportunity
  • Upgrade labor and management skills
  • Acquire advanced technology for increased productivity
  • Ensure world class quality of products

Three-tier management system in EPZs



  • Tier one is headed by the Ministry of Commerce headed by the Commerce Secretary, which drafts and implements policies and reviews the performance of each such zones
  • Tier two is headed by the Board of Approval (BOA), which is responsible for examination of proposals for opening up of new enterprises in the zone and which is headed by a person of the level of Additional Secretary
  • The Development Commissioner, who is the chief executive of the Export Processing Zone, heads the three tiers. The Development Commissioner is vested with the power for the day-to-day function of the zone. Further, he is the head of functions relating to administration, approval of investment, and he also enforces various regulatory provisions....

Friday, 14 May 2010

PARQUES TECNOLÓGICOS

Mais de 300 projetos inovadores em áreas como TI e saúde serão gerados dentro das escolas, em 2010.
Eles querem chegar lá
Por Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo 30/04/2010
BOX: Inovação nas empresas brasileiras
A necessidade de inovação fez o administrador Floro Fagundes e mais quatro sócios desenharem um software que controla a glicemia de pacientes a distância. Casado com uma diabética, Fagundes observava a mulher e outros portadores da doença usando caderninhos com anotações e tabelas de cálculos para administrar os índices glicêmicos. "Agora, um programa instalado no celular se comunica com um prontuário médico on-line e calcula as quantidades de carboidratos das refeições e as doses prescritas de insulina", explica. "O médico pode intervir no tratamento do paciente em tempo real."
Hoje, o software GlicOnLine é o carro-chefe da Quasar Telemedicina, pequena companhia de sete funcionários criada em 2004 no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), incubadora de empresas em São Paulo. A invenção já conta com oitocentos pacientes e é usada por 110 médicos. Em 2009, a companhia faturou R$ 130 mil e quer fechar 2010 com R$ 600 mil no caixa. "Vamos firmar parcerias com operadoras de telefonia móvel e entrar no mercado americano."
No próximo mês, Fagundes desembarca em São Francisco, na Califórnia, para apresentar a versão em inglês do software para investidores. Mas, para chegar lá, o empreendedor precisou driblar obstáculos que costumam surgir na rota da inovação das pequenas empresas: a falta de agilidade na oferta de crédito, a dificuldade de atração de investimentos e a burocracia para registrar novos produtos. "Demorei um ano para obter o registro de um software que pode salvar vidas", lembra.
Segundo pesquisa feita pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), 39% dos empreendedores precisariam de impostos menores para realizar inovações em seus produtos, enquanto 22% necessitam de empréstimos bancários para tirar os projetos das gavetas. Ao mesmo tempo, apenas 20% das empresas ouvidas correm atrás de cursos e consultorias para se diferenciar da concorrência e 13% das companhias querem mais divulgação dos seus inventos.
Para vencer essas dificuldades, entidades ligadas às áreas de financiamento, incubação de negócios e de estímulo a programas de pesquisa arregaçam as mangas. Até 2012, o Sebrae Nacional pretende aumentar em 30 mil o número de empresas inovadoras no país - o dobro do que existe hoje, de acordo com o IBGE. Este ano, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vai oferecer R$ 1,6 bilhão - R$ 700 milhões a mais que em 2009 - para o desenvolvimento de projetos de inovação, dentro do Programa Inova Brasil, de financiamentos reembolsáveis.
Já os principais fundos de venture capital (ou capital de risco), concentrados em quatro Estados, contam com pelo menos US$ 1 bilhão em recursos para apoiar ideias inovadoras que nem sempre saem das incubadoras. Segundo a consultoria Ernst&Young, até dezembro, mais de 300 projetos empreendedores devem nascer nos bancos das escolas de negócios, como a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
No Sebrae, uma das armas para estimular a inovação é o Programa Agentes Locais de Inovação (ALI), que despacha mais de 800 profissionais para empresas em dez Estados. Os agentes visitam as companhias e produzem um relatório gratuito que identifica dificuldades e o que pode ser melhorado no dia a dia do negócio. A partir desse diagnóstico, criam um plano de ação e acompanham a evolução do empreendedor. Até o final de 2010, a iniciativa deve bater na porta de 5,1 mil estabelecimentos de 33 setores.
Para Guilherme Plonski, coordenador do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), o problema da microempresa no Brasil na busca de ações inovadoras não é o fato de ser pequena, mas "de ser sozinha". "Graças a entidades como o Sebrae, as MPEs encontram apoio para compreender e superar os obstáculos à inovação", diz. "Mas é preciso aprimorar a coordenação dos esforços vindos de diversas iniciativas." Criada há 22 anos, a Anprotec gerencia mais de 400 "habitats" de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos, em mais de 20 Estados.
"Os resultados obtidos nesses ambientes, planejados para efetivar processos de inovação de produtos e negócios, podem transformar cidades e regiões", assinala. Segundo Plonski, em Florianópolis (SC), a contribuição ao PIB local das empresas de TI geradas em incubadoras já é o dobro do aporte das companhias do setor turístico - que fez a fama da cidade. A capital catarinense tem mais de 500 empresas de base tecnológica que faturaram mais de R$ 1 bilhão em 2009 e empregam mais de cinco mil pessoas.
No Brasil, segundo o IBGE, as atividades industriais com as maiores taxas de inovação incluem os setores de automóveis, máquinas para escritório e equipamentos de informática, equipamentos médico-hospitalares e de automação industrial, além de refino de petróleo, material eletrônico, aparelhos de comunicação, produtos farmacêuticos, celulose e metalurgia. Para Carlos Alberto Miranda, sócio da Ernst&Young, há nichos que são obrigados a realizar investimentos em inovação, como o farmacêutico, de TI e biotecnologia. "Mas o varejo e o setor de serviços já aparecem como os novos investidores do segmento."
Segundo um estudo inédito realizado pela Ernst&Young Brasil com escolas de negócios do país - FGV, Insper - Instituto de Ensino e Pesquisa e Fundação Instituto de Administração (FIA), além do Instituto Endeavor, mais de 300 projetos empreendedores em áreas como TI, indústria pesada, comércio, serviços e saúde serão gerados dentro das escolas, em 2010. Em três anos, pelo menos cem projetos foram apresentados em rodadas de negócios com a participação de fundos de investimento venture capital e angel investors (investidores-anjo). Para os especialistas, se há filas de novos empreendedores em busca de dinheiro, há também grupos interessados em investir em ideias inovadoras e rentáveis.
No Brasil, só em venture capital, segundo levantamento do professor Cláudio Furtado, do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Eaesp-FGV, os recursos somam US$ 1,5 bilhão. Reunidos principalmente na Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, os investidores-anjo garimpam empreendimentos inovadores dentro e fora das escolas, com aportes financeiros de R$ 50 mil a R$ 500 mil, por empresa. "Os grupos querem projetos sustentáveis com um bom plano de negócios, e as escolas de negócios costumam concentrar essas garantias."
Para se ter uma ideia, somente na FGV, que forma anualmente 520 alunos, cerca de 25% dos estudantes que concluíram cursos com disciplinas de empreendedorismo e desenvolvimento de planos de negócios tornaram-se empreendedores nos últimos dez anos. No Instituto Endeavor, de capacitação em empreendedorismo, o número de profissionais inscritos em cursos em 2010 saltou para 200, o dobro do ano passado.
Nas entidades de fomento à inovação, os orçamentos já estão definidos para 2010. A Fapesp pilota o Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe), que já apoiou, desde 1997, mais de 1,3 mil projetos de pesquisa em São Paulo. Segundo Carlos Henrique Cruz, diretor científico, em 2010, o programa oferece uma verba de R$ 30 milhões, mesmo valor do ano passado. "Para cada R$ 1 que a Fapesp investiu em um projeto do Pipe, a empresa beneficiada obteve R$ 11 em faturamento e recursos."




Inovação: Movimento é estimulado por legislação e recursos públicos
Mais parques tecnológicos começam a sair do papelCibelle Bouças, de São Paulo
19/10/2009
Sergio Risola, do Cietec: dezenas de projetos vão decolar num futuro próximo
Até o fim do ano, o município paulista de São Carlos presenciará a inauguração do primeiro parque tecnológico de terceira geração do país, que reúne condomínios empresariais e residenciais e áreas de lazer. O Parque Eco-Tecnológico Damha São Carlos, empreendimento do grupo Encalso que tem como gestor o Instituto Inova, receberá até a conclusão das obras de infraestrutura recursos da ordem de R$ 100 milhões. Os investimentos de empresas no parque estão estimados em R$ 500 milhões. O projeto contempla quatro condomínios empresariais, quatro condomínios residenciais, clube de golfe, duas pistas de equitação e área de preservação ambiental.
O Parque Damha levou quatro anos para sair da fase de projetos e tornar-se um empreendimento comercial. Como ele, outras iniciativas começam a ganhar corpo no país, favorecidas por mudanças na legislação de alguns municípios e por investimentos públicos e privados. O levantamento mais recente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) apontou a existência de 74 parques tecnológicos no país, sendo que 14 deles surgiram a partir de 2008. Desse total, 22 estão em operação, 19 se encontram na fase de implantação e 32 permanecem no estágio de projeto.
Como ocorre em países europeus, para deslanchar esses projetos normalmente necessitam de investimento inicial vindo do setor público. As empresas se associam em uma segunda fase, após a instalação da infraestrutura, observa o diretor-executivo do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) e membro do Comitê Gestor de Redes da Anprotec, Sergio Risola. "Na Europa, 70% dos projetos ficam estacionados na fase de estudo de viabilidade técnica e econômica. No Brasil, existe um prazo de maturação, mas seguramente dezenas vão decolar num futuro próximo", avalia Risola.
Em muitos casos, restrições na legislação municipal sobre zoneamento e uso do solo dificultam a instalação dos parques em um curto espaço de tempo. Outro empecilho apontado por Risola é que boa parte dos parques é construída em terrenos cedidos pelo poder público, mas a administração do parque é feita pelo setor privado. Em algumas regiões é necessário alterar a legislação para tornar possível a realização do projeto. Um levantamento da Anprotec revela a existência de 30 parques sem regularização fundiária e 39 sem licença ambiental para operar.
Mesmo na capital paulista, foi necessário um esforço conjunto do poder público para superar barreiras regulatórias, observa o secretário de Desenvolvimento do Estado, Geraldo Alckmin. Em dezembro de 2008, a prefeitura e o governo do Estado assinaram um protocolo de intenções para a criação de dois parques tecnológicos. O primeiro deles começa a ser instalado no Jaguaré, zona Oeste da cidade, onde funcionava o Museu de Ciência e Tecnologia.
A escolha deveu-se à proximidade com a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Cietec. "Esse museu era pouco visitado. O que fizemos foi transferir o que havia lá para o Museu Educativo do Catavento, que recebe mais visitantes. E o parque tecnológico pode ser instalado em uma região que já concentra universidades e empresas de inovação", afirma Alckmin.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento, existem no Estado sete parques com credenciamento provisório que nos próximos dois anos devem obter o aval definitivo: em São José dos Campos, São Carlos (dois), Piracicaba, São José do Rio Preto, Botucatu e Campinas. Nesta semana, o oitavo a obter o credenciamento provisório será o de Santos, que já possui uma área reservada não contínua de aproximadamente 200 mil metros quadrados e terá como setores âncora petróleo e gás, logística e tecnologia da informação. Um projeto para Barretos também deve receber aval neste ano, diz Alckmin
O Estado concentra o maior número de parques no país. De 74 elencados pela Anprotec, 10 se encontram em funcionamento e outros 10 em fase de projeto ou construção. A proliferação de projetos, segundo Alckmin, resulta em parte da criação de leis que incentivam a instalação desses empreendimentos e reduzem a carga tributária para empresas que pretendem investir nesses parques. No caso de São Paulo, as empresas podem usar o crédito de ICMS acumulado para investir nesses ambientes de negócios ou obter desconto na cobrança do tributo quando adquirir bens de capital para unidades instaladas nos parques.
Na região do ABC, um consórcio de sete municípios ainda não faz parte da lista de projetos credenciados pelo governo de São Paulo, mas acelera as negociações para construir seu parque já no próximo ano. O secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Diadema, Luis Paulo Bresciani, conta que a proposta começou a ser discutida no início da década, mas foi postergada devido a divergências entre os governos municipais.
A proposta do consórcio é criar um parque com áreas não contíguas, em um modelo mais próximo de um polo regional de tecnologia. "O mais viável é a criação de um conjunto de parques menores que se integram com as universidades e centros de tecnologia já instalados na região", afirma Bresciani. Segundo ele, além das montadoras, a Petrobras e a petroquímica Quattor já teriam sinalizado interesse em participar como empresas âncora no projeto. A meta do grupo é encaminhar a proposta ao governo do Estado ainda neste mês para implantar o primeiro núcleo tecnológico em 2010.
Risola considera que nas regiões onde há um esforço conjunto dos governos o tempo de instalação do parque é menor. Na avaliação do presidente do Instituto Inova, José Otávio Paschoal, esse é o caso do Parque Damha de São Carlos. "A prefeitura sempre foi parceira no projeto, então a legislação foi adaptada rapidamente", afirma. A demora de quatro anos, diz, deveu-se ao porte do projeto - 1 milhão de metros quadrados de área construída, das quais 460 mil foram concluídas. O parque já possui convênio com 22 instituições, uma incubadora, 16 empresas incubadas e outras 16 associadas.





Instituição gaúcha prepara-se para novo modeloSérgio Bueno, de Porto Alegre
03/07/2009
Maior agência de fomento do Brasil, com ativos totais de R$ 1,3 bilhão, sendo R$ 1,1 bilhão nas carteiras de crédito, a CaixaRS, do Rio Grande do Sul, já se prepara para ingressar nos novos segmentos liberados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a começar pela implantação de uma linha de arrendamento mercantil e, depois, com operações de câmbio. Os pedidos de autorização ao Banco Central devem ser encaminhados nos próximos meses, disse ontem o diretor de operações da instituição, Rogério de Wallau.
O executivo coordenou a elaboração da proposta técnica da Associação Brasileira de Bancos de Desenvolvimento (ABDE) que resultou na resolução aprovada pelo CMN. "Ainda estamos comemorando a notícia", afirmou. Segundo ele, a CaixaRS ainda não calculou o potencial de incremento das carteiras a partir da nova medida, mas a meta de crescimento anual de 10% reais deverá ser revista para cima. "É um novo dado para fazer parte do nosso planejamento estratégico".
A instituição pretende operar com linhas para pequenos negócios de pessoas físicas, como profissionais liberais, ampliando o alcance dos convênios que mantém com Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL) e Associações Comerciais e Industriais (ACI) do Estado, voltados para pessoas jurídicas. Também vai propor um programa de cooperação com o catarinense Badesc para estimular empreendimentos na divisa entre os dois Estados, como pequenas centrais hidrelétricas, além de definir formas de entrar com participação acionária em empresas emergentes.
"Deveremos entrar com capital de risco, minoritário e temporário", disse o executivo. A estratégia será definida pela Secretaria do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do governo gaúcho, à qual a CaixaRS está vinculada. Para o diretor, a agência tem experiência no segmento porque já opera o Criatec, um fundo de capital semente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) voltado a empresas emergentes inovadoras com faturamento anual de até R$ 6 milhões.
No total, as linhas do BNDES correspondem a 90% das liberações de crédito da CaixaRS, que trabalha ainda com recursos próprios e da Caixa Econômica Federal, no caso de projetos de saneamento dos municípios. Para 2009 a previsão da instituição é liberar R$ 350 milhões em novos financiamentos, ante R$ 230 milhões em 2008, como consequência da cifra recorde de R$ 670 milhões em operações aprovadas no ano passado.
A indústria é a maior tomadora de empréstimos da agência, com participação de 60% sobre a carteira, seguida do agronegócio, com 20%, e do setor público municipal, com 15%. O restante divide-se entre comércio, serviço e infraestrutura. O valor médio dos financiamentos oscila entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões, mas alguns chegam a cerca de R$ 45 milhões. Criada por lei estadual em 1997, a CaixaRS opera desde 2002 como sucessora da extinta Caixa Econômica Estadual e tem patrimônio líquido de R$ 400 milhões.
"Nosso papel é induzir o desenvolvimento do Estado ajudando a modernizar setores tradicionais e atraindo investimentos em novos segmentos", disse Wallau. Segundo ele, três das quatro usinas de biodiesel do Estado, responsáveis por 24% da produção brasileira, foram financiadas pela CaixaRS. A agência também atuou com força na implantação de projetos nos setores florestal e madeireiro e dos parques tecnológicos da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), em Porto Alegre, e da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo.




Inovação: Dos 74 pólos existentes no Brasil, 32 estão em fase de projeto
Parques tecnológicos ganham impulso no país
Gustavo Brigatto e Manuela Rahal, de São Paulo
17/12/2008
O Brasil ainda está longe de ter um Vale do Silício como os Estados Unidos, uma região onde se concentram as grandes empresas de tecnologia e de onde saíram gigantes empresariais como Hewlett-Packard, Apple e Google.
Mas no fim das contas, este pode nem ser o modelo ideal para o cenário brasileiro. Com 74 parques tecnológicos em todo o país e 520 empresas instaladas neles, é possível que vários pólos sejam criados, dando espaço o surgimento de inovações em áreas como tecnologia da informação, bioenergia, saúde, cinema e vídeo etc.
"O que falta é uma estratégia que estabeleça quais são as prioridades nacionais e regionais para a criação de novos pólos", diz José Eduardo Fiates, da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e autor do raio-x da situação dos parques tecnológicos brasileiros divulgado ontem pelo órgão.
O levantamento mostra que existem atualmente 25 pólos em operação, 17 em implantação e 32 na fase de projeto. O volume de investimentos necessário para a concretização dos projetos é de R$ 1,89 bilhão do setor público. Para ocupá-los, a projeção é de que a iniciativa privada teria de investir mais R$ 2,2 bilhões.
A maior parte dos parques tecnológicos (35) está localizada na região Sudeste. No Norte, são apenas 4. A geração de empregos estimada ultrapassa as 26,2 mil vagas, sendo 14,3 mil de nível superior e mais de 7 mil de pós-graduação.
O movimento de instalação dos parques intensificou-se a partir de 2005, com 49 iniciativas novas. Nos cinco anos anteriores, 25 parques saíram do papel. "Aconteceu um crescimento muito forte de incubadoras na década de 90, que gerou demanda por parte das empresas que deixaram este ambiente", diz Fiates. Outros dois fatores influenciaram o movimento: o aumento do crédito disponível para empresas nascentes e o movimento de manada. "Um prefeito ou reitor de uma universidade vê o outro fazendo e decide fazer também". Essa mobilização já gera receitas de R$ 1,68 bilhão, exportações de R$ 116,1 milhões e recolhimento de impostos de R$ 118,8 milhões.
O Parque Tecnológico Itaipu, instalado em Foz do Iguaçu e mantido pela hidrelétrica homônima, é um dos 'recém-nascidos'. Em atividade desde 2005, tem hoje 10 empresas em fase de incubação e duas em seu condomínio. Segundo Antônio Terna, gerente do espaço de desenvolvimento empresarial do parque, três universidades são parceiras no projeto, que tem capacidade para incubar 20 empresas. "Estamos trabalhando para criar uma cultura de empreendedorismo e inovação na região", diz Terna.
Mais consolidados, os parques da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o TechnoPUC, e o da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Porto Digital, trabalham atualmente na expansão de suas atividades. No Porto Digital, a previsão é saltar dos 4 mil profissionais que criam software atualmente para cerca de 20 mil até 2020, diz Francisco Saboya, diretor do pólo.
Roberto Moschetta, diretor do TechnoPUC, conta que em outubro de 2009 o centro vai ocupar 42 mil metros quadrados e reunir 5 mil pessoas, com a inauguração de um novo prédio. Uma outra unidade, com 35 mil metros quadrados entrará em funcionamento mais adiante, ampliando a atuação do parque para cinema e vídeo.
O governo do Estado de São Paulo concedeu, ontem, R$ 16 milhões em incentivos fiscais aos pólos do estado, um programa chamado Pró-Parques. Com ele, as empresas poderão usar créditos de ICMS para suas atividades e os parques receberão apoio para ampliação de áreas e infra-estrutura. Também foi firmado acordo com a Prefeitura de São Paulo para a criação de parques nas zonas Oeste e Leste da capital.




Inovação: País já tem 57 parques tecnológicos, 80% no Sul e no Sudeste
Eles crescem à sombra das grandes universidades
Jacílio Saraiva, para o Valor, de Aracaju
29/09/2008
Geciane Porto: centro de Ribeirão Preto vai ter foco na área médica
Entre unidades em operação, em implantação e em desenvolvimento, o Brasil tem 57 parques tecnológicos. Cerca de 80% deles estão nas regiões Sul e Sudeste, faturam R$ 1,2 bilhão por ano e abrigam 350 empresas - 90% são pequenas e médias companhias. Do total faturado, R$ 200 milhões são obtidos com a exportação de produtos. Quem tem esses dados é José Eduardo Fiates, conselheiro da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), que realizou, junto com o Sebrae, o XVIII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, encerrado na semana passada, em Aracaju (SE).
"Os parques são como shopping centers do conhecimento, com empresas no lugar de lojas e um ambiente favorável para fazer pesquisas e negócios", compara. Fiates é o idealizador da pesquisa Parques Tecnológicos no Brasil-Estudo, Análise e Proposições, realizada com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial-ABDI.
O levantamento fez uma estimativa dos investimentos necessários para fazer dos parques brasileiros verdadeiros oásis para o desenvolvimento de produtos inovadores. Para Fiates, o valor médio de aportes públicos para a implantação de um centro com 40 companhias é de R$ 32,5 milhões, em cinco anos. Cada unidade pode gerar 7,5 mil empregos e mais de R$ 300 milhões em receita, no mesmo período.
"Do total de parques nacionais, cerca de 20 têm potencial de copiar, em cinco anos, o mesmo estágio de excelência de unidades internacionais", diz ele. Para fazer a pesquisa, Fiates visitou centros tecnológicos modelos em Taiwan e na Finlândia e garante que a média de exportação de um único complexo taiwanese chega a US$ 16 bilhões por ano, enquanto todos os empreendimentos brasileiros exportam, juntos, US$ 200 milhões. "O Brasil precisa de uma estratégia para desenvolver melhor os parques que têm e os que ainda vão surgir," diz ele.
Esse setor não pára de crescer. Prova disso são novas unidades e ampliações de operações em São Paulo, Pará e Sergipe, que aproveitam a proximidade com universidades locais e a vocação econômica das regiões para fortalecer projetos de pesquisa.
O Parque Tecnológico de Ribeirão Preto (SP), previsto para sair do papel em 2009, quer se destacar em pesquisas na área médica e odontológica e deve receber 50 empresas. Com 1,1 milhão de metros quadrados, o empreendimento, avaliado em R$ 151 milhões, será construído ao lado do campus da Universidade de São Paulo-USP, de Ribeirão Preto, reconhecida pelos cursos na área da saúde.
"A região já abriga mais de 40 companhias de equipamentos médicos", diz Geciane Porto, diretora-presidente da Fundação Instituto Pólo Avançado da Saúde de Ribeirão Preto-Fipase, uma das gestoras do projeto.
Criado em 2003, o Sergipe Parque Tecnológico-SergipeTec, em São Cristóvão (SE), tem 141 mil metros quadrados e uma infra-estrutura que custou R$ 12 milhões. Vizinho da Universidade Federal de Sergipe-UFS, pesquisas biotecnologia, TI e energia.
No setor de biotecnologia, o foco é o agronegócio, com ênfase na fruticultura. Na área de tecnologia, os pesquisadores querem desenvolver softwares para a gestão pública. "Já os estudos em energia vão privilegiar fontes renováveis, petróleo e gás", afirma José Teófilo de Miranda, diretor-presidente do SergipeTec, que conta com 23 empresas.
O interesse do parque sergipano em energia é porque o Estado é o quarto produtor nacional de petróleo, tem o maior campo em terra e mais de 20 plataformas no seu litoral. O centro tecnológico vai ser usado como suporte ao Programa de Biodiesel de Sergipe, que pretende delimitar mais de 50 mil hectares de plantação de oleaginosas e erguer uma usina esmagadora de grãos com distribuição regional.
Quatro mil agricultores familiares estão envolvidos no tratamento de sementes de girassol, com remessas garantidas para a usina de Candeias (BA). Ao longo dos próximos três anos, o programa deve gastar R$ 13 milhões em pesquisas.
O parque sergipano também vai sediar uma biofábrica, a primeira do Estado, numa área de 3,6 mil metros quadrados e R$ 2,1 milhões em investimentos. A unidade, prevista para funcionar a partir do final deste ano, promete entregar, em um ano, 250 mil mudas de abacaxi e banana mais resistentes às pragas agrícolas. Uma outra fábrica vai criar inimigos naturais para o combate de pestes na citricultura e nas plantações de cana-de-açúcar.
Há duas semanas, na região metropolitana de Belém (PA), ao lado do campus da Universidade Federal do Pará-Ufpa, foi lançada a pedra inaugural do Parque de Ciência e Tecnologia de Guamá, com 72 hectares de área. O centro de pesquisa deve estar pronto em 2010 e aposta em estudos de TI, energia, tecnologia do alumínio e biotecnologia - de olho na biodiversidade amazônica.
A Vale e a Eletronorte, além do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-Inpe, já garantiram lotes no parque. O investimento em infra-estrutura chega a R$ 46 milhões, com recursos da Ufpa, governo do Pará e BNDES.
"A expectativa é receber até 200 empresas e 20% delas já estarão aqui no primeiro ano de funcionamento", promete Elane Ribeiro, coordenadora de incubadoras de empreendimentos e parques tecnológicos do governo paraense. O centro, o primeiro do gênero na região Norte, também vai ter oito laboratórios de desenvolvimento dirigidos por professores de universidades federais da região - mas não será o único. Marabá e Santarém devem ganhar seus próprios centros de pesquisa nos próximos dois anos.





Experiências no exterior funcionam como inspiraçãoDe São Paulo 29/09/2008
Experiências bem-sucedidas no exterior podem inspirar os parques tecnológicos brasileiros a criar novas estratégias de gestão e geração de conhecimento. Segundo pesquisa realizada pela Associação Internacional de Parques Tecnológicos-Iasp com 276 complexos, 67,8% mantêm algum tipo de rede para a transferência de tecnologias. Atualmente, existem 1,2 mil centros tecnológicos no mundo.
"Do total pesquisado, quase 90% afirma que as empresas abrigadas nos parques também participam de algum tipo de rede de conhecimento", afirma Paulo Miranda, diretor de projetos da Iasp. A entidade, sediada em Málaga, Espanha, reúne mais de 300 parques de 81 países.
No Brasil, um dos principais desafios é vencer a dependência de recursos públicos. "Temos que sintonizar as linhas de pesquisa com prioridades regionais, nacionais e internacionais e contar com aportes regulares", analisa José Eduardo Fiates, conselheiro da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores-Anprotec.
A França dividiu o país conforme regiões de desenvolvimento e pólos de inovação já existentes para facilitar o ingresso de empresas e investidores locais e estrangeiros. Foram eleitas seis áreas principais e 20 zonas com potencial de investimento. "Isso ajuda os empresários a saber onde montar um negócio com chances de crescimento e retorno financeiro", diz Fiates.
No Reino Unido, a National Industrial Symbiosis Programme-Nisp (Programa Nacional de Simbiose Industrial) facilita a troca de experiências e negócios entre empresas de diversos setores e tamanhos - sem cobrar nada. "80% dos participantes da rede são companhias de pequeno porte", diz Paul Knuckle, gerente de desenvolvimento comercial da entidade de dez mil membros, criada em 2005, e que mantém corporações como Shell e NEC como consultores.
Segundo o executivo, ao entrar na rede, a empresa informa o que oferece e o que gostaria de obter e o Nisp realiza o intercâmbio entre as companhias. "A simbiose industrial entre as organizações sempre alavancou a inovação tecnológica", garante Knuckle, que constatou que 75% das parcerias realizadas geraram algum serviço ou produto inovador.
Financiado pelo governo inglês e por agências de desenvolvimento, o programa conseguiu espalhar 12 centros regionais no país. Entre 2005 e 2008, ações da rede conseguiram aumento de R$ 393 milhões nas vendas das empresas e ainda geraram mil novos postos de trabalho.
Até o final do ano, o Nisp desembarca no Brasil: vai ensinar sua metodologia de permutas empresariais para empresas de Minas Gerais. A criação da rede deve durar oito meses. A África do Sul e a Índia também estão na mira do programa, que já está presente na China e México. No Brasil, a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba-PaqTcPB, em Campina Grande, a 120 km de João Pessoa, também investe na troca de experiências e de conhecimentos entre os negócios incubados no complexo.
Considerado o mais antigo parque do país, inaugurado em 1984, já colocou no mercado mais de 60 novas companhias. Recentemente, a área de cinco hectares ganhou mais três hectares - e 18 galpões industriais construídos nos anos 1920 serão reformados para sediar cerca de 20 empresas.
"Companhias como a Nokia, Accenture e a CPM Braxis já reservaram espaço na área, que vai receber R$ 15 milhões de investimentos e abrir 450 postos de trabalho nos primeiros 90 dias de ocupação", afirma Francilene Garcia, diretora do PaqTcPB. "O próximo passo é trazer para os galpões fundos de investimentos e diminuir a distância entre empresários e investidores". (J.S.)




Tecnologia: Porto Digital já está entre os quatro melhores do mundo
No Recife, um parque que virou referênciaEdiane Tiago, para o Valor, de São Paulo 29/09/2008
Alcides Pires, da MidiaVox: mudança da empresa para o Porto Digital deu mais credibilidade e garantiu também troca permanente de conhecimento
A articulação entre academia, governo e iniciativa privada marcou a criação do Porto Digital em Recife. Em uma área de 100 hectares, cabeados com 8 quilômetros de fibra ótica, o parque tecnológico abriga atualmente 117 empresas e 2 incubadoras. Juntas elas são responsáveis pela geração de 4 mil empregos e contribuem com 3,6 % do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado do Pernambuco, o que significa receita anual média na casa dos R$ 800 milhões. De quebra, o projeto, que obteve investimento inicial de R$ 33 milhões, revitalizou o histórico bairro do Recife e criou um ambiente propício ao desenvolvimento de softwares e à riqueza intelectual.
O objetivo inicial era criar empregos qualificados, produzir conhecimento local e exportar serviços com valor agregado para o mundo. Com oito anos de existência, o Porto Digital foi muito além de sua proposta e hoje está listado na publicação Learning By Sharing, editada pela International Association of Science Parks (IASP), entre os quatro parques tecnológicos que podem ser considerados referência mundial. Com o projeto pernambucano, o Brasil divide o topo do ranking com o Reino Unido (parque de Manchester), Índia (parque de Andhra Pradesh) e Espanha (parque de Andaluzia). "Somos o maior parque tecnológico do país e um exemplo de como uma política pública bem gerida pode dar certo", afirma Aurélio Molina, diretor de inovação e competitividade empresarial da instituição.
A composição do chamado Arranjo Produtivo Local, ou APL, de Recife revela o poder de inclusão do parque tecnológico. Das 117 empresas instaladas, 49% são microempresas, 40% empresas de pequeno porte e 11% podem ser classificadas como médias e grandes. Entre as gigantes da tecnologia que embarcaram no projeto estão IBM, Motorola, Samsung, Nokia, Dell e Microsoft que, junto com as empresas do pólo, pesquisam e desenvolvem soluções. "Vendemos 70% da produção de softwares para outros estados e já temos sete empresas que exportam seus produtos", afirma Molina.
Ele admite que o volume exportado ainda é pequeno para o potencial do parque. "Este é um grande desafio. Nossa meta é aumentar as vendas para o mercado internacional", garante. Para isso, além de incrementar a exportação de empresas que já estão no parque, o Porto Digital ampliou a sua capacidade para atrair empreendimentos e dispõe de 18 mil metros quadrados para a instalação de novas empresas. "Nossa meta é gerar 10% do PIB pernambucano. Temos de fomentar mais negócios", avisa o diretor.
Para quem quer se instalar, além do ambiente propício aos negócios na área de tecnologia, o Porto oferece incentivo fiscal. A prefeitura municipal concedeu, a partir de 2007, um desconto no Imposto Sobre Serviços (ISS), que foi reduzido de 5% para 2% na área do parque. Além disso, Molina destaca a farta mão-de-obra especializada que circula todos os dias no bairro. No Porto Digital, 88% dos profissionais possuem nível universitário e 46% deles têm até 25 anos. Com salários médios na faixa de R$ 2.500, a região atrai os alunos das melhores universidades do Nordeste. "Pernambuco tem uma tradição no desenvolvimento de softwares e nossas bases estão em importantes centros como o da Universidade Federal", comenta.
Outra atratividade está nas linhas de financiamento disponíveis. O Porto Digital dá apoio técnico às empresas em editais que podem trazer investimentos para seus negócios. Um exemplo é o projeto primeira empresa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Por meio dele, a entidade coloca à disposição R$ 120 mil, não reembolsáveis, para quem pretende iniciar o negócio. Em uma segunda etapa, a Finep emprestará às empresas que forem selecionadas no programa mais R$ 120 mil a juros zero, em 100 parcelas iguais. O dinheiro está disponível para 1,8 mil empresas brasileiras e a equipe do porto quer atrair novos negócios com essa linha. Para isso, fez uma parceria com a incubadora de empresa do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), entidade selecionada pela financiadora para operar o programa no Estado. "Quando o assunto é inovação, há capital disponível, o que falta é conhecimento para apresentar um bom plano de negócios", ensina.
Para incrementar o orçamento de empresas já existentes, a entidade também orienta nos casos de pedidos de financiamento para o BNDES, que possui um fundo de investimentos de capital semente, destinado a empresas emergentes inovadoras. Por meio dele, é possível conseguir até R$ 1,5 milhão. Quem pretende financiar projetos específicos de pesquisa, desenvolvimento e inovação conta ainda com o programa de investimento conduzido pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado do Pernambuco (Facepe), que investe, por meio de subvenção econômica, em projetos que vão de R$ 100 mil a R$ 400 mil.
Uma empresa vinculada ao parque tecnológico ganha destaque, um status especial entre as demais empresas embarcadas. Ela mostra que pertence a um centro de excelência em desenvolvimento de produtos. "O nome do Porto Digital correu o mundo e a simples apresentação do selo da entidade dá uma valorização aos negócios", afirma Molina. Ele lembra que as empresas também contam com apoio da equipe de marketing e de comunicação social para divulgar seus produtos. "Somos uma comunidade."
O fomento aos negócios conta com o apoio do Sebrae e de agências como o Softex Recife, cuja finalidade é facilitar as exportações de software brasileiro, com apoio técnico em articulações. No pólo também se concentram instituições como o Banco do Nordeste e o escritório de promoção de investimentos e tecnologia do Recife (ITPO Recife). "Estamos todos no mesmo ambiente. Marcar uma reunião é muito fácil e o clima de cooperação facilita os negócios", finaliza Molina.




Desenvolvimento: Objetivo é ajudar a pequena empresa a atingir maioridade financeira e produtiva
SergipeTec quer ser pólo referencial de pesquisa e inovação
Françoise Terzian 29/04/2008
Jorge Santana: "TI demanda menos investimentos que a indústria tradicional, e gera riqueza para a economia local"
O SergipeTec - Parque Tecnológico de Sergipe - é uma das grandes prioridades do governo local e também sua principal arma para colocar o Estado na rota da tecnologia de ponta. Até agora, Sergipe era visto não só como o menor Estado do país, mas também como um ponto inexpressivo do mapa nacional na produção de pesquisa e desenvolvimento de projetos nas áreas de Tecnologia da Informação (TI - softwares e serviços de informática), energia (petróleo, gás e energias renováveis) e biotecnologia (tecnologia de organismos vivos). O Estado também padece da ausência de uma empresa de grande porte originalmente sergipana e com forte know-how em um desses três setores. Esse cenário, no entanto, tende a mudar.
Em plena fase de amadurecimento e ampliação, o SergipeTec tem uma meta agressiva: ajudar as pequenas empresas hoje instaladas em seu espaço físico a atingir a maioridade financeira e produtiva. A idéia é incentivá-las a alcançarem o faturamento de R$ 1 milhão, exportarem, tornarem-se representativas no PIB estadual e seguirem em franco crescimento. A atuação do parque nessas três áreas chaves está diretamente ligada à política de desenvolvimento econômico do Estado. Até 2010, o SergipeTec quer tornar-se referência nacional como pólo de inovação tecnológica com responsabilidade socioambiental.
Operando há cinco anos, o SergipeTec nasceu da preocupação de se trabalhar o desenvolvimento tecnológico no Estado. A idéia inicial era fazer um parque tecnológico monotemático na área de TI para alavancar o setor na região e também qualificar mais cabeças, o que resultou na criação de uma primeira incubadora por volta do ano 2000. "TI demanda menos investimentos que a indústria tradicional, independe de rodovia e ferrovia, e pode gerar muitas riquezas à população e à economia local", afirma Jorge Santana, secretário estadual de desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia. Por outro lado, há o desafio da constante formação de mão-de-obra, questão que tem levado as instituições de ensino da região a se revitalizarem e também buscarem a interiorização.
Hoje, o SergipeTec é uma associação privada sem fins lucrativos, baseada em modelo internacional de parques tecnológicos. Ela abriga pouco mais de 20 empresas da área de TI, três incubadoras de empresas e 10 instituições de fomento e pesquisa, gerando mais de 300 empregos diretos e um faturamento em torno de R$ 6 milhões por ano. Em busca de crescimento e da atração de novas empresas, o SergipeTec muda de sede no próximo ano.
O parque vai ocupar um lugar fisicamente maior e estratégico: uma área de 141 mil metros quadrados cedida pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), em São Cristóvão, dentro do próprio campus. Lá, o parque poderá permanecer no local por 30 anos renováveis. Para Ângela Maria de Souza, diretora de tecnologia do SergipeTec, o novo local possibilitará uma total integração entre o ambiente acadêmico e empresarial, com direito à construção de laboratórios de informática, biotecnologia e energias renováveis e fósseis.
Para tanto, irá consumir investimentos da ordem de R$ 30 milhões em infra-estrutura e novos projetos nos próximos quatro anos. Boa parte desse valor virá de recursos públicos federais. Em dois anos, a nova sede deverá abrigar o triplo das empresas que abriga hoje. Ela irá saltar de 20 para 60 negócios, devendo gerar mil empregos e exportar uma parte considerável dos softwares produzidos. Espera-se que, com a proximidade física do parque com a universidade, o desenvolvimento de projetos casados seja favorecido. "Fazemos o trabalho de santo casamenteiro entre a iniciativa privada, as universidades e o governo", diz Angela.
O SergipeTec espelha-se em alguns parques tecnológicos de sucesso ao redor do país, como o Porto Digital, de Recife; o Pólo Bio-Rio, do Rio de Janeiro; o Pólo de Biotecnologia de Belo Horizonte; e o Tecno-PUC, em Porto Alegre.
Atualmente, o parque tem um quadro próprio de 77 funcionários e demanda R$ 2 milhões anuais para pagar despesas e bancar projetos. Cerca de 90% de seu custeio vêm do governo do Estado. O restante é proveniente de projetos bancados por empresas privadas. O problema mais crítico do SergipeTec é garantir recursos para pagar contas. Apesar da forte conexão com o governo, Angela afirma que o parque é administrado de forma independente.
O SergipeTec tem, neste momento, cinco projetos em andamento e sete em fase de formulação, captação de recursos e planejamento. Um deles tem por intuito dar auto-suficiência ao Estado na produção de biodiesel. O núcleo de energia do parque está coordenando grupos de trabalho que realizam pesquisas e elaboram propostas para o Estado começar a produzir seu biodiesel. A produção teria como matéria-prima diversas oleaginosas como mamona, amendoim, soja, dendê e andiroba. O girassol é um item que também desponta por se adaptar bem ao clima do Sergipe, podendo ser cultivado em praticamente todo o Estado.
Uma das empresas que participam do SergipeTec é a Pyxis Tecnologia, especializada no desenvolvimento e na integração de soluções informatizadas para organizações públicas e privadas. Foi criada em 2003, com o objetivo de atuar no segmento nas regiões Nordeste e Norte. Ela surgiu da possibilidade de atender dois órgãos da administração pública estadual: a Companhia de Habitação e Obras Públicas de Sergipe e a Companhia de Saneamento de Sergipe. Elas precisavam gerenciar eletronicamente documentos técnicos de engenharia. As estatais, no entanto, não tinham profissionais qualificados para desenvolver um software com essa funcionalidade. A Pyxis, então, entrou na história.
Com quatro sócios - três com formação em TI e um em administração -, a Pyxis hoje desenvolve e implanta sistemas integrados de gestão. Seu objetivo é atingir a excelência na gestão de projetos de desenvolvimento de sistemas e aumentar a carteira de usuários do seu sistema de gestão empresarial. Estar dentro do SergipeTec a ajuda nesta missão. Lá, Guilherme Almeida, diretor-executivo da Pyxis, diz que foi criado um ambiente de desenvolvimento tecnológico juntamente com a academia, gerando uma sinergia entre as empresas com competências complementares.





Parque tecnológico de Salvador abre em 2009De São Paulo14/11/2007
Para não perder a tradição de pólo brasileiro de tecnologia, a Bahia resolveu participar de uma corrida contra o tempo. A meta é atender a 8% do PIB de tecnologia da informação do Brasil. Hoje, essa taxa está em 4%. A estratégia inclui a criação de 20 mil empregos na base da pirâmide, para analistas e programadores, e investimentos na formação acadêmica.
Para isso, até o currículo dos cursos universitários de informática deve ser alterado. Em 2009, será inaugurado ainda um parque tecnológico, em Salvador, numa área de um milhão de metros quadrados, avaliado em R$ 100 milhões.
"Precisamos investir na qualificação profissional para aproveitar oportunidades a curto prazo, como o atendimento a demandas globais de serviços off-shore, já explorados na Índia e China", diz Álvaro dos Santos, gestor de TI da Casa Civil do governo da Bahia. Há planos também de fortalecer a entrega de soluções para pequenas empresas e cadeias produtivas das áreas de metal-mecânica e agroindústria.
Nessa linha, o governo pretende centrar fogo no empreendedorismo e na formação acadêmica. A qualificação dos recursos humanos na área de TI deve acontecer com o aumento dos cursos de mestrado e doutorado. "Enquanto isso, para atender à demanda de serviços de off-shore será preciso formar 20 mil técnicos de nível médio e oito mil analistas de nível superior nos próximos quatro anos", diz Adhvan Furtado, da área de gestão de TI da Casa Civil.
O mutirão de treinamento inclui cursos em linguagens de computador como Java, Cobol e .Net, além de inglês técnico. "Estamos fazendo um teste com essa metodologia, com 100 alunos de quatro escolas de Salvador." Na Bahia, 117 mil jovens recebem diplomas de nível médio, por ano.
Nas universidades baianas, somente nos últimos três anos, 17 novos cursos de TI foram criados. Ao todo, 8,1 mil alunos estão matriculados em 44 cursos de graduação. Mas por conta da evasão escolar, apenas mil profissionais se formam todo ano, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, ligado ao Ministério da Educação. "Montamos uma agenda de reuniões com as instituições de ensino para adaptar os currículos às necessidades das empresas".
Outra frente aberta pelo governo é o apoio à inovação tecnológica e atração de empresas de TI. Segundo Furtado, o Estado possui um potencial de captação de recursos e projetos superior a R$ 50 milhões, principalmente por conta dos incentivos da lei estadual de informática, criada em 1995.
"Somente o Pólo de Informática de Ilhéus tem capacidade de investimento superior a R$ 7 milhões para o Nordeste." O conglomerado de tecnologia, com 74 empresas, gera mais de 1,6 mil empregos e tem 20% de participação no mercado nacional de microinformática. Na ponta do lápis, todo o setor de TI da Bahia representa 40% da receita do segmento, no Nordeste.
Esse número deve crescer a partir de 2009, com a inauguração da Tecnovia-Parque Tecnológico de Salvador, na Avenida Paralela, a cinco quilômetros do aeroporto da capital. Além dos R$ 100 milhões previstos, há ainda uma negociação com um investidor privado, que entraria com outros R$ 65 milhões.
São esperadas 30 empresas e cinco instituições de pesquisa no primeiro ano de funcionamento. Para atrair mais companhias, o governo vai oferecer isenção de IPTU e redução de ISS e ICMS. "Organizações como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), IBM, CPM Braxis e Petrobras demonstraram interesse na iniciativa", diz Horácio Hastenreiter, gerente do parque tecnológico.
Baseado em uma área de mata atlântica com um milhão de metros quadrados e 150 mil metros quadrados de área construída na primeira fase, o empreendimento é inspirado no desenho de outros parques tecnológicos, como o americano Research Triangle Park, na Carolina do Norte.
"A idéia é ter laboratórios conjuntos e espaço para spin-offs de empresas incubadas". Além de TI, o local quer projetos de biotecnologia, saúde e energia. (J.S.)




Inovação: Cinco cidades paulistas começam a atrair gigantes de tecnologia para criar parques tecnológicos
SP quer ser o Vale do Silício brasileiro
André Borges26/09/2006
Quando a Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), decidiu fazer das terras desocupadas em seu entorno um atrativo para a formação de um pólo industrial, nos idos de 1940, basicamente o que se buscava era a concentração de professores de alto gabarito para a escola. O que estava prestes a nascer, porém, logo se mostraria bem mais complexo e que uma mera ampliação de excelência acadêmica.
De maneira quase natural, brotava em solo californiano o que a partir dos anos 70 passaria a ser conhecido com o Vale de Silício, o berço da indústria de semicondutores e da alta tecnologia que transformaria completamente aquele espaço urbano e consolidaria a região como o maior ícone de inovação dos Estados Unidos. Hoje, mais de seis décadas depois, 13 das 20 cidades americanas consideradas as mais criativas daquele país estão na Califórnia. Dessas, dez ficam no Vale do Silício.
É com um viés menos natural e mais induzido que cinco cidades paulistas estão se mexendo para criar um eixo de alta tecnologia no Estado. Desde julho do ano passado, os municípios de Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e São José dos Campos, além da capital paulista, correm para dar impulso ao que pretende ser o "Vale do Silício paulista".
Assim como na experiência americana, pesou na escolha das cidades o ambiente acadêmico que já possuem. Dados da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo apontam que, em 2003, a capital paulista foi responsável pela formação de 2.141 PhDs; Campinas teve 771 pesquisadores; São Carlos, 310; Ribeirão Preto, 211; e São Jose, 60.
Além do potencial científico, também foram levados em conta o ambiente industrial já instalado e as especialidades tecnológicas de cada região, afirma o secretário adjunto de ciência e tecnologia do Estado, Sérgio Robles Reis de Queiroz. Em São José dos Campos, as competências caminham para o setor aeroespacial, ao lado da biomedicina e da logística. A instrumentação agropecuária, biotecnologia e mecânica fina passam por São Carlos. Em Ribeirão Preto, as inovações estão mais ligadas às áreas de saúde e biotecnologia, enquanto Campinas se mostra mais inclinada para a tecnologias da informação, assim como a capital paulista.
Para viabilizar o projeto, o governo do Estado reservou um orçamento de R$ 11 milhões, mas apenas R$ 6 milhões foram liberados. Os demais R$ 5 milhões, comenta Queiroz, acabaram contingenciados. A iniciativa, explica ele, prevê a contrapartida das prefeituras e das empresas interessadas em entrar nos parques de tecnologia, o que já aconteceu em São Carlos (veja nesta página).
O secretário admite que o recurso atual é pequeno, e acredita que outros R$ 90 milhões tenham que ser reservados pelo Estado para dar impulso ao projeto em 2007. "O importante neste momento é consolidar cada proposta, ter um plano de negócios em cada região", diz.
O Brasil não está sozinho nessa corrida pelos parques de inovação. Segundo o diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, João Steiner, atualmente a China conta com 64 parques tecnológicos, os Estados Unidos têm 81 e Israel trabalha com 27 instalações baseadas no mesmo modelo. "Até a Espanha, que hoje tem 25 parques, vai criar mais 50 centros de inovação", comenta.
No Brasil, justifica, atualmente há dezenas de iniciativas similares, mas nenhuma que se atenha ao modelo agora proposto. Um parque tecnológico, explica Steiner, tem que reunir fatores básicos em um mesmo ambiente, entre estes a instalação de empresas orientadas a nichos específicos de inovação, fortes instituições de ensino, área para moradia de funcionários e serviços comuns de bens de consumo. Além disso, o que se busca nestes pólos são "companhias âncoras" de grande porte, as quais orientarão as demais empresas a serem instaladas no local, gerando um ecossistema de inovação.
"Não se trata de um simples empreendimento imobiliário", garante Steiner. "Há um projeto por trás da iniciativa, por isso cada um dos parques conta com um comitê gestor, que define as diretrizes e o perfil empresarial que deve ser seguido."
Ao reunir ciência e mercado em um mesmo ambiente físico, os parques tecnológicos também procuram trazer mais equilíbrio à balança do conhecimento do país. Hoje o desafio não é apenas ampliar o volume de cientistas. "Temos que reorientar as áreas de atuação desse conhecimento", diz Steiner, que também é o coordenador do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos.
Enquanto nos Estados Unidos 70% dos pesquisadores estão na indústria, contra 15% na academia e os demais 15% no governo, no Brasil a situação praticamente se inverte. Quase 75% dos doutores formados trabalham dentro de universidades, apenas 20% está na indústria e 5% no setor público.
"Os países perceberam que não basta contar com arranjos produtivos naturais, como já acontece em algumas cidades do Brasil. É preciso incentivar a criação de parques especializados", diz o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, que também acredita na possibilidade de o modelo se espalhar por outros Estados, como Rio Grande do Sul e Pernambuco.
Para além da tarefa de atrair grandes multinacionais, brasileiras ou não, os parques tecnológicos querem dar espaço para pequenos e médios empreendedores. Foi com a inspiração de ambientes dessa natureza que, em 1937, os engenheiros Bill Hewlett e David Packard começaram a trabalhar em uma pequena garagem, na cidade de Palo Alto, Califórnia. A idéia dos fundadores da HP era criar um oscilador de áudio. Eis o que criaram.





Pesquisa: Prime vai contemplar 5,4 mil empresas com grande potencial de crescimento e diferencial competitivo
Um senhor patrocínio para a inovação
Genilson Cezar 30/06/2008
Guilherme Ary Plonski, da Anprotec: novo programa vai provocar um reposicionamento do movimento de incubadoras e parques tecnológicos no país
Um ambicioso programa de incentivos governamentais, no valor de R$ 1,3 bilhão, pretende transformar, em curto prazo, o cenário da incubação de empresas inovadoras no Brasil. Trata-se do Prime - Programa Primeira Empresa Inovadora, lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e sua agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com 18 incubadoras-âncora de todo o país, com objetivo de fomentar o desenvolvimento de empresas nascentes de base tecnológica. Até 2011, informa Eduardo Costa, diretor de inovação da Finep, o Prime deverá contemplar 5,4 mil empresas com grande potencial de crescimento e que apostem no diferencial inovador como estratégia de competitividade.
Não é pouco. Nos últimos 20 anos de atividade de empreendedorismo no país, foram criadas cerca de 400 incubadoras que articularam a formação de aproximadamente 6,3 mil empresas, com mais de 33 mil postos de trabalho e um faturamento anual em torno de R$ 2 bilhões (veja tabela). "São números já bastantes expressivos, mas que precisam ser incrementados tendo em conta as responsabilidade e oportunidades que o Brasil tem hoje com vistas a se inserir rapidamente na chamada sociedade do conhecimento", avalia Guilherme Ary Plonski, presidente da Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).
Segundo ele, o Prime vai mudar o panorama da inovação e do empreendedorismo de pequenas empresas no país, e dá continuidade ao trabalho de parceria que vem sendo realizado ao longo dos últimos 20 anos com várias entidades governamentais e privadas, como MCT, Finep, Sebrae e CNPq, entre outras, no sentido de estimular iniciativas inovadoras. "Para se ter uma idéia do que o Prime vai representar como agente de mudança, basta dizer que ao longo das ultimas duas décadas, os recursos públicos ou de entidades parceiras aplicados nas incubadoras e parques foram de aproximadamente R$ 150 milhões, o que representou cerca de 40% do custo total, em torno de R$ 430 milhões", diz Plonski.
O Prime consta do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, o chamado PAC da Ciência, lançado em novembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevendo investimentos de R$ 41 bilhões em pesquisas e capacitação científica até 2010. "O programa demonstra a capacidade da Finep de muito rapidamente começar a implementar essa proposta", assinala o presidente da Anprotec.
No primeiro edital, anunciado em Brasília, no dia 26 de junho, o Prime torna disponível às empresas inovadoras R$ 216 milhões, verba que será repassada pelas incubadoras-âncoras encarregadas pela seleção dos empreendimentos. A empresa beneficiada pelo Prime terá o seu projeto apoiado por duas modalidades de financiamento operadas pela Finep. O valor total do financiamento será da ordem de R$ 240 mil por empresa. Esses recursos serão liberados em dois anos, sendo que a primeira parcela, de R$ 120 mil, virá do Programa de Subvenção Econômica à Inovação. Nessa modalidade, o financiamento é não reembolsável. Já a segunda e última parcela utilizará recursos do Programa Juro Zero, que prevê a devolução do empréstimo em 100 vezes sem juros. Os primeiros R$ 120 mil serão repassados em forma de subvenção econômica não reembolsáveis e, por isso, estarão livres de taxação. Esses recursos poderão ser utilizados para contratação de técnicos, administradores e consultores.
Segundo Gina Paladino, superintendente da área de pequenas empresas inovadoras, o Prime vai patrocinar pelo menos três rodadas de editais entre 2008 e 2010 (com execução até 2011). "Nossa meta é o desenvolvimento regional, a inovação tecnológica e a ascensão das pequenas empresas no país", diz ela.
Para Costa, da Finep, o Prime vai preencher um vácuo muito grande que havia entre o surgimento das idéias de empreendimentos dentro das universidades e a efetiva constituição de empresas e sua sobrevida por muito tempo. "A idéia desse programa é ser um grande alimentador da cadeia de geração de empresas inovadoras no Brasil. Queremos transformar as idéias dos jovens profissionais que saem das universidades em bons negócios, em empresas de sucesso", afirma ele.
Mais do que tudo, segundo Plonski, da Anprotec, o novo programa vai provocar um reposicionamento do movimento de incubadoras e parques tecnológicos, na medida em que as incubadoras funcionarão como âncoras de pequenas redes de incubação em várias regiões do país. "Haverá uma mudança no próprio papel das incubadoras, pois elas passarão a cuidar não somente das empresas que estão fisicamente dentro dos ambientes de incubação, como também usarão toda a sua competência para desenvolver e apoiar empresas que estão fora desses centros", conta ele.
De maneira geral, o programa não estabelece restrições à seleção de empresas para incubação de qualquer segmento de atividade. Pesquisa realizada anualmente pela Anprotec mostra que nos últimos anos os projetos das incubadoras setoriais foram dirigidos basicamente para o setor de informática. Mas, a Finep aposta agora numa tendência de maior concentração dos projetos nas áreas de biotecnologia, novos materiais, equipamentos médicos, entre outros. O programa, porém, é aberto para empresas inovadoras em geral, tanto podem ser empresas de tecnologia, como também do setor de calçados, por exemplo. "Empresas de base tecnológica são todas inovadoras, mas pode haver empresas inovadoras que não sejam de base tecnológica, que pertençam ao setor tradicional, como indústrias de couro vegetal", afirma Costa.





Parceria com multinacional é essencial para projetos
De São Paulo26/09/2006
O sucesso da inovação brasileira depende, fundamentalmente, de acordos com multinacionais. A opinião é do diretor da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), Flavio Grynszpan.
Os parques tecnológicos paulistas, avalia o executivo, só irão para frente se o empreendedor fizer "uma ronda nas companhias-âncoras" de inovação tecnológica. "É preciso fazer parte de um projeto internacional. Por isso tem que ser pró-ativo, ir até essas empresas e ver o que elas estão fazendo."
Grynszpan fala com a experiência de quem dirigiu a Motorola por dez anos no Brasil, até 1999, e foi responsável por trazer a fábrica da empresa para o país.
Apelos como incentivos fiscais, comenta, obviamente interessam a qualquer empresa. Esse, no entanto, está longe de ser o critério mais importante na hora de escolher uma região. "Uma grande empresa não está atrás só disso. Tem que considerar a concentração de conhecimento, avaliar os demais centros de pesquisa existentes e a força do setor produtivo."
De suas experiências, o executivo também chama a atenção para a necessidade de se aproximar de lideranças brasileiras que estejam no comando de multinacionais, dentro e fora do país. "Em qualquer negociação calcula-se de tudo, mas na hora de fechar o negócio o que manda mesmo é o intangível, o olho-no-olho", diz.
Os chineses e os russos, afirma Grynszpan, já sistematizaram essas redes pessoais de relacionamento. No Brasil, não falta por onde começar. Atualmente, diz o executivo, cerca de 400 multinacionais estão presentes no país. (AB)




Entrevista: Para o presidente da Fundação ParqTec de São Carlos, experiência local inspira outros centros
Um reduto de boas cabeças onde todos sabem inventar
Genilson Cezar27/08/2007
Sylvio Goulart Rosa: "Criamos uma escola de negócio para treinar e capacitar o empresário na área de gestão. "
O balanço não é desprezível. São quatro incubadoras de empresas de base tecnológica, de software e de design, responsáveis pela formação de mais de 90 empresas nos últimos 20 anos, gerando cerca de dois mil empregos, a maioria profissionais de alta qualificação. Uma das primeiras empresas graduadas, a Opto Eletrônica, é hoje um exemplo do esforço concentrado na construção de parques tecnológicos e projetos de fomento a pequenas empresas inovadoras, em São Carlos, cidade do interior paulista, com mais de 200 mil habitantes. A Opto, que desenvolve equipamentos para o terceiro satélite sino-brasileiro, o CBERS-3, conta com mais de 400 empregados, filiais no Brasil e no exterior e seu faturamento anual está hoje em torno de R$ 50 milhões.
"Nós reunimos uma experiência muito grande nesse processo de incubação, de apoio ao empresário nacional altamente competitivo, muito bem formado na USP de São Carlos e na Universidade Federal de São Carlos. Apoiar essas pessoas com projetos inovadores para a criação e consolidação de empresas de base tecnológica é um passo importante para um autêntico desenvolvimento nacional tecnológico", avalia o professor Sylvio Goulart Rosa, presidente da Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos. Nessa entrevista ao Valor, Rosa fala dos avanços conquistados pelo ParqTec de São Carlos, dos novos projetos, o principal deles a criação do São Carlos Science Park, um parque tecnológico de padrão internacional, que conta com investimentos de mais de R$ 3 milhões, e dos novos desafios do que é hoje um dos maiores centros de inovação tecnológica do país.
Valor: Quais as principais características das empresas incubadas no ParqTec nesses últimos 20 anos?
Sylvio Goulart Rosa: São empresas inovadoras, formadas por pessoas com um nível de qualificação muito alto. Da área de engenharia, de software, química, física. Como as duas universidades instaladas na cidade são de excelência, com seus programas de pós graduação aprovados pela Capes, os empresários que abriram empresas aqui têm doutorado e mestrado, são profissionais de alta qualificação. Mas eles têm pouca experiência na gestão de empresas, por isso, desenvolvemos também programas de gestão, que são fundamentais para a sobrevivência das empresas. Criamos uma escola de negócio para treinar e capacitar o empresário na área de gestão.
Valor: Além dos programas de incubação de empresas, que outras ações estão sendo desenvolvidas pelo ParqTec?
Rosa: Estamos construindo o São Carlos Science Park numa área de 164 mil metros quadrados, doada pela Prefeitura Municipal de São Carlos, para abrigar empresas e centros de pesquisa e desenvolvimento. A inauguração do primeiro prédio, com 2,5 mil metros quadrados, onde funcionará o complexo do núcleo operacional do parque tecnológico, será agora em novembro. O investimento inicial foi de R$ 400 mil, recursos concedidos pela Finep-Financiadora de Estudos e Projetos, empresa ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, com uma contrapartida da atual Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo de R$ 650 mil. Tivemos apoio também da SoBloco Construtora, que atua na área imobiliária e agrícola, que doou todo o plano diretor do projeto.
Valor: Como tem sido o envolvimento da iniciativa privada no parque tecnológico?
Rosa: Nós vamos abrigar mais de 50 empresas de base tecnológica, além de laboratórios de pesquisas, públicos e privados, empresas consolidadas de base tecnológica, pequenas, médias e grandes. Fornecedores de serviços também terão um papel de apoio às atividades dos integrantes do parque. Constituímos um núcleo regional de apoio ao software, o Agente Softex, e numa ação conjunto com Embrapa, Sebrae e Universidade de São Carlos, instalamos no Brasil a sede de uma entidade internacional de apoio às micro e pequenas empresas, a International Council for Small Business (ICSB). O ParqTec participa ainda da comissão de inovação de acesso às tecnologias que a Prefeitura de São Carlos montou para estimular ações em favor das micro e pequenas empresas da região.
Valor: O modelo adotado pelo ParqTec tem sido copiado por outras regiões?
Rosa: Fomos criados em 1984 numa ação pública do CNpQ, pelo então presidente Linaldo Cavalcanti de Albuquerque. Foram instaladas cinco fundações do tipo da de São Carlos, num modelo que Albuquerque viu atuar na Europa, com incubadoras e parques tecnológicos. As duas sobreviventes são a de São Carlos e a de Campina Grande. Esse modelo foi apresentado ao Sebrae de São Paulo e ao governo estadual e hoje existem mais de 70 incubadoras em todo o Estado. É um modelo que está sendo adaptado para outras regiões do país, inspira projetos semelhantes.
Valor: Quais as maiores dificuldades para esse tipo de movimento de criação de parques tecnológicos no país?
Rosa: Inovação tecnológica não é uma prioridade no Brasil. Trabalhamos com um orçamento pequeno, de R$ 5 milhões por ano. A precariedade dos recursos financeiros, portanto, é a maior dificuldade. A história da fundação ParqTec, nesses últimos 23 anos, acompanha a história do Brasil, que não cresceu nada. Se a gente pegar a média de crescimento da economia brasileira, dos tempos do Sarney para cá, a taxa de aumento fica em torno de 2%. Isso é um crescimento medíocre.
Valor: E a Lei de Inovação, aprovada pelo governo federal, trouxe algum alento?
Rosa: Isso foi uma boa novidade. Fomos credenciados em julho, junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, para recebermos recursos de empresas privadas que abatem seus impostos por conta da Lei de Informática. Somos uma das nove incubadoras do Brasil credenciadas na Lei de Informática. O ParqTec agora busca os grandes players com impostos de renda a recolher para que eles contratem a fundação visando desenvolver projetos inovadores na área de Tecnologia da Informação (TI).
Valor: O PAC não representa também uma possibilidade de estímulo à inovação?
Rosa: Até agora o PAC não trouxe inovação nenhuma para o setor de tecnologia. No momento, ainda está ligado à infra-estrutura, de transportes, principalmente. Acho que é preciso que se tenha um PAC da inovação tecnológica, com projetos específicos para estimular, apoiar, investir nas empresas inovadoras do Brasil.
Valor: Quais são os hoje, em sua opinião, os principais desafios que devem ser superados na área da inovação tecnológica?
Rosa: Acreditar que a inovação seria o caminho para inserir o Brasil de maneira competitiva na economia globalizada. Vários países em condições semelhantes às do Brasil estão fazendo isso. A China é um exemplo. A Coréia é outro modelo que deveríamos seguir. Há 30 anos, a Coréia estava numa situação pior que a do Brasil. E rompeu a barreira do subdesenvolvimento com investimentos pesados em pesquisas e inovação. Hoje é líder em patentes, apóia as empresas inovadoras, tem uma economia baseada na inovação tecnológica. O Brasil tem vantagens competitivas. Nós temos uma biodiversidade monstruosa. Temos recursos naturais em quantidade, um agronegócio excelente. Temos que acreditar nisso para alavancar nossa economia, para que o Brasil alcance uma postura internacional de respeito.
Valor: E o empresariado nacional não teria que se envolver mais nesse movimento para inovação tecnológica?
Rosa: Sim, como no mundo inteiro. Mas ele só vai se envolver se o país tiver projetos duradouros. Enquanto não houver um projeto de país, e a sociedade não tiver consciência de que vai se beneficiar desse projeto, isso não vai acontecer. Quer dizer, ainda há muita coisa para fazer.




Entrevista: Para Ministro da Ciência e Tecnologia, a cultura da inovação aos poucos é absorvida pelas empresas
Pesquisa tem que gerar riqueza, diz RezendeGustavo Faleiros, para o Valor
29/11/2006
Ministro Sérgio Rezende: "A cultura da inovação não se implanta em pouco tempo, é um processo. A mudança virá com outras gerações."
Estamos melhor que o México, que por muitos anos foi citado como um exemplo de industrialização rápida
Há um espírito Santos Dumont no pesquisador brasileiro, de que tudo o que faz ter que gerar o bem da humanidade
Quando se fala de inovação tecnológica no Brasil, não é raro ouvir comparações com outros países. A Coréia do Sul, quase sempre, surge como modelo a ser seguido. Entretanto, o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, prefere descartar fórmulas prontas. Para ele, o país está seguindo seus próprios passos ao adotar uma política industrial e tecnológica focada em setores chave e que privilegia as diferenças regionais. "Hoje, com a explosão dos biocombustíveis em todo o mundo, existem oportunidades para grande parte do território nacional.", exemplifica.
Durante estes últimos quatro anos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu atingir a meta de investir 2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. O percentual ainda é de meros 1,3%. Mas Rezende garante que o governo está fazendo sua parte. Comparados aos do ano 2000, os recursos federais para o setor são agora duas vezes maiores, enquanto aportes da iniciativa privada e dos Estados em inovação caíram. Isto explica, segundo o ministro, a estagnação dos investimentos.
Mas o ministro garante que o quadro está mudando. A cultura da inovação aos poucos é absorvida pelas empresas e universidades. Prova disso é o primeiro edital de subvenção econômica promovido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia neste fim de ano. As propostas superaram em muito os R$ 300 milhões oferecidos pelo governo. "Se tivéssemos feito o edital de subvenção há dez anos, nós ficaríamos decepcionados com o baixo número de propostas. Agora, estamos surpreendidos com a quantidade de projetos.", disse nesta entrevista ao Valor, concedida na semana passada, em seu gabinete.
Valor: Quando o presidente Lula tomou posse falava-se que poderíamos elevar o investimento em pesquisa e desenvolvimento a uma taxa de 2% do PIB. Passado o primeiro mandato, ainda permanecemos com recursos em torno de 1,3% do PIB. A inovação é realmente uma prioridade para o governo?
Sérgio Rezende: O aporte de recursos federais em ciência e tecnologia tem aumentado continuamente. Em números absolutos, o aumento é razoável. Saímos de R$ 7 bilhões no ano 2000, para R$ 15 bilhões em 2006. É um aumento bem acima do PIB nestes seis anos. O que manteve a porcentagem de investimentos estável foi uma diminuição de aportes dos Estados e das empresas. Isso ocorre porque ainda não se percebeu o aumento da lucratividade com a pesquisa e a inovação. A cultura da inovação não se implanta em pouco tempo, é um processo. Temos agora um momento de difusão da idéia da inovação. A mudança virá com outras gerações.
Valor: O processo não é lento demais?
Rezende: O Brasil começou muito tarde neste campo. Somos, de longe, os mais bem posicionados na América Latina. Estamos melhor que o México, por exemplo, que por muitos anos foi citado como um exemplo de industrialização rápida. Era um processo de industrialização a reboque do que ocorria no Nafta [bloco de livre comércio formado por México, EUA e Canadá]. Com a Argentina, nem se compara. Ela que tinha, há quarenta anos, um sistema de pesquisa muito melhor que o nosso, ficou para trás. Nosso sistema é muito mais robusto. Mas só vamos avançar no percentual quando houver a percepção do setor privado de que seu investimento se transforma em lucro.
Valor: As verbas do governo para ciência e tecnologia continuam a ser contingenciadas. Houve especialmente críticas ao desvio dos recursos do fundos setoriais para o pagamento da dívida. Isso não é um sinal claro de falta da prioridade?
Rezende: De forma alguma. O avanço que ocorre é que o percentual da receita dos fundos que é aplicado no Orçamento está aumentando continuamente. Em 2002, essa proporção era de 33%, hoje é 60% dos recursos. Dentro da contingência econômica, nós estamos fazendo um progresso.
Valor: Os fundos setoriais têm a função de estabelecer o vínculo entre as universidades e as empresas. Eles estão cumprindo este papel?
Rezende: Ele está cumprindo, mas é um processo gradual também. Nos primeiros anos não havia editais de cooperação entre universidades e empresas. O recurso ia diretamente para a academia sem compromisso com o setor privado. Só o setor de petróleo é que tinha maior vínculo. De três anos para cá foram feitos os editais de cooperação e, agora, com a subvenção econômica nós vamos cravar um pé nas empresas.
Valor: Sabe-se que é difícil conciliar o modo de atuação da empresa e da universidade. Os canais de comunicação entre os duas partes hoje é melhor?
Rezende: Hoje há, em quase todas as universidades, uma preocupação em azeitar estes canais. Isso não acontece na academia como um todo, e nem é para acontecer. Tem pesquisador que foi feito para ficar abstraindo, pensando. Mas muitos têm a preocupação de verem suas idéias concretizadas. Isso está tomando uma dimensão muito grande no Brasil. Por exemplo, a reunião deste ano da SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência], em Santa Catarina, teve pela primeira vez a inovação entre seus temas. Ela foi fundada em 1946 e só agora fizeram isso. Chamaram empresários para dar palestras. Na década de 70, eu vi gente ser vaiada em assembléias, ser acusada de estar se prostituindo por falar de parcerias com empresas. Há um certo espírito Santos Dumont no pesquisador brasileiro, de que tudo o que faz ter que gerar o bem da humanidade. Tudo bem querer o bem da humanidade, mas tem que gerar riquezas entre nós também.
Valor: O senhor crê que as empresas já apresentam maturidade com relação ao desafio da inovação?
Rezende: Eu ainda não diria que há maturidade. Há um grande interesse. Isso já é uma boa novidade. Se tivéssemos feito o edital de subvenção há dez anos, íamos ficar decepcionados com o baixo número de propostas. Agora, ficamos surpreendidos com a quantidade de projetos. Este edital vai nos permitir saber o quanto o sistema empresarial brasileiro está preparado para este mecanismo de apoio. Quando a análise detalhada dos projetos estiver concluída, poderemos dizer se há realmente propostas viáveis, projetos de inovação com potencial de mercado.
Valor: No Brasil, é o Estado quem mais investe em inovação, enquanto que em outros países, como o Japão, a iniciativa privada é quem mais aplica recursos desta natureza. Como mudar este quadro?
Rezende: O campo de ciência, tecnologia e inovação é muito novo no Brasil. Até quarenta anos atrás nós não tínhamos nas universidades programas de pesquisa, porque os professores não tinham salário de tempo integral. Eles davam aulas e depois iam embora. Foi com os cursos de mestrado e doutorado que o sistema universitário começou formar a base para o avanço das pesquisas. Por outro lado, no sistema empresarial, na indústria notadamente, a preocupação é muito recente, data do final da década de 90. Durante os anos 90, a indústria se preocupou mais com a gestão da qualidade. Mas no final da década percebeu-se que para ganhar mercado não bastava gerir bem, era preciso também inovar para se ter novos produtos e processos. Naturalmente, por ser muito novo este movimento de pesquisa no Brasil, cabe ao Estado ter um papel decisivo. Ele tem que ter incentivos, leis que estimulem a que todos agentes tenham uma participação maior. Resumindo, o Estado é importante tanto na articulação através de regulação, como enquanto financiador do sistema de pesquisa.
Valor: A resposta a estes estímulos do governo tem sido positiva?
Rezende: A subvenção era o mecanismo que faltava para completar um leque grande de apoio ao pesquisador e a instituições de pesquisa. Nos últimos três anos, nós fizemos, pela primeira vez, editais para financiar projetos de universidades com contrapartidas de empresas. Agora, com a aprovação da Lei do Bem, foi possível fazer subvenção direta às empresas.
Valor: O senhor considera então que o sistema de apoio à pesquisa hoje está consolidado?
Rezende: O sistema passou por muitas crises ao longo de 30 anos. O FNCT [Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia] quase desapareceu no fim dos anos 90. A chave encontrada pelo governo anterior foi a criação dos Fundos Setoriais. Durante as privatizações se determinou que era preciso dar continuidade ao esforço do Estado em ciência e tecnologia e se criaram os fundos. Isso deu robustez ao FNTC.
Valor: No exterior existe um grande número de fundos de capital de risco que financiam a inovação. Aqui, este papel quem cumpre é o Estado. Poderemos ver em um futuro não muito distante o setor privado mais envolvido no financiamento a pesquisas?
Rezende: Existem alguns movimentos neste sentido. Em 2000, a Finep criou um programa chamado Inovar, cujo o objetivo é exatamente melhorar o crédito. Ele tem dois subprojetos muito importantes: a Incubadora de Fundos Inovar e o Fórum Brasileiro de Capitais de Risco. Pelo menos duas vezes ao ano, a Finep promove encontros para mostrar a investidores o que é um fundo de capital de risco. Depois ela publica um edital para a formação de fundos, onde ela participa com até 20% do capital. O fundo de capital de risco é bem diferente dos outros que existem, pois ele é fechado. Seus sócios se comprometem em aportar recursos durante alguns anos e há um gerente que vai atrás das oportunidades de negócio com as empresas. Já o Fórum Brasileiro de Capital de Risco realiza eventos todo ano em alguma cidade do país para apresentar empresas de tecnologia para investidores. As empresas são selecionadas através de um edital da Finep. Isso tem contribuído para aumentar o número dos fundos de capitais de risco e também a lucratividade. Temos alguns exemplos de empresas, que hoje são grandes, e começaram com o aporte de capital de risco. A própria Gol começou deste jeito.
Valor: A atração de multinacionais é um aspecto muitas vezes apontado como impulsionador de investimentos em inovação. Nos últimos anos, o Brasil já não aparece entre os países emergentes que mais atraem interesse de empresas estrangeiras. O senhor acha que se deve buscar mais formas de atrair as multinacionais ou podemos prescindir delas?
Rezende: As multinacionais são importantes, mas pouquíssimas têm centros de pesquisa no Brasil. Quando alguma delas traz inovações e as introduz na linha de montagem, o Brasil não internaliza esta tecnologia. Tem mais empresas nacionais com núcleos de pesquisa do que as estrangeiras. Aos poucos, começamos a acordar. Recentemente, li um artigo em uma revista internacional que destacava que o Brasil tem recursos humanos e potencial para atrair centros de pesquisa em biotecnologia.
Valor: A política de ciência e tecnologia do atual governo está focada em alguns setores. Por que escolher apenas alguns setores? Como garantir que oportunidades em outras áreas não sejam perdidas?
Rezende: O Brasil ficou muito tempo sem ter uma política industrial e tecnológica. Eu diria que ele nunca teve uma política desta natureza com o mercado aberto. Novamente, entra em jogo a questão cultural: não se implanta no governo e nas empresas uma política industrial e tecnológica de uma hora para outra. Não dá para copiar a receita de outros países. Freqüentemente, a Coréia do Sul é usada como paradigma, mas ela tem uma área física que corresponde ao Estado de Pernambuco e uma população de menos de um quarto do que a do Brasil. Além disso, tem um regime de força até hoje. O Brasil tem esse território grande e as dificuldades de uma sociedade plural, democrática. Por isso acho que se a política industrial fosse totalmente desfocada, seria mais difícil de tirarmos algum resultado. A proposta é boa pois escolhe alguns setores com transversalidade, como é o caso dos bens de capital, softwares e a microeletrônica. A área de fármacos é mais vertical, mas tem uma importância estratégica para o Brasil. Essa experiência, como a primeira depois de décadas, vai ser boa para que eventualmente possamos ter uma política mais abrangente.
Valor: Nestes esforços de pesquisa e desenvolvimento, empresas de todos os portes terão chance?
Rezende: Todas devem ter oportunidade. As micro e pequenas empresas de hoje serão as empresas de tecnologia de amanhã. Vai ser mais fácil criar muitos empreendedores em tecnologia do que transformar donos de uma grande empresa em campeões da inovação. Há pequenas companhias que se transformaram rapidamente em grandes ao descobrirem nichos através da inovação.
Valor: Por outro lado, existem críticas a uma possível pulverização de recursos. Ou seja, ao invés de se investir mais dinheiro em uma instituição de pesquisa já consolidada, o governo optou por distribuir quantias menores para diversos projetos.
Rezende: Na minha opinião, esta crítica está completamente equivocada. Nós não estamos pulverizando, mas sim apoiando muitos grupos de pesquisa em todo o Brasil. São apoios pequenos, de sobrevivência. Isso, nos EUA, existe em um número muito maior. Aqui estamos falando em algumas dezenas de instituições. O fato de o apoio ser espalhado pelo Brasil é também muito importante, porque somos um país grande com competências em várias áreas. Temos 60 mil pesquisadores no Brasil, e ele só trabalharão se tiverem um apoio mínimo.
Valor: Como se está trabalhando as competências regionais?
Rezende: Temos uma política abrangente, procura-se dar oportunidades de acordo com o potencial das regiões. Por exemplo, a biomassa que é uma das áreas portadoras de futuro. Em 2003, falou-se do crescimento da biomassa, e já nos anos seguintes fizemos os estudos de potencialidade do etanol no Brasil. Hoje, com a explosão do biocombustíveis em todo o mundo, existem oportunidades para grande parte do território nacional. O semi-árido produz mamona sem nenhum esforço. Temos ainda as oleaginosas no Norte, a soja no Centro-Oeste, e o etanol em São Paulo e no Nordeste. Desta forma, quando se olha para uma área com o potencial da ciência e tecnologia se está gerando desenvolvimento quase que como um todo.
Valor: A legislação recente permite que o governo apóie empresas na contratação de pesquisadores, mas também abre portas para o suporte a cientistas que querem abrir suas próprias empresas. Quais são as perspectivas neste campo?
Rezende: Temos no país um programa de parques e incubadoras tecnológicas. Trata-se de uma sala ou um espaço nas universidades, onde os pesquisadores têm a oportunidade de começar a sua empresa. Isso já ocorre há dez anos, tanto que o número de empresas abertas por pesquisadores vem aumentando. A Lei da Inovação criou ainda a possibilidade de que o pesquisador tire uma licença para se dedicar a sua empresa sem perder seu cargo na universidade pública. Além disso, a subvenção que fizemos no último edital para a contratação de pesquisadores vai viabilizar que micro e pequenas saiam da fase de incubação, pois elas dependem de recursos humanos para isso. O resultado do edital mostra que 70% dos projetos vêm de empresas com faturamento abaixo de R$ 2,4 milhões. Muitas delas certamente são incubadas. A subvenção vai permitir a sobrevivência das empresas.
Valor: O que senhor espera para os próximos anos?
Rezende: O que eu espero é que estes projetos apoiados gerem novos produtos e processos que ajudem a abrir mercados para as empresas. Isso gera lucro. Quem vai convencer os empresários a colocar dinheiro em inovação não vai ser o governo ou um pesquisador, mas sim outro empresário lucrando.



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